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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Batman "The Dark Knight", a review -parte 1

A esta altura já imensa gente viu, finalmente o novo filme do Batman "The Dark Knight - O Cavaleiro Negro". Eu vi-o no Sábado seguinte à estreia... e adorei imenso! Saí da sala até sem fala... pois mais uma vez vi o cinema a ser arte.

Este filme tem de ser apreciado por ele mesmo e não porque um tal actor do elenco faleceu antes do filme estrear. Acrescento ainda que este filme conta uma história humana com negros contornos trágicos até, apesar de se tratar aqui de super-heróis oriundos da BD, pode-se ver neste filme como algo mais que isso. Aqui se conta a história de pessoas que têm a sua própria missão ou motivação, acabando nalgumas das personagens tragicamente em obsessões.

Mas como falar deste filme sem excluir a carga histórica que ele arrasta?
Bem é necessário ir ao inicio (e com isso alongar-me como sempre no discurso/artigo)...


Breve contextualização

Em 2005, o realizador Christopher Nolan surpreendeu todos com o seu "Batman Begins - O Inicio". A personagem da BD em cinema tinha sido arrastado para a decadência com os dois filmes de Joel Schumacher (saiba mais aqui). No entanto, Nolan injectou uma nova vida ao super-herói Batman. Em "Batman Begins", o franchise é recomeçado e como tal nada melhor do que iniciar pela origem da personagem só que desta vez o tom e a abordagem procuravam realismo.


Afinal, Batman é um super-herói que não tem super-poderes, não pode cometer proezas não-humanas como o Super-Homem, não foi picado por aranhas radioactivas como o Homem -Aranha, não foi exposto por radiações como o Hulk ou o Quarteto Fantástico, não nasceu mutante como os X-Men. Batman é simplesmente um a pessoa comum que decidiu com a ajuda de muitos gadgets e o aspecto tenebroso dos morcegos, perseguir os ditos maus e assim ajudar a sociedade a livrar-se do crime.

Pois bem, o realizador Nolan, estudou o manancial de aventuras BD que ao longo de décadas fizeram as delícias de muita gente (como eu por exemplo) e tentou devolver-nos uma parte do Batman tal como Bob Kane (desenhador) e Bill Krane (argumentista) criaram em 1939: uma espécie de detective obcecado em combater o mal como resposta ao assasinato dos seus pais que presenciou em criança. Bruce Wayne, orfão, cresceria traumatizado. Apesar de extremamente rico (herdeiro de uma grande fortuna), cresceu sem ter uma família, ninguém excepto o mordomo da mansão dos pais. Alfred, o solitário mordomo, assumiu-se como responsável do menino Bruce, que educou e seguiu fielmente como um tributo aos seus patrões que o acolheram. Um dia e já adulto, Bruce Wayne assolado pela inquietude de querer fazer alguma coisa para vingar os pais, que por via da justiça o criminoso sai impune, decide que deve atacar não um mas todos os criminosos. Para isso teria de ser alguém diferente mas ameaçador e assim tornou-se Batman.

"Criminals are a superstitious, cowardly lot.
So my disguise must be able to strike terror into their hearts.
I must be a creature of the night.
"
- Bruce Wayne, AKA Batman, Detective Comics #33 - Novembro de 1939



O cinema já viu esta personagem várias vezes e normalmente abordou-a de diversas formas.
Desde que surgiu Batman na BD, este tem sido interpretado ao longo dos tempos (e das evoluções sociais) das mais diversas formas, facto que por ser um herói muito diferente dos outros permitiu que ao longo de todo este tempo fossem surgindo adaptações muito especiais e que transportaram a personagem para novos níveis e narrativas. Batman inspirara bastante os diversos criativos pois permitia ser reinterpretado desde um estilo muito super-herói até às histórias mais tenebrosas e macabras a roçar o terror.

No cinema passar-se ia o mesmo pois se nos anos 60, a série de TV e o filme que se lhe sucedeu, apresentaram Batman num estilo de caricatura cómica. Só em 1989 e com o realizador Tim Burton é que seria abordado de forma mais negra (com ambientes mais góticos mas ainda fantasiosos) com o filme "Batman", que anos mais tarde nos brindaria definitivamente com uma ainda melhor adaptação com a sequela "Batman Returns" (1992)... e nada mais seria o mesmo!
Ao segundo filme, Tim Burton, deu-nos um filme pujante visualmente, onde adensou ainda mais os tons negros e trágicos que cada personagem carrega (especialmente os vilões), permitindo-nos inclusive obter leituras adultas e sérias num filme de super-heróis, deixando assim um standard de como se deve passar a fazer.
A Warner Bros, não apreciou o rumo negro que Tim Burton estava a dar a Batman e decidiu mudar de ares e estilo, despedindo o realizador e contratando Joel Schumacher para fazer as sequelas mais coloridas e com temáticas mais alegres... provou-se um erro tão fatal que a personagem passou anos de amargura. Até a aparecer Nolan...


Batman Begins - O inicio

O filme "Batman Begins" adapta e evoca a origem de Batman (e não só) e adiciona-lhe como inspiração várias partes das interpretações mais negras da personagem. Batman é uma espécie de vigilante da noite numa cidade dominada pelo crime, corrupção e com falta de esperança na justiça. Isto remete imediatamente para a graphic novel de Frank Miller na década de 80, intitulada "Batman Year One - Ano Um" (1987), onde a abordagem é agora mais intensa e realista.

