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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Adeus Richard Wright, adeus!

Hoje vou abrir mais uma excepção e noticiar uma notícia triste, para mim pelo menos.
Um dos meus ídolos da música morreu:
Richard Wright, o membro teclista e vocalista dos Pink Floyd.



Conforme informa no G1 "O músico e tecladista Richard Wright, um dos fundadores do grupo de rock progressivo Pink Floyd, morreu nesta segunda-feira (15). A informação foi revelada por um porta-voz do grupo. Wright estava com 65 anos e sofria de câncer.

"A família de Richard Wright, membro fundador do Pink Floyd, anuncia com grande tristeza que Richard morreu hoje, depois de uma rápida batalha contra o câncer", disse seu porta-voz em um comunicado. "A família pediu que sua privacidade seja respeitada nesta hora difícil."

"O vocalista David Gilmour, que se juntou à banda em 1968 logo após a saída de Syd Barrett, escreveu uma nota em seu blog nesta segunda-feira lamentando a morte do companheiro: "Eu realmente não sei o que dizer além de que ele era um homem amável, gentil e genuíno e que fará uma falta terrível a tantos que o amavam. E são muitas pessoas. Não era ele quem ganhava as maiores salvas de palmas ao final de cada show em 2006?", lembrou.
"

Quem não sabe quem ele é pode apreciar o seguinte video e o ver nas várias fases da sua carreira nos Pink Floyd, a solo e não só. A canção deste video, um excerto da charmosa "Wearing the Inside Out" (Division Bell - 1994), foi criada por e cantada por ele, numa das suas muitas e excelentes contribuições para a sua banda Pink Floyd.



Richard Wright, foi um dos membros fundadores da banda Pink Floyd mais discretos mas não menos importante.
Aliás... as suas composições e arranjos para as músicas dos Pink Floyd, foram tão importantes na definição do som da banda que não dá para separar a sua contribuição dos outros membros deu sempre um ar nobre e culto, à banda, fazendo com que o piano, orgão ou sintetizadores marcassem para sempre os maiores sucessos dos Pink Floyd.

Comparo este Pink Floyd ao Beatle, George Harrison, também já falecido. Enquanto os outros membros destas bandas, eram imensamente populares, estes dois músicos tinham um comportamento mais low-profile mas contribuíam para o som da banda de uma forma impressionante e fundamental.

Roger Waters, em final do seu "mandato" a liderar a banda, já não percebia o sentido e a visão dele para os Pink Floyd (foi por isso que Waters acabou a perder-se). Wright, que foi um mebro fundador da banda, esteve sempre a proteger o legado dos Pink Floyd e ao insurgir-se contra Waters, perante as ideias que este apresentava e a forma "a ferros" com que conduzia já a banda - Waters foi longe demais aos despedi-lo da banda e mais tarde sairia ainda também em divergência o baterista Nick Mason. Sempre apreciei o "The Wall" e o "The Final Cut" mas claramente se percebem nestes álbuns que lhes falta qualquer coisa: a arte criativa de Rick Wright!


Ainda bem que Gilmour o soube "regenerar" para a música e envolvê-lo de novo na banda no final dos anos 80 aquando do "A momentary lapse of reason". Depois disso voltamos a ter a arte dele na música e na banda. Nestes últimos anos acompanhou as tour do David Gilmour, que a propósito lançou DVDs fantásticos (neles se pode assistir o R. Wright a cantar Arnold Layne, Astronomy Domine ou Echoes... pura magia!) Wright foi feliz musicalmente com Gilmour...

Obviamente que recordo com saudade o concerto dos Pink Floyd em Alvalade (1994), estive lá na segunda noite e foi algo mágico e totalmente inesquecível.

Por curiosidade, no álbum dessa tournée, o "The Division Bell" (1994), uma das faixas que mais me arrebatam é a "Cluster One". Sente-se nela os 3 membros em modo jam a criarem o seu próprio som, desenvolvendo-o individualmente e acabando fundidos como uma banda totalmente em sintonia.


Adenda á música da semana

Em destaque, deixo-vos um video de uma memorável actuação dele a interpretar uma canção sua, numa das tour a solo de um outro Pink Floyd, David Gilmour (um grande amigo dele) em 2002, onde foi convidado a interpretar "Breakthrough" (do Broken China). E fê-lo de forma sublime, rodeada de coros quase gospel.
A participação foi tão mágica que Gilmour o convidaria para integra a sua banda de apoio nas tournées seguintes e também a participar no "On an Island" (2006, David Gilmour a solo), onde cantou nalgumas faixa inclusive e passou a integrar nos concertos de Gilmour.

"Breakthrough" Richard Wright & David Gilmour - "In Concert - Live at Robert Wayatt's Meltdown" (2002)


Adeus Richard Wright, adeus e obrigado!



sábado, 25 de abril de 2009

Música da Semana: os Pink Floyd da fase 1987-1988

A mítica banda Pink Floyd, tal como muitas outras também atravessou fases bem problemáticas. Uma das fases mais desagradáveis da banda sucedeu em meados da década de 80.


A fase das disputas e desentendimentos...

Os Pink Floyd, desde a fase The Wall/Final Cut, já não era própriamente uma banda mas sim um projecto que Roger Waters já entendia como sua propriedade, relegando aos outros membros a mera participação na sua megalomania.

Roger Waters após The Final Cut, pretendia dar o fim à banda Pink Floyd. Afinal alguns membros já haviam até sido despedidos (Richard Wright em 1980) e Nick Mason levado a abandonar também em 1983 (a última faixa do The Final Cut tem já a participação doutro baterista).

Os Pink Floyd estavam terminados e Waters declarava-o com o próprio nome do álbum The Final Cut, o anunciado ópus final.

Os relacionamentos entre todos os membros estava totalmente azedo, tudo devido às posições assumidas por Roger Waters como lider. No entanto, Nick Mason e David Gilmour entendiam que o papel dos Pink Floyd não deveria ter um fim assim e decidiram fazer regressar nome Pink Floyd. Roger Waters não gostou e processou-os em tribunal. Seguiu-se assim uma longa disputa pela propriedade e legado da banda, onde as trocas de azedos impropérios tiveram lugar e definitivamente fez separar Waters de Gilmour.

O tribunal acabou por dar razão a Gilmour e Mason, que poderiam assim voltar a usar o nome Pink Floyd e regressar ás edições discográficas (que o fariam sob a marca legal The Pink Floyd Ltda). Ao mesmo tempo conseguiram ainda recrutar o ex-membro Richar Wright.



O regresso do space-rock...

Em 1987, é lançado para o mercado o álbum que assinala o regresso da banda Pink Floyd, com o muito sugestivo nome:

"A Momentary Lapse of Reason" (1987)


"A Momentary Lapse of Reason" foi originalmente gerado como um álbum a solo de David Gilmour, na altura seria o seu 3º, em 1986 no seu barco Astoria. Gilmour rodeou-se de Mason (que sentia-se já muito pouco confiante para estar á bateria) e mais alguma gente amiga e com o material que já havia criado, desenvolveram o som e as canções para que estas estivessem á altura do legado e nome Pink Floyd. Já em estado muito avançado de desenvolvimento é que, Richard Wright, se juntou a Gilmour e Mason. Apesar de não ter contribuído na criação de material novo, Wright ainda faz background vocals no muito bom tema "Sorrow" e toca nalgumas poucas faixas.

