sexta-feira, 3 de junho de 2011

Politiquices: Legislativas 2011... uma pequena reflexão


O dia de chegar às urnas, colocar uma cruzinha no eleito e esperar que o país vá mudar para muito melhor com esse gesto (ó sim, vai mesmo)... é já no próximo Domingo (5/6/11). Ahh, neste campo também acredito no Pai Natal e no coelhinho da Páscoa... pois claro!

A verdade é que a situação nacional está grave e mais que o mero acto de voto, o gesto de o fazer respeita-se mais em darmos todos uma resposta ao que se passa. Resposta essa que culmina em dilemas de opção, se ultrapassarmos as afinidades partidárias de cada um que nos fazem votar de olhos fechados no partido de sempre. Nestas eleições há uma componente nova, pois temos a presença do FMI que até divide em dois lados as opções.

Num dos lados temos os partidos que alinham pela necessidade da Troika e isso significa a manutenção de dinheiro injectado nas precárias contas públicas. Do outro lado desta realidade encontramos os partidos que a renunciam desde sempre.
Colocando nomes aos envolvidos, encontramos duma extrema à outra: CDS + PSD + PS + BE + CDU , as 5 maiores forças partidárias nacionais.

Fazendo um rápida análise, isto é o que acho.



Os contra...

Entendo que o acto de votar neste cenário, segue a escolha de uma das duas vias: votar contra a Troika significa escolher ou Bloco de Esquerda, cujo líder tem sido muito pragmático, ou os neo-comunistas da CDU, cujo líder é menos carismático a passar a sua crença mas que não é de desprezar.


Neste campo, estando o país em afundamento técnico nas suas contas públicas, sem capacidade de fazer frente a compromissos de saúde financeira, paira-me sempre a dúvida de como resolveriam a actual situação, renunciando o apoio externo. Situação essa que nunca foram responsáveis por ela, deve ser dito, mas também em termos de oposição aos governos parece que nunca fizeram o incómodo suficiente para evitar ao que se chegou.


Na minha intuição, há uma fatia de eleitorado que tenderá a votar na CDU como esperança de mudar o normal que é se ter ou governos PS ou do PSD. De outras forças políticas é que nunca fomos governados, excepto desde o General Ramalho Eanes.



E os a favor...

No outro lado da barricada, o votar resignado a favor da Troika, representa o caminho para a solução imediata. Isto significa o agraciar das tão esperadas condições de vida difíceis que nos reservam o plano regulador do FMI.

Nesta conjuntura, encontramos duas vertentes:


- votar no PS significa que, queremos mais do mesmo (des)governo que recebemos até aqui da esquerda nos últimos 6 anos. Em termos práticos é como dizer que Sócrates é o único com tomates cá do burgo, pois tem enfrentado tudo e todos, foi impedido de prosseguir a governação e os intermináveis PEC's. Bem sabemos que, depois do PEC4, iriam continuar a surgirem outros mais em contínuo ajustamento da estratégia de arrecadar mais dos nossos bolsos;

- votar nos partidos da direita, o CDS de Paulo Portas ou no PSD de Passos Coelho. Esta opção representa não só concordar com a Troika mas em simultâneo dar uma bofetada no governo PS que se encontra no poder (se eram quem governavam o país, a equipa rosa foi quem nos conduziu ao que chegamos, disso não há dúvida). Portanto esta opção recai na vontade mudar a filosofia de governação, é nisso que se resume.


Esta via afigura-se com duas escolhas para fazermos: ou damos o voto na via mais neo-liberal do CDS-PP do sempre carismático Paulo Portas, um animal politico que tem dado imensa luta coerente ao PS (e PSD)... mas que poderá não encher as medidas do eleitorado indeciso.


Ou então damos o voto para a alternância habitual que é o PSD, que Passos Coelho tem conduzido na tentativa de mostrar sentido de Estado e tal, mas tem sido frouxo e algo trapalhão ao longo do sua jornada. Entende-se, ele não é um animal político como o é Sócrates ou o Portas...
O voto em força no PSD ou CDS, que caso o PSD ganhe sem maioria, levará á coligação de Direita, que ambos tanto esperam como o cenário menos mau para o PSD e óptimo para o CDS.



Conclusão...

Como vêem, é tudo uma questão de escolher qual sentido damos à interpretação do momento nacional e depois com isso votar no cenário que corresponde à intuição de cada um. No pior dos gestos, o votar em branco ou nem sequer comparecer às urnas, nada resolvem e apenas é uma oportunidade perdida de cada um se exprimir perante a conjuntura actual.
Nenhum deles irá fazer maravilhas... trata-se sim é de optar pelo menos mau. Votar neste Domingo, é então marcar uma posição.

Quanto ao futuro... bem, só sei que estamos bem fodidos!

4 comentários:

Jessie disse...

Disseste algo muito acertado: isto trata-se de votar não no melhor, mas no menos mau. O difícil é saber quem é...

ArmPauloFer disse...

Dilemas de saber qual o menos mau e em cada lado da facção pró ou contra a Troika...
Decisões... decisões...

João Sousa disse...

Não fosse um dos candidatos Sócrates e eu talvez votasse em branco. A questão é que Sócrates está na lista e eu, penso que pela primeira vez, irei exercer (ou melhor, já exerci) um voto pela sua mera utilidade, não por forte convicção.

Coelho - porque, sejamos honestos, é o outro com possibilidades de vitória - não me convenceu por aí além. Os que se lhe opõem afirmam ser um pateta. Apesar de tudo, penso que não o seja. A minha única certeza é que não é louco.

Esse é, na minha opinião, o maior problema de Sócrates: não a incompetência; não a pouca inteligência (apesar de ter esperteza); não as suas companhias pouco recomendáveis (que são transversais ao dito arco de poder); não a falta de cultura, a vaidade ou o pezinho de ditador. O que faz Sócrates mais perigoso numa posição de poder é a sua sociopatia. Com um idiota podemos argumentar: pode dar mais ou menos trabalho mas podemos ter confiança de que, com paciência e bem aconselhado, ele chega à conclusão correcta. Com um louco, pelo contrário, não podemos esperar isso porque o seu comportamento não se rege pela lógica - ou, quando o faz, é meramente a lógica da sua sobrevivência.

E mais do que ser derrotado, penso que Sócrates devia ser pesadamente derrotado, a larga margem do vendedor. Um resultado honroso e corre-se o risco de ele (e mais a sua quadrilha) permanecer aos comandos do seu PS e regressar ao poder num prazo relativamente curto. E um sociopata ressentido, regressado ao poder, é ainda mais perigoso.

ArmPauloFer disse...

Excelentes observações João. Totalmente de acordo e isso tudo que referiu é só verdades pelas quais alinho também. Se chegamos ao ponto que estamos é necessário dar uma bofetada a quem desgovernou. Depois optar pelo lado menos mau, esquerda ou direita, dois em cada lado, sabendo que a esquerda já sempre se expressou contra os factos da realidade já contratualizada e definida para longo tempo. Uma merda mas acaba por ser a direita, os mais decididos a levar avante o "guião" do FMI. pela lógica serão ambos os dois partidos da direita, CDS + PSD, quem nos irá governar no próximo mandato.

Obs: Sócrates como um sociopata... brilhante conclusão. Ninguém melhor passa mentiras e o que é mau como se fosse bom e importante para o pais. Todo ele é fake... todo ele é ensaiado... e tem fãs a bitch!