terça-feira, 1 de junho de 2010

Os melhores anos da Ficção Científica

No site io9, tem andado a fazer uma recolha dos melhores anos da ficção-ciêntifica, como se diz na giria o sci-fi.
A lista é interessantissima e realmente é de concordar com as conclusões que têm chegado, que até ao momento ainda é um work-in-progress.


The Best Year of Science Fiction Ever: 1912
(aqui não é pelos filmes obviamente mas sim pelas obras literárias que alimentaram muito do que hoje em dia é o nosso imaginário)


The Best Year in Science Fiction: 1968
("2001 - Odisseia no espaço", "O Planeta dos Macacos", "A noite dos Mortos-vivos"...)



The Best Year in Science Fiction: 1977
("Star Wars", "Encontros Imediatos do 3º grau", o livro "Scanner Darkly"...)


The Best Year in Science Fiction: 1982
(a obra-prima "Blade Runner", o mitico "Tron", "Star Trek 2", "E.T."... e na TV o "Knight Rider")



The Best Year of Science Fiction...Ever (1999)
("The Matrix", "Galaxy Quest", Star Wars - Episodio 1"... na TV "Roswell", "Futurama" - neste artigo falharam outros filmes tais como o impressionante "eXistenZ" de Cronenberg por exemplo)



Esperam-se mais artigos dedicados a outros anos tão igualmente proliferos em sci-fi (entre 1982 e 1999 não faltam exemplos). Faltam aqui o que chegou depois nos anos 2000 mas principalmente os anos da era clássica do cinema (o ano do muito antigo "Metropolis" (1927) por exemplo). Contudo, como é um work-in-progress pode ser que ainda criem mais alguns artigos...

8 comentários:

Nasp disse...

Não posso deixar de comentar....

Esse ano de 1968 é o meu preferido!


1984 ( Starman / Terminator )

1986 ( Mosca / Aliens )

2009 ( District 9 / Avatar )

ena tantos....

ArmPauloFerreira disse...

Pois exactamente, era o que dizia... entre 82 e 99 não faltam exemplos mesmo e dos bons.

Contudo nada ultrapassa 1968/1977/1982/1999 (2001/Star Wars/Blade Runner/Matrix - podem ser vistos já como fundações do cinema sci-fi...os anos de ouro) e é por aí que entendi porque razão os da io9 começaram por esses. Seriam igualmente os mesmos que começaria por apontar.

Espero que eles olhem também para os anos 2000 em diante pois além do Avatar, muito bom filme se fez... apesar de poucos terem sido marcos no género e serem mais seguidores de fórmulas já vistas (e aí a marca dos anos de ouro)

Bruno Duarte disse...

Eu sou da opinião que a ficção cientifica a partir do ano 2000 não é tão gratificante como a do passado.

Digo isto, pois hoje em dia há uma maior facilidade para usar tecnologias, para "fazer existir" algo que nos faça sonhar.

Antigamente era muito mais difícil pôr efeitos especiais nos filmes, e é isso que torna o sci-fi dessa altura tão fascinante.

Avatar não me fascinou da mesma maneira que Alien, ET, Terminator ou 2001.

Abraço.
http://vidadosmeusfilmes.blogspot.com/

ArmPauloFerreira disse...

Hoje em dia é realmente diferente o impacto de um filme sci-fi. Também porque já não se vive a euforia da conquista do espaço e a tensão do final de milénio.
Depois o CGI mudou tudo e se pensarmos melhor quase tudo o que usa fortemente o CGI quase será também um sci-fi discreto.
Acho que o que 1990 deixou foi que o sci-fi é mais do que a vertente espacial, estando agora mais no homem e na consciência. Foi isso que Matrix também deixou...
Avatar e District 9, são bons exemplos dos actos do Homem perante outros e o meio que o rodeia, muitas vezes já explorada só que nestes dois mais visualmente ou narrativamente mais criativos.
Mesmo assim não têm sido maus de todo.

Jackie Brown disse...

Talvez 77 e 99, embora eu tenha um enorme ódio ao Star Wars.

Mas opto por 1999.
:)

João Sousa disse...

Penso que "Fantasia" é um termo que, sendo mais genérico, categoriza o todo destas obras com mais correcção.

Talvez seja purismo da minha parte, mas estas listas causam-me algum desconforto por não entender algumas obras como Ficção Científica. Star Wars, por exemplo, que sempre achei um trio de filmes muito divertido (a trilogia original, claro), são um western em que os cavalos foram substituídos por naves espaciais e as pistolas por lasers. Não há ali grande especulação científica - certamente houve muito mais na criação das tecnologias para a própria produção. Alien é um filme de terror que se passa no futuro, numa nave espacial e com um extraterrestre, ou seja, é um filme de terror com alguns elementos circunstanciais retirados à FC. The Thing, a mesma coisa. ET, que achei um tédio, sempre me pareceu uma Lassie.