A verdade é que este novo registo, alimentado pelo estilo de Gilmour, que é bem menos político e cerebral que as criações orquestradas no passado por Roger Waters, tenta fazer regressar o space-rock tão característico da banda ano passado em detrimento das opera-rocks dos últimos registos até então.
"A Momentary Lapse of Reason" é um disco muito interessante, e na minha opinião, consegue acrescentar algo novo ao legado já extenso da banda. Não o considero uma cópia ou imitação de sons do passado.

Este álbum, que tem uma excelente e intrigante capa, num momento fotográfico surrealista com camas a perder-se na vista numa praia. Trouxe de certa forma um novo tom poético às letras das canções que se degladiam com uma sonoridade que tenta ser ora perturbadora ora enternecedora. Apesar de muitos o acharem como um álbum da banda muito inferior ao que a banda fez no passado, eu sempre vi nele um álbum bom, refrescante e com intenções de ser a nova identidade deste grupo e o voltar a inscrever-se nas grandes canções espaciais que a banda sempre soube fazer.

video de "Learning to fly"


Se o agradável single da canção "Learning to fly", que imediatamente tomava o mundo (TV e radios), revelava uma nova sonoridade mais contemporânea, é noutras faixas que o valor do disco se faz valer tais como em "Signs of life" (maravilhoso instrumental de arranque), "One slip" (finalmente uma canção uptime e positiva), "On The Turning Away" (a estreia da banda nas baladas), "The Dogs Of War" (perturbadora e muito critica á guerra fria). Por fim aquela que acho a excelência do álbum e um dos melhores momentos Floyd: "Yet Another Movie" (com o apêndice de som circular "Round and Around"), um tema muito imaginativo, repleto de sonoplastia de vozes de cinema.

"A Momentary Lapse of Reason" é também o primeiro registo dos Pink Floyd gravado já inteiramente em digital e talvez esse seja um dos seus maiores pecados pois a evolução técnica da altura na captação do som, faz parecer que as canções soem muito contidas ou super-produzidas.

Este álbum tem ainda características curiosas e únicas na discografia: tem um tique sonoro que o localiza instantaneamente no tempo e na década de 80, a bateria cheia de eco. As percussões e baterias são tocadas com som forte, poderosas e metálicas, com muito eco e de certa forma uma bateria obtida em muitas situações por programações de caixa de ritmos.
Outro facto é que ter duas faixas muito à capella (novidade). Sendo estas practicamente sem uso de instrumentos (ouvir as "A new machine" partes 1 e 2 -pertubadoras) onde entre as duas, se escuta um instrumental com o um forte solo de saxofone (e não de guitarra), como se a música tivesse sido separada e tornado independente das vozes.

O álbum só peca por ser curto e dar a sensação de ter poucas canções. Efectivamente até que é verdade pois podem se considerar ter apenas 5 canções, acompanhadas de instrumentais e experiências vocais.

A verdade é que toda a desconfiança sobre a banda Pink floyd sem Roger Waters, se dissipou com o lançamento do álbum pois estes agora já simbolizavam o futuro. Mesmo assim recebeu muitas criticas negativas precisamente por esse facto da ausência do anterior líder que dava uma dimensão mais conceptual aos discos. Também foi criticado por Waters que afirmava que tinha apenas um nome interessante mas que as canções eram apenas um fac-simile do passado.
Mas o passado... já era passado e estes é que marcariam o que iria vir por aí.



O monstro apresenta-se novamente ao vivo...

"A Momentary Lapse of Reason" originou também, o regresso dos Pink floyd aos concertos. A banda em palco, composta pelos 3 famosos membro, rodeava-se de imensos músicos também para poder reproduzir ao vivo todos os detalhes da complexidade da banda. Era o regresso da banda a tocar ao vivo e sabia que milhares queriam voltar a reviver o sonho. Nada como fazer tudo a uma escala gigante, verdadeiramente extasiante e memorável. e memorável significa igualmente voltar a tocar os grandes hits do passado para gerações, que pela vontade de Waters, estavam condenadas a nunca mais voltar a ver e a ouvir a banda em palco. E foi isso que a banda deu!

Desta tour que passou por vários países do mundo em 1987/1988, resultou um novo álbum duplo e ao vivo, que era algo que faltava oficialmente no catálogo da banda.

"Delicate Sound Of Thunder" (1988)


Um novo álbum ao vivo, significa igualmente dar ao mundo uma prova da capacidade dos "novos" Pink Floyd. Ao mesmo tempo que serve igualmente de uma forma diferente de pôr no mercado uma colectânea de sucessos, já interpretada pela nova versão da banda. Isto significa fazer ouvir de novo todos os clássicos mas já cantados totalmente pela voz de David Gilmour, que já se assumia como o novo líder. E dizer a voz é pouco... pois todos os temas no duplo ao vivo soam renovados igualmente.
De certa forma, acaba por ser um álbum memorável, não só pela capa do "homem das lâmpadas" mas também pelas versões das canções e do alinhamento. Na minha opinião, todas as canções originais do "A Momentary Lapse of Reason", soam aqui muito melhores e até mesmo mais fabulosas e soltas que no álbum. "Learning to fly", "The Dogs Of War", "On The Turning Away" e a magnifica "Yet Another Movie", ficaram mesmo bem executadas ao vivo e muito mais ricas sonoramente.

"The Dogs Of War"


"On The Turning Away" (1988) - uma balada à Floyd...


E não se ficaram por aqui pois as presentes re-interpretações dos clássicos, soam contextualizadas nos novos tempos. Na minha opinião, soam até com menos nervo mas com uma nova alma muito mais madura.
Para as gerações que viveram na época do dos clássicos de ouro: "Meddle", "The Dark Side Of The Moon", "Wish You Were Here" e "The Wall", ouvir estas interpretações não trazia nada de novo ou de melhor que os originais. Para mim a verdade, é que para as novas gerações que estavam a descobrir Pink Floyd, este duplo álbum ao vivo serviu de excelente cartão de visita (durante anos) ao mundo Floydiano, deixando inclusivé marcas na percepção de qual são as versões melhores e definitivas das canções.

Digo isto porque o "disco das lâmpadas" ofereceu magia épica em "Shine On You Crazy Diamond", umas potentes como nunca "One of These Days" e "Run Like Hell", as impressionantes "Confortably Numb" e "Us And Them" revistas como se fossem baladas modernas num registo ligeiramente mais lento, chegando mesmo a serem sedutoras e charmosas como nunca se imaginaria.
Mas a surpresa maior acontece com "Wish You Were Here" que soa pop como nunca se ouviu, onde a voz melódica de Gilmour lhe empresta um sentido mais orelhudo do que era, devolvendo esta canção ao povo (imensa gente passou a saber até tocar e cantar esta canção), dando novo interesse a novas gerações não acostumadas à banda.