Frank Miller já havia abordado antes do "Ano Um" a personagem Batman, com a edição de "The Dark Knight Returns" onde nos deu um Batman mas velho (55 anos) e à procura de um segundo Robin, depois da morte do primeiro. A saga terminaria com uma luta com o Super-homem. Foi um imenso sucesso e ainda hoje, segundo afirma a DC ainda são impressas as BD's que ele fez para esta personagem, que são já BDs best-seller de sempre. Mas seria em "Ano um" que Miller abordaria as origens da personagem, numa espécie de prequela da "Returns". A abordagem teve tanto impacto que acabou por deixar marcas...  

Na graphic novel, existe mais humanização da personagem e é daqui que ressalvo um diferente comissário James Gordon, que chega de Chicago para Gotham City e vê a justiça não ser respeitada pelo lado da lei, tenta assim lutar contra o crime mas em vão pois vive rodeado de corrupção e os valores morais em baixo (inclusive dentro da própria Policia). Na abordagem de Frank Miller, o Tenente James Gordon não é mais aquele incompetente policia como toda a vida foi retratado nas histórias BD anteriores e nas serés de TV e animações. Jim Gordon, ganha profundidade e importância ao nível que Batman tem, e enceta a sua luta, sujando as mãos nela em cenas de acção e tudo.

Gordon, chega a pontos de já não ter esperança no sistema e também não tem aliados na sua obsessão de fazer respeitar a lei. Para Gordon, Batman é mais um que ele deve perseguir para manter a ordem até começar a notar nele semelhanças nos objectivos. 

Os dilemas do tenente James Gordon, na BD de Frank Miller
em "Batman Ano Um" - Vol. 3 -  Pág. 22 (clique para ampliar e ler)

Gordon apreciará Batman, não só porque este lhe salva o filho da morte certa ás mãos de um bandido mas também por este representar algo de nobre, apesar dos seus métodos à margem da lei e pouco ortodoxos. Acabam tornando-se aliados pela mesma motivação, ganhando confiança inabalável um no outro...  mas secretamente.
Batman e Gordon são assim duas faces na cidade, que se erguem no mesmo combate à criminalidade num relacionamento de cumplicidade profunda mas à margem da lei.
(Vejam as páginas desta BD pelo site da Amazon - clique aqui)

"Batman Begins" usa essa mesma matéria e adiciona-lhe ainda mais algumas coisas, como o motivo amoroso, e tudo isso ancorado numa linguagem cinematográfica de lógica e paralelismos com a realidade. 

Perante a BD, o filme é muito credível e inteligente, sem exageros tipicos nestes filmes como o uso do CGI, não o transformando nas fantochadas habituais feitas no género de super-heróis com hiper-situações só possíveis pelos efeitos especias.

O filme foi um excelente blockbuster em 2005, com uma argumento longo, inteligente, lógico, repleto de acção e com novidades muito interessantes ao nível dos gadgets da personagem (o Batmóvel desta vez surge como Tumbler, uma espécie de tanque militar repleto de artificios mas sempre espectacular e coerente com as linhas mestras do filme).
O elenco do filme também não foi desprezado e contou com Christian Bale (no papel de Bruce Wayne/Batman), Michael Caine, Gary Oldman, Liam Neeson, Cillian Murphy, Katie Holmes, Morgan Freeman e ainda o Tom Wilkinson, entre outros.

Nolan teve ainda o cuidado de nos mostrar o herói em cenas, situações e poses de pura antologia BD. As cenas dele vigilante no topo dos edificios como um gárgula, a forma de aparecer e desaparecer pelas trevas da noite, a sua capa estendida como um morcego nas cenas de voo planante.
Por fim, devo referir a mais deliciosa de todas que é quando Batman está a ivestigar à chuva pendurado num cano da parede dum edificio... parece que estava a ver os traços estilizados de Frank Miller. Para os amantes de BD e desta personagem, até comove ver finalmente poses destas serem lembradas. Um outro detalhe é o simbolo do morcego no peito de Batman ao estilo da criação original de 1939, que nessa altura não tinha a oval amarela (que foi introduzida mais tarde para o tornar mais identificável e cool).


"Begins" resultou muito bem e posiciona Batman num novo patamar de abordagem BD (um combo das melhores abordagens da personagem) e com novos dilemas muito reais: quando alguém com tanta "teatralidade" na forma como se apresenta, acabará por ser ele o próprio inspirador de uma nova era de criminosos, desencadeando a tal "escalada" que no fim do filme o (ainda) tenente Gordon refere a Batman.
A ideia que daqui resulta é que a situação criminosa existente em Gotham City, tem de se adaptar e tentar ultrapassar o que lhe faz frente... e quem faz frente ao crime é Batman principalmente.

É nesse momento final do filme, que Gordon dá também uma carta (dos baralhos) de alguém a apelidar-se como o Joker e usando os mesmos artifícios de Batman, deixando o mote para um novo filme.

Fazendo uma analogia com a informática, o mal parece então estar a surgir numa versão 2.0 e os pressupostos nobres de Batman e tudo aquilo que representa, são postos em questão apartir daí.

É com esta premissa e panorama que nos é chegado o filme "The Dark Knight"... e será apartir desta contextualização (ou tentativa de) que regressarei num próximo artigo para falar do recente magnífico filme.



Clique aqui e siga para a parte 2, a conclusão deste artigo.

