quarta-feira, 13 de julho de 2011

E bem nos disse: José Saramago (#3)

(Ou bem escreveu...)






"Retrato do Poeta Quando Jovem"
(poema)

Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brandas se afastam para o lado
Com rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do Sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.

Hà um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.



José Saramago
(Golegã, 1922 - 2010, Lanzarote)

Prémio Nobel da Literatura (1998)


(Sabia que decorre uma petição sobre o filme "José e Pilar"? Saiba mais clicando aqui.)

2 comentários:

Ricardo Lopes Moura disse...

Adoro Saramago desde que comecei a lê-lo aos 15 anos. O meu primeiro livro dele foi o Levantado do Chão, que permanece o meu favorito até hoje.

Um abraço

ArmPauloFer disse...

É grande sim. Tenho vários livros dele em casa... apesar de actualmente já muito pouco andar a ler.