"Wish You Were Here" (1988)



Os concertos eram mesmo fabulosos, daqueles que faziam as cadeias televisivas parar as suas programações para emitirem á escala global um concerto grátis que deram em Veneza.
Onde o mundo os viu actuar numa plataforma construída sobre as águas da lagoa em frente á praça de St. Marks de Veneza, totalmente cheia com mais de 200.000 pessoas e visto pela TV por mais de 100 milhões.

"Yet Another Movie" -em Veneza, 15 de Julho de 1989


Este concerto também trouxe dissabores a Veneza, pois apesar de terem tocado num nivel de som mais baixo que o habitual alguns monumentos não aguentaram e deterioraram-se, levando a que os responsáveis pela cultura da cidade se demitissem e se decretasse nunca mais repetir eventos culturais do género.

"Delicate Sound Of Thunder" além das edições em cassete, vinil e CD (na altura um enorme luxo), saiu também como um filme-concerto muito interessante e que registava o que fizeram em palco na altura. Com muita pena, além do VHS (cassete em stereo hi-fi que adoro ver quando posso) e do já extinto LaserDisc, este video-concerto nunca foi editado em DVD. Talvez porque eles achem que a edição de "Pulse" seja a definitiva prova do que foi Pink Floyd ao vivo...
Eu acho que se justificava relançarem a edição DVD de "Delicate Sound Of Thunder", principalmente porque é um registo histórico e também por ter um alinhamento deveras interessante.


Pink Floyd passaram a ser além de míticos... também algo muito chique, um grande acontecimento.. e o mundo queria mais!

Conseguiria a gigantesca máquina Pink Floyd dar ainda mais, maior e melhor?
Sim e de que maneira pois conseguiram-no fazer 6 anos depois... mas isso já é outra história.


Reveja outros artigos relacionados com a banda Pink Floyd ou David Gilmour ou Roger Waters

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Richard Wright: Biografia e legado musical

Para melhor contextualizar o legado deixado por Richard Wright, membro falecido dos míticos Pink Floyd (o segundo depois de Syd Barret), publico aqui mais informações sobre a sua obra (vou tentar não ser muito extenso).


Biografia (via Wikipedia, com mais alguns detalhes que adicionei)

Entrou para a escola particular Harberdashers, e aos 17 anos foi para a Escola de Arquitetura. Lá conheceu o baixista Roger Waters e o baterista Nick Mason. Fizeram um grupo na faculdade e escolheram seis meses depois Syd Barrett para a guitarra.
O único nascido em Londres entre os integrantes do Pink Floyd, Richard Wright sempre foi o terceiro compositor e vocalista do grupo, tal como como George Harrison nos Beatles e John Entwistle no The Who.

Os membros fundadores dos Pink Floyd, respectivamente (da esquerda para a direita):
 Roger Waters, Nick Mason, Syd Barret e Richard Wright.

Como compositor Wright contribuía com duas ou três músicas por álbum, ou colaborava na estruturação de obras coletivas como "Echoes" (Meddle - 1971) ou "Time".
Dark Side Of The Moon (1973) representa seu ápice no Pink Floyd: os teclados se equiparam a guitarra de Gilmour e cinco das dez música são de sua autoria. Em Wish You Were Here (1975), onde seus teclados estão onipresentes, Wright trouxe grandes contribuições para o álbum, sobretudo na suíte "Shine on you crazy diamond".

A partir do disco Animals (1977) iniciou-se o processo de domínio do Pink Floyd por Roger Waters, apesar de neste disco Rick Wright ter realizado um competente trabalho no comando dos teclados da banda.
O sucesso começou a afetar as relações pessoais dentro do grupo. Trabalhos solo eram a única saída para os demais integrantes da banda e Wright realizou Wet Dream em 1978, acompanhado por Mel Collins (sax), Snowy Whithe (guitarra), Larry Steele (baixo) e Reg Isadore (bateria).

Quando os Floyd começaram a gravar The Wall em 1979 Roger Waters tinha assumido o total controle da banda. Rick Wright foi afastado do processo de criação e concepção, o que culminou com sua expulsão da banda durante as gravações de The Wall, apesar de mais tarde participar dos shows.
Depois da saída do Pink Floyd, Wright juntou-se com Dave Harris no grupo chamado "Zee" e gravaram "Identity" em 1984.

O retorno de Wright ao Pink Floyd se deu em 1987, nas gravações de A Momentary Lapse Of Reason. Ele chegou no meio das gravações, ocasião em que não trouxe contribuição relevante para o álbum, mas participou da turnê mundial de promoção do disco.


Já em The Division Bell, Rick Wright voltou a participar ativamente do processo criativo, retomando-se a cooperação coletiva que se havia perdido nos anos 70. Wright é co-autor de "Wearing The Inside Out" com Anthony Moore e das músicas "Cluster One", "What Do You Want From Me", "Marooned", e "Keep Talking" com David Gilmour.

Em 1996 Rick Wright lançou seu terceiro álbum, Broken China, gravada no estúdio da sua casa na França. Ele mesmo produziu o disco, junto com Anthony Moore, que também escreveu as letras. Foi mixado por James Guthrie. Participam deste álbum os guitarristas Tim Renwick, Dominic Miller e Steve Bolton, o baterista Manu Katche e o baixista Pino Palladino. E mais, Sinead O'Connor canta em duas faixas - "Reaching for the Rail" e "Breakthrough".

Apesar do papel coadjuvante, é quase consenso entre antigos fãs que os teclados de Richard Wright apresentavam-se como elemento fundamental para a constituição do som do Pink Floyd.
Morreu em sua casa em Londres, em 15 de setembro de 2008, a informação foi revelada por um porta-voz do grupo, e em seguida, divulgada expressamente do web-site da banda. Wright estava com 65 anos e sofria de cancro.

Álbuns a solo de Richard Wright
Wet Dream (1978)
Identity - sob o nome Zee, (com Dave Harris) (1984)
Broken China (1996)





Para ouvir:

Algumas criações de e com Rick Wright...

"It would be so nice" (Single 1968)





"Paint box" (Single 1968)





"Careful with that axe, Eugene" (single B-side 1968)





"The Great Gig In The Sky" (The Dark Side Of The Moon - 1973)
Curiosamente, nesta canção é proferido isto:
"And I am not frightened of dying. Any time will do.
I don’t mind. Why should I be frightened of dying?
There’s no reason for it - you’ve gotta go sometime."





Keep Talking (The Division Bell - 1994)
Enorme hit, onde faz um magnifico e importante solo a ombrear com o da guitarra...





"Arnold Layne" (David Gilmour DVD "Remember That Night" 2007)
Uma actuação de antologia protagonizada pelos dois (nos concertos de David Gilmour a promover o seu álbum "On An Island"), aqui a interpretar a primeira canção dos Pink Floyd com edição discográfica (single de 1967). No mesmo DVD, interpretaram juntos mais míticas canções da banda como "Astronomie Domine" ou "Echoes", entre outras.