Imagens do filme "Batman Begins" via Rotten Tomatoes.
Pode saber mais detalhes sobre Batman pela Wikipedia, de onde também usei as covers da BD clássica e também pela respectiva página da wiki de "Batman Year One - Ano Um".


Saiba mais sobre filme pelos vários artigos já publicados aqui no blogue. Clique aqui!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Batman "The Dark Knight", a review -parte 2

Recomendo começarem por apreciarem a introdução pela parte 1 desta review...

Batman "Gotham Knight", a animação

Entre "Batman Begins" e o "The Dark Knight", há uma clara diferença entre o estatuto de Batman perante a criminalidade na cidade Gotham City. Se no filme de 2005, ele ainda estava a começar as suas actividades, no filme de 2008 há a percepção que os criminosos e a Máfia têm medo de fazer o que quer que seja, principalmente à noite.
Batman, nesta altura é bastante temido mas não nos é dado a saber como foi que o conseguiu. 

Como já havia aqui referido (vejam aqui), os produtores de ambos os filmes decidiram lançar em animação o que se passou nesse periodo, com a edição de "Batman Gotham Knight" (cliquem e saibam mais pelo site), passamos a ter conhecimento de algumas aventuras de Batman.

Com esta edição espalham ainda algumas pistas que nos preparam para o novo filme, mesmo que subtis e de forma a que mesmo não sendo visto este material, a narrativa do filme não sofra com isso.

Factos a assinalar da animação:
- Batman é visto pelas pessoas (e crianças) e percebemos que já tem um certo culto e estatuto para o povo;
- é nos mostrado um capítulo de Bruce Wayne onde este aprende a ignorar e a desvalorizar a dor, ferimentos, etc;
- ficamos a saber que Bruce Wayne tem um satélite secreto (mas não mostra para quê);
- Batman tem vários combates ao crime, inclusive insurge-se contra a Máfia;
- Batman salva e resgata uma agente, da equipa policial especial ainda em recrutamento pelo Tenente Jim Gordon, de um criminoso chamado Maroni. Esta agente acabará por ter um papel nas acções do filme "TDK" (iniciais do novo filme);



A animação não é tão relevante como aconteceu no Animatrix (que situava da mesma forma os acontecimentos entre "Matrix" e "Matrix Reloaded", e desencadeava até situações do inicio do Reloaded) mas cumpre bem o papel de anteceder o filme "The Dark Knight".
Ressalvo que a animação tenta mostrar a cidade Gotham City e sem muito sucesso, tenta fazer da cidade uma personagem virtual do mundo Batman. Instala o tom mas é só nos dois filmes que Gotham City realmente se demarca com um papel fundamental.


Batman "The Dark Knight", o filme


O que se passa nesta cidade?


O filme arranca com um roubo a um banco. Os assaltantes envergam máscaras de palhaço e no decorrer do plano percebemos que há algo ardilosamente planeado no assalto pois de um grupo apenas só um escapa ileso ao assalto. O assalto decorre durante o dia... porque estamos numa cidade onde a noite é temida e vigiada.
A noite da cidade é assombrada por um holofote apontado para os céus, com um símbolo de morcego. Os criminosos temem-no, por ele indicar a omnipresença do justiceiro nocturno e que poderá surgir em qualquer lado: o justiceiro nocturno é Batman.

Em "The Dark Knight", Batman simboliza já o terror para o mundo do crime, com efeitos positivos para a cidade e de efeitos drásticos na redução do crime e na cauda desses efeitos, as operações da policia surtem resultados visiveis no cumprimento da lei e da justiça. Batman é uma pedra no sapato da Máfia, que não consegue fazer negócios e obter lucros, que passam inclusive a ter receio de guardarem o seu próprio dinheiro sujo, necessitando mesmo da ajuda de terceiros para o terem em terreno mais seguro.

Ao mesmo tempo, uma nova força de justiça, faz à luz do dia grandes detenções dos mais importantes criminosos. O novo promotor-geral Harvey Dent, é também alguém que se junta á missão de, usando a policia e os tribunais, levar a justiça a Gotham City. Fá-lo com plenos poderes e com a chancela do presidente da cidade, passando ele a comandar todas as operações deixando pouco espaço para Gordon. Harvey Dent, que entre amigos de academia é apelidado de "Duas caras", passa a representar a nova e verdadeira esperança para a cidade reprimida mas ainda tensa. Ele, devido á sua coragem e honestidade é aplaudido por ser um exemplo vigoroso e reúne o consenso geral por ser apreciado por todos, incluindo Batman que lhe segue os passos.


Batman sente-se desanimado porque o promotor-geral Dent consegue, sem usar máscaras e sem se esconder do mundo, fazer uso da justiça pelas leis e obter os mesmos resultados que Batman.
Bruce Wayne, o alter-ego de Batman, questiona-se perante os seus próprios métodos e actos como Batman, pois tem provocado mais estragos na sociedade do que resolver de vez os problemas, que vão surgindo ainda mais e piores.

Bruce Wayne é agora uma pessoa amargurada e com falta de esperança para si mesmo pois tem a noção de que os seus actos de vigilante fora-da-lei um dia serão postos em causa, especialmente pelo rumo dos acontecimentos iniciados pelo novo promotor-geral infléxivel no fazer cumprir a lei, quer seja nas ruas quer seja nos tribunais.
Para agravar sente ainda a dor amorosa que é ver a sua amada manter um relacionamento com Harvey Dent, ainda para mais abertamente aos olhos de todos (até passa na TV) e sem segredos. Bruce Wayne tinha como esperança ver o crime acabar e a partir daí acabar com o seu alter-ego e ter finalmente a paz junto de Rachel mas... esta também já não lhe pertence e está feliz com outro.
Bruce Wayne, passa a sentir a falência moral do mosntro que criou, restando-lhe ser alguém que passa as noites a combater o crime e que de dia tenta recuperar dos ferimentos dos seus confrontos ou então pela via de terminar com as suas actividades secretas.