Ficção Científica, para mim, é uma obra cuja vertente mais notória é a especulação: seja especular a tecnologia, como Arthur C. Clarke fazia; seja especular as consequências da tecnologia na sociedade (várias das obras de Asimov); seja especular as consequências da sociedade sobre si mesma (a proibição de livros em Fahrenheit 451).

Talvez seja por isto que, daquela que considero a melhor FC, uma grande parte acaba por ter mais a ver com a sociologia do que com a tecnologia. E por isto discordo do Arm quando ele diz que desde 90 a sci-fi deixou a vertente espacial e focou-se mais no Homem e na consciência. Talvez a nível do cinema - e nem aí me parece que a viragem tenha particular evidência. Mas a nível literário, não concordo.

Ver o Blade Runner em 89 criou-me o interesse na ficção cientifica pela via da distopia. As utopias clássicas na linha de Arthur C. Clarke ou Star Trek sempre me soaram um pouco a falso no seu optimismo tecnológico algo ingénuo. Descobri, via BR, Philip K. Dick e depois outros como Silverberg, Stanislaw Lem, Philip José Farmer ou Alfred Bester: autores que dedicaram toda ou parte da sua carreira literária à temática do homem/sociedade/consciência. Penso que nem poderia ser de outro modo. Coincidindo a chamada época de ouro da sci-fi com a Guerra Fria, parece-me lógico que as temáticas sociais seriam tão ou mais abordadas do que a tecnologia pura.

João Sousa disse...

[Maldito limite de 4k para os comentários]
:-)

Entretanto, voltando ao tema do post: dos que foram expostos, eu oscilo entre 1968 e 1982. Concedo que "2001" e "O Planeta dos Macacos" possam ser intelectualmente mais ricos. Contudo, o meu apego a Blade Runner supera tudo o que eu tinha visto até então (vi-o em 89) ou a partir daí. Nunca um futuro me pareceu tão possível; nunca tinha visto a decadência filmada com tanta beleza (qualquer frame daquele filme merece ser exposto numa galeria de arte).

Ao nível da produção cinematográfica, penso que Blade Runner marcou a perfeição daquilo que é possível alcançar com efeitos visuais/físicos (não foram usados CGI). Não deixa por isso de ser uma ironia do destino que o primeiro filme fortemente baseado em CGI tenha sido lançado no mesmo ano (Tron), quase como se aquele tivesse sido um ponto-charneira. Talvez infelizmente, pois continuo a achar que, por mais espectaculares que sejam, os CGI ainda estão para alcançar a riqueza, naturalidade e palpabilidade dos efeitos visuais/físicos.

Mas independentemente dos factores pessoais, porque considero "Blade Runner"-1982 tão ou mais importante que "2001"-1968? Porque marcou o início de todo um movimento estilístico e temático no audiovisual, vulgarizando o ciberpunk.

Estilisticamente, Minority Report vai beber a BR, tal como Matrix e muita Anime (A.I., então, nem vou mencionar de tão descarado). O Arm mencionou, ao falar do Star Trek do ano passado, os efeitos de luz aí usados: de novo, um componente do arsenal estilístico de Ridley Scott que tem sido inspirador para muita gente.

2001 é uma obra que também se basta a si mesma, mas não me parece que tenha marcado de maneira tão vincada o início de "algo" - a não ser, talvez, a atribuição de meios aos filmes de FC, retirando estes do limbo das séries B/Z a que tinham estado relegados até então, e a mostrar que a FC pode dar origem a filmes "sérios e intelectuais", ao invés de apenas séries de entretenimento para as matinés.

ArmPauloFerreira disse...

@ Rui Pereira: 77 e 99 são também duas das minhas escolhas mas a produção de 68 marcou-me bastante e muito do que se fez nos anos 80 foi também à maneira.

@ João Sousa: acho que está a ser demasiado purista realmente pois o termo "ficção" está lá presente e pode derivar para muitas saídas, sendo a mais comum o de conceberem fantasias futuristas. Culturalmente, o meu destaque recai na cultura da 7ª arte e não a literária (um contradição minha por ler muito raramente livros, logo o cinema diz-me muito mais, mas sei bem que é dos livros que estes filmes se ergueram).
O Blade Runner é um filme magistral e um dos filmes pilares de todo o sci-fi (para mim a triade 2001/StarWars/BladeRunner + Matrix estabelecem as muitas vias que o sci-fi pode seguir. É baseado neles que referia que o cinema de ficção-cientifica se tem fixado no Homem, a sua consciência (incluindo a projecção virtual) e obviamente a sociologia... quer esteja a lidar com futurismo ou não.
Parabéns novamente pela excelência estrondosa dos seus comentários. Desta vez até levou o espaço do comentário aos limites...Eu bem que já lhe subtilmente recomendei a fazer algo on-line (um blog onde pudesse opinar sobre tudo seria óptimo).
Felizardo dos que recebem intervenções como as suas. Continue a aparecer sempre!