O impossível novo álbum e o Live 8

Para quem alimentava a esperança de ver surgir um último novo álbum dos Pink Floyd com a formação completa, depois de os termos visto, finalmente juntos, todos os 4 membros mais de 20 anos depois, no Live 8... que se desenganem que ficou definitivamente impossível agora.
Fica assim a valer para a história como documento muito importante (já o era) a actuação dos 3 membros com Roger Waters, no Live 8 com o mini-concerto que deram juntos.
Não se vai mais repetir.



Adeus Richard Wright, obrigado!


sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O album The Wall dos Pink Floyd faz hoje (2007) 28 anos.


Breves momentos da história dos Pink Floyd

Em 30 de Novembro de 1979, era editado pelos Pink Floyd o décimo-primeiro álbum de originais da banda, o "The Wall".
O "The Wall" foi o álbum que provocou mais estragos irreconciliáveis no seio da banda. Antes e depois dele quase tudo se azedou entre os membros da banda.

Era uma criação total do então líder da banda Roger Waters, que impôs aos restantes elementos a escolha dos seus projectos que tinha em desenvolvimento, um deles era uma espécie de opera-rock onde se retratava a vida da personagem fictícia de nome Pink Floyd, que era uma estrela do rock e se acompanhava desde o seu inicio, ascenção e a consequente alienação e perdição devido à fama e excessos. O escolhido foi o "The Wall" e os outros projectos acabaram por ser editados por Roger Waters a solo.
Provocou enormes discussões e desentendimentos na banda, chegando a culminar no despedimento do teclista Richard Wright ainda na fase de gravações.

O álbum "The Wall" é considerado unanimamente como sendo um dos mais importantes e melhores albuns conceptuais da história do rock. É aquele que é também o mais reconhecido dentro deste género.
O "The Wall" não só é um album impressionante, maravilhoso, apaixonante e marcante, como é o disco que deu aos Pink Floyd o seu maior hit de sempre e o single mais bem sucedido da vida desta banda inglesa. Refiro-me ao ao tema "Another Brick In The Wall, part 2" (mas um outro hit, o "Confortably Numb", de grande reconhecimento também se encontra por lá).
Ouçam um pouco que imediatamente o reconhecem.



Marcou também uma nova mudança do som da banda, alinhando agora para as canções de duração mais curta e imediatas embora dentro do contexto do tema funcionem em função de cada uma que precede, formando um todo. Com esta edição pôs-se fim aos discos conceptuais da banda, que haviam iniciado em 1973 com o mítico "The Dark Side of the Moon", seguido de "Wish You Were Here" (1975), "Animals" 1977 e por fim "The Wall" , já em 1979.

Os Pink Floyd, ou melhor, Roger Waters lançaria, no album seguinte, o "The Final Cut" em 1983, uma espécie de prequela que remontava aos tempos da guerra do pai da personagem Pink em "The Wall".

O "The Final Cut", um álbum muito interessante e pessoal (era realmente sobre o pai de Roger Waters que se tratava) foi pensado para ser o último album dos Pink Floyd (não aconteceu pois a banda haveria de renascer sobre os comandos do guitarrista David Gilmour), não teve digressão e novamente provocou ruturas na banda: desta vez foi o baterista Nick Mason, o despedido sendo as últimas faixas gravadas com um contratado.


Uma ideia multimedia e o futuro...

Este disco originou também uma das mais inovadoras digressões que alguma banda poderia imaginar sequer no inicio dos anos 80 (1980 e 1981). Consistia em reproduzir na integra todo o alinhamento seguido do álbum, que recorreram às mais diversas possibilidades de representação rock: um gigantesco palco onde ao longo do concerto era erguida uma enorme parede que acabaria por separar a banda do próprio público (literalmente deixavam de os ver a tocar).

Na parede eram projectadas imagens de animações, jogos de luzes, servia de cenário para pequenas representações do vocalista (quarto que saiam da parede) e até eram utilizados gigantescos bonecos pendurados. No fim em grande apoteose, todo o muro era demolido perante a audiência em delírio absoluto.

O "The Wall", devido ao seu cariz forte, acabou também por ser uma espécie de material multimedia, pois também foi realizado em 1982 em versão filme com o mesmo nome, com Bob Geldof a protagonista principal da longa-metragem.




Recentemente, foi re-editado em DVD numa edição especial com extras inéditos, videoclips, comentários do realizador e membros da banda, som DTS em imagem widescreen original restaurada, nova imagem gráfica e... um poster.

Aquando da queda do muro de Berlim, o então já ex-membro dos Pink Floyd, Roger Waters, montou uma década depois todo o espectáculo "The Wall" ao vivo em Berlim, com imensos convidados, para comemorar com todo o sentido os acontecimentos importantes que aconteciam na Alemanha. Também está em DVD, é claro!

Em pleno ano 2000, seria lançado para assinalar os 20 anos do "The Wall", um álbum ao vivo que a banda retirou do seu baú repleto de gravações (parece que têm lá muito material ainda inédito embora pouco relevante), com o título "Is There Anybody Out There? - The Wall Live".
Nele podemos escutar a fantástica performance que foi a digressão. Na altura havia sido prometido pela banda o lançamento em DVD das filmagens na integra de um dos concertos. Nunca saiu o DVD e a razão foi apontada por as gravações estarem em mau estado, com algumas passagens estado irrecuperável e que levaria imenso tempo a restaurar e remasterizar.

Eu, cá para mim, acho que eles decidiram guardar esse tesouro bombástico, que é ter uma actuação antiga da banda, para quando se comemorarem os 30 anos. Assim será uma forma de angariar mais umas massas sem fazer nenhum e gozar dos louros obtidos...

E sim, adoro os Pink Floyd e há muitos anos...

domingo, 21 de setembro de 2008

David Gilmour a solo e o Live in Gdańsk

Sai apartir do dia 22 de Setembro, o novo registo de David Gilmour a solo: Live In Gdańsk

É o primeiro lançamento em formato CD de David Gilmour em álbuns ao vivo da sua carreira a solo. Esta edição em duplo disco extende-se também por várias edições especiais (com DVDs e mais extras), com o registo do concerto que deu em Gdańsk Shipyard (Polónia) com uma orquestra de 40 elementos, registando assim o final da digressão de "On An Island" perante uma assistência de 50.000 pessoas.

Trailer promocional:



Mas quem é David Gilmour?

Para quem não conhece David Gilmour... basta dizer que "foi apenas" várias coisas: o vocalista, o virtuoso guitarrista e o último líder da banda Pink Floyd... banda esta que dispensa apresentações.

Os Pink Floyd pararam de lançar material original novo em 1994 com o álbum "The Division Bell".
Desde essa altura que Gilmour havia mantido a actividade participando em concertos por aí com outros músicos célebres, facto que lhe fez renascer a vontade de reactivar a sua carreira a solo parada desde 1984 (com o "About Face", que havia sido antecedido por um outro homónimo "David Gilmour"em 1978).
Em 2003, lança o DVD David Gilmour In Concert, com duas actuações memoráveis (Meltdown Concert e Royal Hall Festival Concert). Neste DVD toca imensas canções dos Pink Floyd, deixando um sabor a pouco, que poderia fazer mais e melhor ainda. Tem como convidados Bob Geldoff, Robert Wyatt e ainda Richard Wright (onde interpreta a célebre "Breakthrough").