Entretanto, podemo-nos aperceber de nuances morais nas várias personagens...

O tenente James Gordon, faz cumprir a lei mas para isso criou á margem da mesma lei, uma força policial privada que só responde a ele. Gordon mostra a espaços um lado insubordinado para com todos os superiores, sendo inclusive questionadas as suas atitudes perante os seus pares. Uma das razões é também a aparente aliança dele com Batman, que transmite a ideia que a policia está aliada a um fora-da-lei, alguém que ignora as leis e faz a justiça pelas próprias mãos e que vai tendo acesso privilegiado aos locais de crime, investigações, informações, etc.

Harvey Dent, pretende também apanhar Batman e fazer-se cumprir a lei. Mas perante uma determinada situação (e região) onde não tem poderes e jurisdição, vê-se forçado a aceitar a ajuda de Batman, que não tem restrições. Harvey aceita também uma festa organizada por Bruce Wayne, para obter prestigio dos poderosos politicos da cidade e assim poder ter ambições de um cargo ainda melhor na justiça e ganhar ainda mais poderes na lei. Dent inicia-se na deturpação dos seus métodos para atingir os fins que pretende.

Rachel, sabe quem é Batman e com isso sente-se incomodada pelas razões ou possíveis segundas intenções de Bruce Wayne ao convidar Harvey Dent para a festa. E a sua relação com Dent esconde ainda outras razões.

Alfred, o mordomo de Bruce Wayne, presta-lhe muitas conversas cheias de morais (sobre ser um vigilante) mas surge o momento que deveria dizer a Bruce o oposto e diz algo como "Desta vez não lhe direi nada, menino Bruce" como um designio para ter Batman de novo. Alfred, faz escolhas sobre o que deve ou não informar Bruce...


A ameaça terrorista


Tal como os criadores justificaram em 1939 (ver na parte 1 desta review), ao afirmarem que quando lhes é metido medo nos seus corações, os criminosos tornam-se cobardes e supersticiosos. Neste novo filme essa verdade surge novamente e revela-se inquietante no seio do mundo do crime... até aparecer uma nova mente criminosa: Joker!
Joker faz desses pensamentos a sua apresentação ao mundo do crime, surgindo subitamente em plena reunião de mafiosos, desafiando-os a deixarem de serem os cobardes que são e incitando-os a aceitar a sua mensagem (à força) que o problema deles não está em saber como ludibriar as autoridades mas sim em acabar definitivamente com o Batman, o verdadeiro problema a irradicar.
É apartir daqui, que ninguém mais terá descanço.

Joker, destila loucura e lucidez aguda em simultãneo, instaura a anarquia e o caos na cidade com se estivesse a praticar um simples jogo. Joker, não promete. Este Joker faz e antes do que se propõe fazer.
Joker é uma força do mal incógnita, um psicopata de humor negro que não tem pretensões de dinheiro ou os comuns objectivos de lucrar com o crime. Joker é uma ameaça real e desencadeará um novo pavor nas pessoas e por toda a cidade, ao perceberem que quando Joker aparece, fala ou avisa, o mal já está feito e não há retorno, não pode ser evitado.
Terror puro e incomodante.

Joker faz-nos de novo temer muito mais uma simples faca que as balas de uma arma, tal como um cão raivoso quando desafiado. 
Joker empreende acções fatais para fazer com que Batman apareça, e fá-lo dando a conhecer a toda a gente as suas intenções imediatas de o apanhar. Acontece é que se Batman não lhe aparecer, vai morrendo gente... e morrem mesmo... e perante todos assustadoramente.


Esta ameaça aterrorizante faz com que todas as forças do bem (Gordon, Dent e Batman) tenham de empreender numa jornada para apanhar e impedir Joker, acções que se vão mostrar serem horrivelmente trágicas para todas as personagens ao constatarem que Joker é o mal puro.
Joker consegue como consequências fatais das suas acções, fazer com que Batman e Harvey Dentpercam os seus limites morais e se revelem como nunca os tínhamos visto: vingança, ódio e violentos.

Harvey "Duas Faces" Dent, ao perder-se da realidade... perde-se como pessoa. Batman, não se perde porque como Bruce Wayne tem várias ancoras que o impedem, que o chamam à razão e o fazem manter valores. Rachel é uma delas mas as mais importantes são os papeis que desenvolvem o mordomo Alfred e o agora vice-presidente das empresas Wayne, Luscious Fox.



Ambos vão lançando conceitos morais às atitudes, vontades e ideas de Bruce. Fazem com que ele tenha sempre alicerces sólidos no bem, respeitando assim todos os valores dos pais de Bruce, tanto familiares como empresariais. Ambos ao mesmo tempo, juntando ainda o Comissário Gordon, provam ser os melhores aliados de Batman e a razão de manter a sua luta.