Regressa em 2006 (22 anos depois) então com um novo registo de originais, o maravilhoso "On An Island".

Em “On An Island”, Gilmour brinda-nos com um álbum muito elegante e sedutor. Reflecte o seu estado de espírito positivo e por isso, traz a ajuda da esposa e de muitos amigos neste seu regresso a solo.
Repleto de bons convidados, tem inclusive Richard Wright (infelizmente recentemente já falecido) nas teclas de todo o álbum e a fazer dueto com a voz de Gilmour (ao bom estilo antigo floydiano) na canção “The Blue”, para além de Wright ainda fazer alguns coros noutras faixas…

Aliás, este álbum poderia até ser entendido como uma espécie de sucessor do "The Division Bell" (1994) dos Pink Floyd (a sua banda), dadas as semelhanças consistentes em faixas como Castellorizon; On An Island; The Blue; Take a Break; Red Sky At Night; etc. As canções têm as medidas certas, os sons adequados, as vozes em equilibrio, os arranjos que precisam (inclusive orquestrais)... tudo está bem!
Sobressai neste álbum a sensação de unidade, do tipo escutar tudo de seguida de uma vez como um todo, em crescendo. O carisma de David Gilmour sobressai na sua abordagem ao som que o próprio co-produz, que nos dispõe toda a sua mestria nas guitarras e ainda revela os seus dotes no saxofone também.
Podem apreciar os dois videos no YouTube: On An Island e Smile.

David Gilmour edita novo DVD, o “Remember That Night” (2007), onde com o já referido Richard Wright integrado na sua banda de suporte, tocam vários temas dos Pink Floyd (alguns nunca registados e apreciados ao vivo, tais como faixas dos tempos iniciais da banda Pink Floyd e de álbuns como "Meddle", “Obscured By Clouds” ou “Atom Heart Mother”) e o seu "On An Island" na integra. Curiosamente não inclui no alinhamento nenhuma das faixas dos seus dois álbuns anteriores (os tais de 1978 e 1984).
Na minha apreciação, este é um exemplo do que deve ser um DVD musical... tem de tudo! Boa actuação, bons convidados (Robert Wyatt, David Crosby, Graham Nash, David Bowie, etc), muitas cenas de bastidores, ensaios, actuações exclusivas, aparições dos amigos (inclusive Nick Mason perto da bateria...), um encontro com Roger Waters (onde se cumprimentam e conversam), muitas fotos e muitos mais extras dignos de não perder todo o fã dos Pink Floyd ou de David Gilmour. Esteticamente tem ainda um design muito apelativo, tanto a caixa em digipack como os menus e a navegação pelos discos (2 DVDs).
Recomendo a terem-no na vossa colecção!




Live In Gdańsk (2008)


No total existem várias edições: de 2 discos (só audio), 3 discos (2 Cd + 1 DVD), 4 discos (2Cd e 2DVD), 5 discos (3 CD e 2 DVD) e ainda edição em vinyl (5 discos).
Tantas edições da mesma coisa leva a perguntar o que diferem entre elas. Para isso recomendo que apreciem a tabela (que junto ao lado) que bem distingue todas estas edições gradualmente bem apetrechadas.

Talvez a edição mais adequada será a de 4 discos (2Cd e 2DVD) pois não exagera com o 3º CD com outras actuações (algumas canções são repetidas) pelas cidades da Europa e já trás o segundo DVD que tem a particularidade de ter a reedição de "On An Island" em som 5.1 em Dolby Digital e DTS (uau!).

Na verdade, o 3ª CD pode ser descarregado através de um link que está no 1º DVD. Regista-se no site e mensalmente podemos descarregar um só canção das 12 disponíveis (portanto leva um ano a tê-las todas) e é por essa razão que a edição de 5 discos é bem interessante pela conveniência de ter essas 12 faixas já em CD... lá isso é bem conveniente!
A edição mais completa de 5 discos (3CD+2DVD) traz ainda um booklet maior e com mais páginas e a edição é no formato digipack estilo DVD (e não no mais simples tamanho do CD).

No fundo, edições para todas as carteiras...

Podem confirmar na Amazon.

Este novo registo que acaba de lançar, o "Live In Gdańsk" (2008), digamos que é uma forma de capitalizar mais uma vez a mesma coisa que já existia em "Remenber That Night", só que passa do registo em sala fechada para a actuação ao ar livre.
E que palco espectacular teve em Gdańsk!
Os seis ecrán verticais sob o palco dão um novo sentido aos concertos ao vivo, pois cada ecrãn foca um músico do palco constantemente, para além de servir para mais utilidades. E é claro que existe toda a parafernália de efeitos de luzes, fumos, etc...

Tem, é claro, o grande Richard Wright a dar ainda mais brilho a tudo isto! No verdade, não é só ele que nos chega oriundo dos Pink Floyd... muitos dos membros da banda de suporte das tournées dos Pink também abrilhantam a actuação: Dick Parry, Jon Carin, Guy Pratt e ainda Phil Manzanera dos Roxy Music, sem esquecer que os arranjos de alguns temas dos Pink Floyd foram feitos por Michael Kamen.
No fundo esta é uma edição com perfume floydiano... e é claro que isso é bom!

Como podem ver pelos seguintes videos:

Astronomie Domine


Confortably Numb





Saiba mais sobre David Gilmour pelo:
site, blog e assista a mais videos pelo canal oficial dele no YouTube.



domingo, 2 de outubro de 2011

Blitz extra: Pink Floyd total... Set/Out'11 nas bancas

A Blitz tem nas bancas uma edição extra totalmente focada em contar tudo sobre os miticos Pink Floyd e a publicação chama-se "Pink Floyd Total".


"O que poderá ler em Pink Floyd Total:


- Tudo sobre as re-edições, a partir dos estúdios Abbey Road, onde Rui Tentúgal encontrou Nick Mason, baterista dos Pink Floyd.
- As três obras-primas ao milímetro: Dark Side of the Moon , Wish You Were Here , The Wall .
- Entrevista com David Gilmour e Nick Mason sobre o período de ouro do grupo, nos anos 70, e a relação muitas vezes tumultuosa com Roger Waters, o "ideólogo" da formação clássica dos Pink Floyd.
- Biografia completa, das aventuras psicadélicas de Syd Barrett ao re-encontro de Waters, Gilmour e Mason no palco do Live 8, em 2005. As melhores fotos de todos os períodos da banda, os episódios mais relevantes, como os concertos de The Wall , saída de Waters, a morte de Rick Wright e Syd Barrett. Por Rui Miguel Abreu.
- Os concertos dos Pink Floyd em Portugal, de 1994, e as subsequentes vindas de Roger Waters ao nosso país, sobejamente ilustradas.
- Perfis individuais dos 5 músicos que passaram pelos Pink Floyd.
- Discografia, incluindo complilações, discos e DVDs ao vivo recomendados."

Aqui o "je" revelar que religiosamente já tem a edição é algo que até poderá ser entendido como um cliché... vá se lá perceber o porquê, right? Tão previsível afinal...

sábado, 7 de março de 2009

Música da semana: Stephen Hawking com os Pink Floyd em "Keep Talking"

"For millions of years
mankind lived just like the animals
Then something happenend
which unleashed the power of our imagination

We learned to talk...
"

Muitas vezes me recordo da força destas palavras de Stephen Hawking no inicio de (e durante) "Keep Talking" dos Pink Floyd (álbum "The Division Bell" -1994).

Breves palavras sobre...

"Stephen William Hawking, 63 anos, é considerado um dos mais importantes físicos teóricos do mundo, apesar de sua doença degenerativa, ainda sem cura, com que convive há mais de 30 anos.
Ele é autor do livro "Uma breve história do tempo".

Hawking usava um teclado acoplado a um computador para controlar um sintetizador de voz através do qual podia falar.
Devido ao avanço da doença, seus dedos perderam a habilidade de digitar e a comunicação através do teclado de computador começou a tornar-se ineficiente." In WikiNoticias

A situação de Hawking ao não poder falar e que apenas comunicava com o auxilio da tecnologia. Recordou-me dos tempos actuais... e em contraste, de outros tempos os Pink Floyd.

Como mega-fã da banda, existem imensas canções no meu próprio top Pink Floyd, e esta foi desde logo uma desse top.
A canção, na versão original é fabulosa e sugere pensar sobre o isolamento que os humanos se relegam, deixando inclusive de falar uns com os outros, chegando a pontos de não verem mais razões para... falar simplesmente.

The Divison Bell (1994)
Conseguem ver uma ou duas cabeças?


Tudo isso está reflectido na letra de "Keep Talking" (1994) dos míticos Pink Floyd.

Eles ergueram aqui uma das suas melhores canções, daquelas que carrega com muita categoria toda a história e algum do simbolismo da banda em muitíssimos detalhes ao longo do tema.
Tais como, o uso de dois solos instrumentais seguidos, com guitarra e teclas, ao jeito de "Astronomy Domine" (do primeiro álbum, em 1967) e ao mesmo tempo o uso das gravações de voz humana ou citações, também já presentes em 1967. O uso de coros femininos no tema remete por exemplo para 1973 (The Dark Side Of the Moon) e os efeitos vocais com vocoder como haviam feito em 1977 (Animals), tudo isto entre tantos outros detalhes maravilhosos. Ao mesmo tempo a própria canção consegue adicionar algo de refrescante ao legado dos Pink Floyd... e isso é obra!


O resto da letra:

There's a silence surrounding me
I can't seem to think straight
I'll sit in the corner
No one can bother me

I think I should speak now _________ Why won't you talk to me
I can't seem to speak now __________ You never talk to me
My words won't come out right ______ What are you thinking
I feel like I'm drowning ___________ What are you feeling
I'm feeling weak now ____________ Why won't you talk to me
But I can't show my weakness _______ You never talk to me
I sometimes wonder _____________ What are you thinking
Where do we go from here _________ What are you feeling

(de novo Stephen Hawking na canção)
"It doesn't have to be like this
All we need to do is make sure we keep talking
"

Why won't you talk to me _________I feel like I'm drowning
You never talk to me ____________You know I can't breathe now
What are you thinking ___________We're going nowhere
What are you feeling ____________We're going nowhere

Why won't you talk to me
You never talk to me
What are you thinking
Where do we go from here


(e por fim Stephen Hawking a acabar a canção)
"It doesn't have to be like this
All we need to do is make sure we keep talking
"


Deixo-vos ainda com o video para apreciarem este tema, captado ao vivo do live álbum "Pulse" (1995), que não é o melhor exemplo quando comparado com a versão original (que é mais deliciosa e melhor executada)

Keep talking - Pink Floyd (Pulse 1995)
(Foi magnifico em 1994, ver todo este aspecto visual e sonoro desta banda ao vivo em Alvalade. Luzes, lasers, sons, o palco, as imagens projectadas, as cores, o ambiente carregado de fãs... tudo foi memorável e inesquecível!)



O quanto estas palavras e letras da canção, significam na realidade dos dias de hoje.
Falamos já pouco cara-a-cara uns com os outros porque existe muita tecnologia pelo meio, inclusive as que possibilitam a conversa indirecta.
Telefones móveis, SMS, chat, twitter, redes sociais, etc... desencaminham a humanidade se apenas se comunicar por eles e não cara-a-cara.

Por Hawking tanto desejar falar sem poder, pode parecer irónica a participação deste teórico no álbum "The Divison Bell" (1994) e inclusive o título da canção. A verdade, é que os Pink Floyd o incluiram nos agradecimentos no inlay do álbum (para não passar despercebido, é o último nome mencionado no "Thanks to").

Ouçam esta canção. Não deixem de falar...


sábado, 21 de julho de 2012

MyJukebox: Roger Waters - Amused To Death [1991]

Roger Waters
"Amused To Death"
1992


"Amused to Death era o terceiro album de estúdio da carreira a solo de Roger Waters. Album ignorado pela crítica, e esquecido pelo público, visão pessimista sobre o comportamento humano, a alienação, a rotina massacrante e a brutalização do homem provocada pelas doses de violência que lhe são despejadas incessantemente na TV. Essa era a temática abordada pelo ex-Pink Floyd neste disco, lançado em 1992. Jeff Beck e Don Henley têm participações especiais no disco. Entretanto já passaram 20 anos, e Amused to Death é hoje considerado um dos melhores álbuns conceptuais de sempre."
via Francisco Rocha em Two On The Road

"What God Wants, part 1"

Comecemos pelo principio, de todos os álbuns do Roger Waters a solo, este é um álbum que gosto bastante e é o que mais prazer me dá ouvir. É um bom álbum conceptual, não diria dos melhores álbuns conceptuais de sempre (ele enquanto nos Pink Floyd fez melhores e superiores a este) mas que é um álbum encantador lá isso é... é inegável.

As diversas "What God Wants", as duas partes de "Late Home Tonight", ambas as "Perfect Sense" (que funcionam como uma só, apesar de divididas em duas), a maravilhosa "Too Much Rope" e por fim as duas

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

MyJukebox: Roger Waters - Music From The Body (OST)

Desta vez, recupero de Roger Waters um dos seus registos mais deixados para o esquecimento.
Na verdade, nem é bem um álbum de Roger Waters mas sim uma colaboração dele com Ron Geesin para o documentário "The Body" (que até foi narrado pela actriz Vanessa Redgrave).

Refiro-me ao álbum Music From "The Body", 1970, de Ron Geesin & Roger Waters.


O álbum não é nada de verdadeiramente especial mas não deixa de ser um objecto de interesse. É mais de Ron Geesin que de Waters, pois ele apenas participa em pouco mais de meia dúzia das 22 faixas, que são baseadas no conceito de amostras de som do corpo humano (samples), tudo numa toada inconvencional e muito experimental.