Joker no cinema e performance dos actores


Heath Ledger, já falecido, encarnou Joker de uma forma visceral e deu-nos uma abordagem da personagem memorável. Toda a sua performance durante o filme é algo pouco visto em cinema, que só está ao alcance de grandes actores. São actuações assim que merecem Óscares apesar de a Academia não ver nos filmes com origens na BD como dignos de tão alta distinção. Talvez desta vez tenham de fazer uma excepção a essa regra...

Heath Ledger, oferece-nos uma performance que rouba aos outros actores todas as cenas em que aparece. É carismático e abundante em trejeitos vocais e corporais. A forma como fala, mastiga as palavras, os olhares ora penetrantes ora friamente enternecedores, a forma como movimenta os olhos para o vazio, como anda por vezes curvado outras vezes inclinado, as suas expressões... tudo nos proporciona com uma actuação irrepreensível, demoníaca, perturbante mas que nos leva a acreditar no Joker intensamente. Fez-me recordar a intensidade de Anthony Hopkins quando vi pela primeira vez no "Silence of the lambs" a interpretar o memorável papel de Hannibal Lecter.


O Joker de Heath Ledger é muito bom para este filme e serve-nos um verdadeiro oposto de Batman... mas é injusto dizer que a sua actuação é melhor que a de Jack Nicholson no "Batman" (1989) de Tim Burton. Nicholson representou também memorávelmente mas num estilo que servia com perfeição a fantasia de Burton. Da mesma forma que Ceasar Romero servia de forma cómica as aventuras da série de TV e filme dos anos 60, que eram filmes muito mais cómicos e icónicos adequados a esse tempo. Perante a nossa época e perante o estilo do filme o Joker de Haeth ledger está perfeito. No entanto, este Joker não ficaria bem, ou destoaria nos filmes de 1989 ou dos anos 60. Os tempos evoluiram e este Joker reflete essa evolução.

Em "The Dark Knight" Heath Ledger é superlativo sim mas não é o único no filme... 

Christian Bale, está ainda mais soberbo nos dois papeis e faz-nos perceber as nuances dos estados de espírito ao longo do filme, Aaron Heckart representa com muita profundidade e carisma um papel no filme que até nem tinha muito por onde se agarrar mas consegue-o fazer sobressair, Gary Oldman está discreto mas mantém muitas subtilezas no seu papel e por fim, Michael Caine e Morgan Freeman, aqui estão ao nível do que já haviam feito e dão-nos bastante com os aparentemente pequenos papeis que lhes calharam.

Todo o extenso elenco está á altura e irrepreensível.

No entanto achei que a excelente actriz Maggie Gyllenhaal apesar de ter uma boa prestação e de cumprir muito bem... ...não parece tão inocente a fazer o papel de Rachel Dawes como nos proporcionou Katie Holmes em "Batman begins" (na altura ela parecia deslocada no elenco do filme mas nesta nova aventura teria feito mais sentido).



Observações e conclusão

Em "The Dark Knight", existem várias histórias a serem contadas em simultâneo mas que confluem todas para se juntarem num final absorvente onde muita coisa se está a passar ao mesmo tempo em vários pontos de Gotham City.

É um filme repleto de inteligência e servido com muita lógica, no mesmo seguimento da instalação feita por "Batman begins" mas muito mais explosivo, com cenas de acção estonteantes e bastante inventivas (a cena do aparecimento da mota Batpod é fabulosa), que não roubam protagonismo aos momentos de diálogos e desenvolvimento do argumento. Na verdade, o filme está muito bem balanceado, com muito equilíbrio das personagens e situações.
Contém também com alguns twists na história, facto que ainda lhe dá mais sabor por nos surpreender continuamente mesmo quando já não achamos ser ainda possível.


Christopher Nolan, realiza muito seguramente e sem artifícios, inclusive os efeitos especiais e o CGI parece nem existirem aqui, deixando uma continua marca sóbria e realistica que sempre exibiu nos filmes que já apresentou. Está aqui um grande realizador, que servindo-se de material das histórias aos quadradinhos, a impõe o filme como algo mais que isso, entrando por áreas típicas de filmes mais sérios.

Nolan, tem o mérito ainda de fazer da cidade Gotham City uma personagem virtual do filme (ao puro estilo de Michael Mann, de Heat e Colateral), oferecendo-a vagueando panoramicamente com a câmera e dando-nos em muitas cenas autênticos quadros saidos de BD.
Por falar em BD, neste filme a noite e as zonas escuras são ainda muito mais aproveitadas por Batman fazendo o surgir sem o imaginarmos estar por lá presente. Da mesma forma, Joker faz vénia a muitas fases da história passando no filme de simples criminoso até à mente do mal mais aterrorizadora, tal como o chegou a surgir na BD.






Devo mencionar ainda a banda-sonora que está emocionante e potencia as cenas do filme. O tema do Joker é intenso e perturbador (ouçam-no pelo player mais acima), e sempre que o ouvimos sentimos a instalação do mal mesmo sem estarmos a ver o que se passa ou o próprio Joker mas sabemos imediatamente que é obra dele.

Como filme inteligente e sério, de acção e pela soberba adaptação de personagens dos mundos de super-heróis, "The Dark Knight" resulta um filme excelente, fenomenal e merece nota máxima. Para fãs de Batman, e das adaptações BD, esta é a melhor adaptação de sempre com material deste género. Uma obra-prima absoluta e acredito que será o ponto de referência para o futuro.