A participação de Waters é muito evidente nas poucas faixas em que canta principalmente, pois quebra o experimentalismo sonoro de Geesin e brinda-nos com momentos mais bucólicos e pastorais. Ao mesmo estilo que havia revelado no "Ummagumma" (1969) dos Pink Floyd...


Waters criativamente deambula nas suas faixas por uma mesma ideia de canção, que as torna muito coesas, como se até de uma longa canção se tratasse mas dividida por andamentos diferentes. Percebe-se bem escutando as "Sea Shell And Stone", "Chain Of Life", "Breathe" e "Sea Shell and Soft Stone".



Há ainda contudo, neste álbum algumas evidências do rumo que Waters já estaria a abraçar criativamente. Um ponto de ligação, que não é à toa é o facto de Ron Geesin ter participado com as suas orquestrações em "Atom Heart Mother", álbum dos Pink Floyd do mesmo ano (1970).
Depois há detalhes que me evocam o "The Dark Side Of The Moon" (1973), pois uma das faixas partilha do mesmo título, a "Breathe" (onde Waters começa da mesma forma cantando "Breathe, breathe in the air...") e o muito curioso uso de coros femininos em "Give Birth To a Smile", ideia que mais tarde foi recuperada em álbuns dos Pink Floyd.

A maior pérola deste álbum/banda-sonora, é até a canção "Give Birth To a Smile", porque além de ter sido escrita por Roger Waters, contém a participação dos outros 3 membros dos Pink Floyd. Sim, é verdade!
Contudo, eles surgem aqui não creditados e como meros músicos de sessão, como que a cumprirem algo que lhes foi pedido e a tentarem disfarçar a sua maneira de tocar. Mas com uma escuta bem atenta, percebe-se bem que é a bateria de Nick Mason, as pontuações das teclas de Rick Wright e a guitarra de David Gilmour (que mais uma vez toca as notas certas para os momentos certos - o estilo Gilmour). Depois tem ainda os referidos coros...


"Give Birth To a Smile" bem que poderia ser considerada uma pura canção Pink Floyd em regime pop-rock (desviada do psicadelismo que practicavam na mesma época).
É uma pérola oculta dos Pink Floyd!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

MyJukebox: Pink Floyd - The Final Cut Video EP (1983)

Pink Floyd
"The Final Cut Video EP"
(1983)



Não, não tenho esta edição em video. Apenas tenho o álbum "The Final Cut" em CD, que foi o segundo álbum de estúdio que devorei com fervor pois adorava-o de uma ponta á outra (o primeiro inteiro que descobri foi o "The Dark Side Of The Moon" - o The Wall já conhecia bastante coisa na altura mas não o tinha inteiro). Quando tinha uns 20 anitos, certa vez deparei-me numa loja com a edição VHS. Custava uns 6 contos, por ser importado, e na altura fiquei um pouco indignado pelo preço que custava. 6 contos seriam hoje 30 euros. Andei anos sem nunca ter visto estes cerca de 20 minutos para 4 faixas do álbum, tornadas aqui numa curta-metragem (no fundo são 4 videos sem interrupções).
Descobri finalmente com o advento da internet, há uns anitos atrás e lembrei-me que merecia ser recuperado.



Diz assim na Wikipedia:
"Pink Floyd realizou um Video EP de 19 minutos em 1983 para o álbum The Final Cut, que é apenas quatro video-clipes em sequência continua, dirigido por Willie Christie, que era cunhado de Roger Waters.
O ator Alex McAvoy, que interpretou o professor em "Pink Floyd The Wall" tem um papel no video EP.
Waters aparece, como um paciente, cantando a letra para o psicólogo durante Fletcher Memorial Home."

Vale a pena ver. Mal termine o primeiro video é fazer play no outro.
Pronto... isto valia 6 contos. Vá... ide lá ouvir o álbum na integra, que é um álbum de semi-Pink Floyd bastante diferente dos outros e é uma espécie de continuação/prequela a "The Wall".
Curiosamente, este álbum tem uma das minhas canções preferidas da banda... mesmo só tendo dois membros creditados na faixa (vá lá... qualquer bom fã da banda sabe qual será essa faixa).
Enjoy it!


The Gunner's Dream / The Final Cut


Not Now John / The Fletcher Memorial Home

sexta-feira, 12 de março de 2010

Pink Floyd em guerra com a EMI devido a vendas digitais


Conforme nos informa o Blitz: "Os Pink Floyd deram início a um processo legal contra a EMI, editora da banda, devido a problemas relacionados com pagamentos de royalties. A banda quer clarificar a forma como o cálculo do dinheiro é feito e assegura que o seu contrato não permite a venda de canções isoladas, coisa que acontece online, mas apenas de álbuns completos.


O advogado do grupo britânico disse em tribunal que os Pink Floyd querem "saber em que pé estão em termos contratuais" e questionou a editora quanto à legalidade de "vender canções individualmente ou de outra forma qualquer que não a configuração original dos álbuns", coisa que disse ser "expressamente proibida".


"Ambas as partes foram confrontadas com todo um novo mundo de potencial exploração" desde que os Pink Floyd assinaram o último contrato, em 1999, disse o advogado. A editora terá dito que o contrato apenas se aplica aos produtos físicos e não aos produtos digitais, coisa que o advogado diz não fazer "qualquer sentido em termos comerciais".


O catálogo dos Pink Floyd é o segundo mais rentável da editora, ficando apenas atrás dos Beatles - Dark Side of the Moon , um dos álbuns míticos da banda, é um dos discos mais vendidos de sempre."

Com esta reviravolta da banda, actualmente com apenas dois membros oficiais David Gilmour e Nick Mason, que ao estarem contra as vendas de faixas separadas dos seus álbuns, não tardará muito a deixarmos de as ter disponíveis de forma solta dos discos nas lojas online, muito precisamente em lojas como a iTunes Store.

A verdade é que também, os álbuns da banda nunca foram muito indicados a funcionarem por faixas soltas, pois a grande maioria foi idealizado como álbuns conceptuais onde todas as faixas funcionam em função das outras.
Têm a razão deles, ao pretenderem ver á venda nas lojas digitais a única opção de vender o álbum inteiro... mas também será uma decisão que poderá ter o seu revés comercial. Esperam-se novas movimentações de ambas as partes para ver no que vai dar.

domingo, 7 de março de 2010

Música da Semana: The Dark Side Of The Moon... versão The Flaming Lips

Em 1973 os Pink Floyd lançaram um álbum conceptual que é visto globalmente como a grande obra-prima da banda. Refiro-me ao "The Dark Side Of The Moon".

Sendo este um dos discos mais vendidos da história da música, obviamente que o surgimento de covers das suas canções não é nada de espantar. Agora o menos imaginável é assinar-se uma cover do álbum inteiro. E foi isso que os corajosos The Flaming Lips, fizeram e lançaram em 2009 uma nova interpretação de The Dark Side Of The Moon.


Na realidade, eles não estão nesta aventura sozinhos pois a assinatura do álbum é "The Flaming Lips & Stardeath and White Dwarfs", e durante quase todo o álbum as vozes são de Henry Rollins e da Peaches.
Portanto, muita gente de categoria a tentar refazer tão célebre disco dos Pink Floyd e sinceramente o resultado final é... mesmo bom!

Os Pink Floyd começaram a carreira como uma banda de rock psicadélico mas quando fizeram o TDSOTM, o psicadelismo já haviam se diluido no rock progressivo e espacial da banda. Ora os The Flaming Lips são uma banda também ela (neo)psicadélica e ainda bem que esta tarefa foi por eles tratada, pois poucas poderiam apreender o todo desta disco de 73, que na verdade, após o conhecermos cada vez melhor ele se revela bastante mais complexo do que parece.

A versão 2009 que nos propõem os The Flaming Lips, consegue um primeiro grande feito que é conseguir manter a integridade de todo o conceito da obra mas isso não significou para eles reproduzir tudo de forma exacta. E ainda bem.

Se o original é rock progressivo, este apresenta-se não só progressivo mas ainda muito mais psicadélico. E sinceramente, ficou mesmo muito bom. Tão bom que não chega escutá-lo uma só vez, de cada vez que se o ouve. E este álbum pede igualmente para ser escutado de seguida como um todo, como se todo ele fosse uma única e só faixa (exactamente tal como o original nos exigia).
Esta nova interpretação é estruturalmente idêntica ao original mas todas as faixas foram reconstruídas e reinterpretadas sonoramente, há imensas modificações mas o trato dado por mais diferente que possa parecer produz um resultado contemporaneo do original... igual sem sequer o ser.
É como observar a capa desta versão de 2009 e só por ela reconhecermos de onde ele vem só pelos raios...

Por falar na capa, a inicio parecia-me a parte mais fraca do todo mas depois de bem escutado até se entende a opção. A capa remete para o que se apreende duma aprendizagem, como se existisse aqui literalmente um mestre e um aprendiz. O resto já sabemos que o aprendiz terá de saber lidar um dia com a "bagagem" que o mestre lhe deixou. na foto da capa, ambos têm a mão no instrumento musical, que é um baixo... precisamente o instrumento que tocava o idealista de todo o conceito do álbum: Roger Waters.

No fim, o que notei é que nos devolve a mesma sensação que provavelmente todos nós sentimos quando apreciamos o original dos Pink Floyd pela primeira vez. Continua presente a mesma atmosfera, todo o desenvolvimento intrigante desta viagem conceptual sobre a vida moderna e consegue o mesmo efeito de terminar em apoteose.


Por fim, há nele um segundo resultado inesperado: isto pede mesmo que se escute novamente o original todinho só para confrontar o valor de cada um, na actualidade.
É que depois de ouvido o dos The Flaming Lips, a versão original dos Pink Floyd vai parecer... não algo com quase 40 anos mas sim um disco novo!

Fica aqui um pequeno "cheirinho" do inicio do álbum:
"Breathe" - The Flaming Lips & Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches doing The dark side of the moon. (2009)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Pink Floyd lançam edição especial comemorativa dos 40 anos "The Pipper At The Gates of Down"

Os Pink Floyd relançam o seu primeiro álbum em edição especial comemorativa do seu 40ª aniversário.
"The Pipper At The Gates of Down" saiu para as lojas numa luxuosa edição especial com 3 discos.

Os dois primeiros discos contém o álbum na íntegra, em versão mono e versão strereo.
No terceiro disco de extras, vão figurar os singles do ano 1967, "Arnold layne", "See Emily play" e "Apples and oranges", e versões alternativas de "Interstellar overdrive" e "Mathilda Mother".
Esta edição vem também acompanhada com 12 páginas do diário de anotações de Syd Barrett.

"The Pipper At The Gates of Down" é considerado pela crítica como o melhor disco de sempre do psicadelismo. Um álbum que nasceu da mente criativa e fervilhante de Syd Barret.

Um facto curioso é que nos mesmos dias em que os Pink Floyd gravavam o seu primeiro disco, nos estúdios Abbey Road, encontravam-se na sala ao lado também em gravações os Beatles a gravar o famoso "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band".

Saiba mais no site dos Pink Floyd


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Pink Floyd "The Wall - Movie"... admirado por Christopher Nolan (e apresentado por ele no "2010 Los Angeles Film Festival")

Ora aí está algo surpreendente: Christopher Nolan esteve em Los Angeles para apresentar no "2010 Los Angeles Film Festival" o filme dos Pink Floyd, o "The Wall - movie".

O que o levaria a Nolan para apresentar este filme no festival?



Bem, segundo o Collider, a presença de Nolan foi para ele apresentar os filmes que mais o marcaram e fascinaram e o filme dos Pink Floyd é um deles.
Nolan diz que não se vê como um fã dos Pink Floyd mas fascina-o a forma invulgar que este filme apresenta perante a maneira de contar a história (a cronologia da narrativa).


Sim, no caso da narrativa, o filme conta a história de uma maneira que avança e recua várias vezes, continuando a progredir sem realmente nos revelar definidamente o ponto em que se situa durante largas partes do filme (excepto a recta final) e devido á alienação da personagem, o surrealismo e as memórias fundem-se. Pensando bem, não é de admirar realmente que Nolan tenha ficado marcado por este filmaço (é redundante um fã dizer que o filme é muito bom... mas é mesmo muito bom e marcante).

Tudo isto e bastantes mais informações interessantes na entrevista do Collider.

Podem também aproveitar para reverem um artigo dedicado ao "The Wall" aqui no blog, clicando aqui.

terça-feira, 24 de março de 2009

Mário Gamito, até sempre!

Uma notícia bem triste:
Mário Gamito já não se encontra entre nós, desde ontem.
Decidiu deixar-nos. RIP.

Este geek old-school, entre muitos méritos foi o fundador do portal-agregador Planet Geek e tinha ainda um blog, o Apeadeiro onde dissertava sobre Linux e tecnologias, mas também sobre os seus gostos, a música (Pink Floyd e a sua categoria a tocar guitarra), o futebol do seu Sporting e onde demonstrava o seu orgulho pelo seu filho (agora com 10 anos)...
Lá se foram as minhas saudáveis "trocas de comentários" sobre os seus posts de Pink Floyd... ou até mesmo quando o Sporting perdia com o meu Porto também.


Mário Gamito, até sempre!



Por fim, dedico-lhe uma canção em guitarra acústica (como ele apreciava), interpretada por quem ele também muito idolatrava (David Gilmour junto de Rick Wright, dois membros dos Pink Floyd... o último também já falecido há alguns meses). Apesar de ele ser mais apreciador da era Roger Waters...

Este tema é ainda mais intrincado na sua origem pois é da carreira a solo de Syd Barret, um membro fundador dos Pink Floyd (também já falecido), que só permaneceu na banda até ao segundo álbum. Alguém que desde bem cedo acabou na solidão e que mais tarde veria os outros membros dedicarem-lhe o álbum "Wish You Were Here". Ele, Mário Gamito, teria compreendido isto imediatamente...

E adequadamente canta-se sobre os dominós que todos somos.
Também caímos... sozinhos ou rodeados... mas caímos na mesma.

"Dominoes" David Gilmour (ao vivo com Richard Wright)