No entanto, deve-se entender neste filme sem se limitar a super-heróis pois consegue também ser mais do isso. É um filme ao puro estilo dos filmes de crimes e policiais, repleto de motivações e dilemas humanos, pontuado pela ameaça recorrente do terrorismo e do combate ao mesmo, servido sempre muito dinâmico, inteligente e muito bem representado por um elenco fabuloso e extenso sem nunca deixar cair as personagens. Neste estilo não é a obra-prima mas é um grande filme, que merece ser visto mesmo por quem detesta super-heróis, pois aqui estamos perante o grande cinema dos bons tempos.

Recomendo fortemente a não o perderem e vejam-no sem invocarem ser pelo motivo da morte de Heath Ledger.

Esta é a minha apreciação ao filme mas podem consultar outras reviews muitos interessantes dos blogues Deuxieme e Hotvnews

Saiba mais sobre filme pelos vários artigos já publicados aqui no blogue. Clique aqui!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Com Batman TDKR a chegar... uma reflexão sobre os dois filmes da trilogia de Nolan



Com "The Dark Knight Rises" a aterrar hoje nas salas de cinema portuguesas, nada como fazer um rewind a esta saga de Christopher Nolan e onde irei tecer algumas observações em jeito de pseudo-reflexão aos dois filmes, "Batman Begins" e o "The Dark Knight".

Ora bem... eu vejo as duas incursões de Nolan ao mundo de Batman, como distintas e com méritos diferentes. E acredito que o terceiro capítulo também o será.

O melhor visual do Batman, continua a ser o proposto no "Batman Begins"... mas isto sou eu a dizer!

Com este culminar em trilogia, a escolha do Bane para vilão, deu para o Nolan direccionar esta saga a culminar numa trilogia (eu sou dos que acredita que isto nunca foi pensado ser uma trilogia, como agora parece ser... e acabou por se tornar mesmo!), só reforçou ainda mais a minha observação sobre o que me representa esta saga de Nolan. Ele construiu não uma narrativa de BD natural mas sim algo desviante como, no meu tempo, representavam as graphic novells (que eram diferentes abordagens em universo extra).
Não é á toa que agora a DC Comics/Warner Bros há-de realinhar de novo o Batman a outra direcção... e por isso o Nolan ser afastado, pois é necessário ter um outro Batman que melhor encaixe na timeline da Liga da Justiça. É que o chamado "Nolan-verse", com toda aquela hiper-realidade, coloca-se numa posição que até recusa os mundos de fantasia implícitos no universo-alargado da DC Comics. Bem mas esta é uma outra conversa que agora não interessa para nada...


Acho o "The Dark Knight" como uma verdadeira obra-prima de filmes com super-heróis e super-vilões. Contudo, com o tempo olho para o TDK como um filme onde na verdade há menos o factor super-herói do que todos os outros que já surgiram, precisamente por ele ser mais uma abordagem á psique de pessoas que querem mudar o seu próprio mundo. Depois o TDK, parece-me actualmente ser menos Batman do que realmente aprecio e se espera, que é ver o triunfo da personagem principal. Nele Batman parece mais o impulsionador de tudo mas não o capitalizador, pois é o Joker quem rouba o filme (no filme de Burton as personagens empatavam mas aqui Batman perde mesmo). Facto que me tem corroído gradualmente quando o revejo. Depois porque também Nolan abandona neste filme as encenações icónicas que homenageavam o Batman (as poses, os morcegos à volta dele, o imaginário clássico, a revitalização de Frank Miller, etc).




E é apartir daqui que quando revejo o "Batman Begins" sinto um prazer extra e mais recompensador (o fato é mais parecido com o que conheço dele, é exibida aquela pose de gárgula nas pontas dos edifícios, o rodear-se por morcegos, a batcave, etc). Begins é um puro filme de Batman, ou seja totalmente centrado em Batman, é sobre o Bruce Wayne e ainda esboça um mix imenso dos melhores momentos da BD de Batman (ele como detective/vigilante pendurado nas paredes, o sábio uso do disfarce de playboy que só liga aos prazeres da vida como Bob kane o apresentou, etc) tornam "Begins" todo ele mais fascinante pelo foco dedicado á personagem e depois por muito bem saber enaltecer da BD "Ano Um" um Tenente Gordon como uma personagem de relevo (ou seja, inteligente e não um mero policia decorativo - na versão de Burton ainda surgia como o Gordon dos tempos clássicos).



Begins é um filme, cuja engrenagem caminha emocionantemente até ao apresentar da carta do Joker. Sempre imparável. O TDK é mais que um filme de super-heróis e hoje acho ainda que foi uma pena o desperdiçar do Two-Faces numa vendetta pessoal, que sai até imensamente ofuscado pelo soberbo Joker de Ledger.

Na práctica, Begins é um verdadeiro filme de super-heróis, onde somos brindados com o "path of the hero" (a origem e a sua jornada para defender o bem).




Todos os filmes que usam o "path of the hero" safam-se sempre (Matrix, Superman, Spiderman, Iron Man, etc) mas espalham-se nas sequelas depois de não terem mais disso para dar (acredito que é a descoberta que mais cativa o povo). Sendo um habitual problema do que fazer a seguir com a personagem depois de ele estar estabelecido, é é isso que percebo do valor do TDK ao contornar este handycap. Batman pouco mais continuou além dos mesmos moldes em que ficou (quase estagnou) e Nolan dedicou-se então a conceber o inverso, que é o "path of the villain". Neste caso, foi até a dois vilões mas muito mais subtilmente focando-se com toda a precisão no Two-Faces. Nolan foi até premeditado ao claramente, em pleno "Begins" ao apontar já para o Joker, não desperdiçando assim uma boa "cartada", para estabelecer esse mudar de foco (e não é à toa que é o Joker quem mais aparece nos posters... e capas de DVDs, etc).


O Batman afigurou-se no TDK quase como um secundário, em modo trágico (se analisarmos bem, perde a mulher nas duas identidades e o mal chega consegue mesmo triunfar no final - apenas uma inteligente premissa para fazer valer mais o The Dark Knight Rises).


Agora, do TDKR, e falando como se nada soubesse sobre o que aí vem (depois de um intenso ano de marketing diário a debitar-nos indicios), eu espero que o Batman 3 recupere ao heróis, o foco merecido e lhe restitua a glória. Até porque ele tem de se "erguer" do infortúnio da sua condição de vigilante perseguido, o que também representará uma nova abordagem ao estilo "path of the hero" (se pensarmos bem, será até novamente múltiplo) mas aqui numa condição invertida, que é "renascer" da condição de proscrito para a redenção.


E acredito que aquela máxima muito presente ao longo do The Dark Knight, mantenha ainda efeitos para este encerrar daa trilogia. (E quem leu as BDs da "fase Bane", extrapolará ideias):

"Ou morres como um herói ou vives tempo suficiente para te veres tornado no vilão..."


(Obs: acho que me perdi algures... e saiu algo que é mais um devaneio. Acontece!)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Filme Batman "The Dark Knight" ja estreou...nos EUA!

Marketing do Batman na Toyota em Silverstone



Tal como nos mostra o Braind, "apesar da simplicidade das pinturas nos carros da Toyota, a corrida de Silverstone serviu para promover o novo filme."





Marketing do Batman por cá...

Segundo informa a Meios&Publicidade, "A Publiup elevou ao topo do edifício Monumental, em Lisboa, o Batman, recriando uma cena do novo filme do super-herói que vai estrear nos cinemas a 24 de Julho.Esta acção, levada a cabo pela equipa da Publiup, foi criada para a Columbia Tristar Warner e envolveu a concepção e desenvolvimento de uma figura do Batman com quatro metros de altura.

Segundo André Robles, director comercial da Publiup, esta acção “visa criar um impacto nas pessoas que, ao passarem no local, serão surpreendidos com uma personagem bem conhecida, o Batman. Trata-se de uma forma inovadora de comunicar este tipo de ‘eventos’ que pensamos ser bastante interessante, na medida em que, ao recriar uma cena do filme, no dia a dia das pessoas, conseguimos envolvê-las ainda mais e impactá-las com a mensagem pretendida…o Batman está a chegar!”




Batman na animação "Gotham Knight"

O filme "The Dark Knight" estreia hoje nos EUA mas só chega a Portugal na próxima semana. No entanto entre os dois filmes muitos acontecimentos se passaram em Gotham City, na cidade de Batman.
Para que melhor se compreenda o novo filme, foi desenvolvido uma série de animações, reunidas e lançadas na edição "Gotham Night".

Esta edição segue o mesmo estilo da Animatrix, que também fazia a ponte entre os filmes "Matrix" e o "Matrix Reloaded" dos irmãos Wachovsky. É bom quando se fazem coisas como esta animação.
Vale a pena "apanharem" isto por aí, pessoal!

Deixo-vos com o trailer...


...e uma parte de um episódio.



As pré-reviews...

Tanto se fala do filme que vai estrear mas quem melhor pode falar do filme do que aqueles poucos que foram escolhidos para o verem numa sessão especial para a crítica especializada?
E pelos rasgados elogios que todos fazem ao filme... temos filme, pessoal.
Há quem o eleve a obra-prima, quem o considere das melhores adaptações de sempre de BD, quem o considere o melhor filme do ano não por ser um filme de super-heróis mas sim por ser um filme que tem uma abordagem séria ao tema do crime, à catarse da condição humana, desde as motivações e lógicas inerentes do que pode fazer chegar a certos pontos um ser humano. Evoca-se em comparação e prestígio filmes como o "Padrinho 2" de Coppola ou "A Laranja Mecânica" de Kubrik entre outros. Todos são unânimes em afirmare que o filme tem um elenco de grandes actores que nos providenciam grandes actuações memoráveis, especialmente a de Heath Ledger a quem já reivindicam o Oscar póstumo de melhor actor.

Deixo-vos um link que agrupa as melhores reviews sobre este novo filme de Batman.


Novidades da HBO sobre este Batman


Entretanto, diz a Hotvnews que "foi disponibilizado on-line um novo vídeo sobre The Dark Knight feito pela HBO e que inclui entrevistas com o elenco, equipa técnica e algumas cenas inéditas. São 13 minutos que merecem ser vistos!".
Aqui está, dividido em dois videos:




Saiba mais sobre filme pelos vários artigos já publicados aqui no blogue. Clique aqui que vale a pena!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Batman: Dead End... de Collora, o filme que nunca chegou a ser

Por vezes criam-se ideias e conceitos para filmes e certas personagens, que nós nunca chegamos a saber.

Antes de Christopher Nolan surgir com o seu "Batman Begins", houve gente que tentou dar novas ideias e novos rumos a Batman. Um deles foi Collora, um fã de cinema a trabalhar no mundo do cinema, que apareceu em plena Comic-Con 2003 com um video onde mostrava a sua abordagem a Batman. O tipo investiu tudo o que tinha, o dinheiro principalmente, nessa mini-produção. O seu objectivo era voltar a ter Batman no cinema depois do desastre que foi "Batman & Robin" de 1997 mas fê-lo de forma muito ambiciosa até.



Como a sua ideia era auspiciosa, intitulada "Batman: Dead End", reuniu apoios e por $30.000, ele teve direito a actores profissionais (Josh Koening e outros), editores profissionais, preparadores de guarda-roupa e maquilhagem profissionais. Esteve 4 dias a filmar aquilo que se vê no video mais abaixo, que é uma tentativa de fazer um filme de grande acção com um embate entre Batman vs Joker e... preparem-se... o Alien e o Predador também!

...de Sandy Collora - o filme que nunca chegou a ser!

Como viram a produção era fraca mas há por lá tiques de grande estilo (a iluminação, Batman a erguer-se da água, o Joker mais lunático que o habitual, etc). Percebe-se a ambição e as intenções eram boas mas... ainda bem que o projecto de Nolan vingou!

A verdade, é que este projecto não foi avante porque a Warner o impediu legalmente (porque já estava também a preparar uma nova abordagem com o Batman Begins). O tipo obviamente teve de desistir mas a desgraça abateu-se sobre ele: ficou na pior, sem dinheiro, sem nenhum contracto e não teve mais propostas de trabalho.

Actualmente trabalha de forma independente como realizador e encontra-se a tratar de uma baixa produção Sci-fi de terror "Hunter Prey", que está previsto estrear neste ano de 2009. E é um filme que até parece muito interessante.



fonte: io9

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Batman "The Dark Knight" bate recordes... e algumas observacões!

Pois é... este Batman, chega a Portugal já com recordes batidos nos EUA.
Maior número de salas, melhor dia de estreia de sempre, melhor fim-de-semana de sempre... é impressionante!


Os números dos recordes

O dia de estreia (EUA):

"The Dark Knight conseguiu num só dia aquilo que alguns (poucos) blockbusters conseguiram este ano em três…" (...)
"O filme,.., arrecadou a espectacular quantia de 66,4 milhões de dólares!"
"Até á data este recorde pertencia a Homem Aranha 3, que em 2007, no seu dia de estreia, conseguiu arrecadar 59,8 milhões de dólares em receitas."

e
"...The Dark Knight está em exibição em 4.366 salas, o que por si só também já representa mais um recorde:
O do maior lançamento (maior n.º de salas) para um filme nos EUA.
O filme também agradou à critica, que considera este o filme mais negro, complexo e inesquecível da saga Batman. O desempenho de Heath Ledger no papel de Joker também tem sido elogiado e há já quem peça uma nomeação ao Óscar para o falecido actor."


O fim-de-semana de estreia (EUA):

"158,4 milhões de dólares!
É este o novo recorde de bilheteira conseguído por um filme no primeiro fim-de-semana em exibição e foi conquistado por The Dark Knight, ultrapassando assim o anterior recorde que pertencia a Homem Aranha 3 e que era de 151,1 milhões."

Informações e imagem Batman/Joker no topo: Hotvnews

Saiba mais sobre este filme pelos vários artigos já publicados aqui neste blogue.
Clique e veja tudo já aqui publicado!



Observações e Marvel vs DC...

No entanto há alguns dados a reter destes recordes: é que este filme bate recordes de outro filme também baseado em super-heróis da BD, o Homem-Aranha 3. É caso para pensar que os filmes baseados na BD têm relevância nos nossos dias e pela elevada adesão do público é um género apreciado.

Outra observação que faço é sobre a rivalidade Marvel versus DC Comics.

O Homem-Aranha 3 fez a Marvel deter recordes absolutos de cinema, aliado aos bons resultados que anteriormente já havia conseguido com outros títulos tais como a trilogia X-Men, os outros dois filmes do Homem-Aranha, os encaixes obtidos com os Quarteto Fantástico 1 e 2, a trilogia Blade, etc... e já este anos com os filmes Iron Man e com o Incrível Hulk. A Marvel tem encaixado receitas importantes e tem ganho prestígio com tantos filmes baseados nas suas criações.

A DC tem tido pior sorte... só tem practicamente dois super-heróis que rendem: Super-Homem e Batman.

O recente Superman Returns (que apesar de tudo eu adoro mesmo sendo uma espécie de Hulk de Ang Lee) não animou assim muito o povão e na altura que estreou viu-se o X-Men 3 (da Marvel) facturar muito mais.

Quanto a Batman... depois do sucesso fulgurante dos dois filmes de Tim Burton (de 1989 e 1992), os filmes de seguintes de Joel Schumacher (1995 e 1997) arrasaram completamente com a personagem e ninguém gostou e passaram-se anos e anos com o franchise parado porque um filme com Batman tornou-se em algo de má memória.
Em 2004 a DC apresentou-nos um outro título do mundo Batman: "Catwoman" , interpretada por Halle Berry. De novo um desastre total... e considerado um dos piores filmes desse ano.

A DC Comics coleccionava assim muitos desastres com as suas personagens e só se redimiu com o lançamento de "Batman Begins" (2005).

Redimiu-se, felizmente porque foram afastados os maus tiques do passado que normalmente se verificavam os filmes de super-heróis: elencos fracos, argumentos tontos, efeitos especiais vergonhosos (ou então o único detalhe que se salvavam dos filmes para encher o olho), realizadores tarefeiros e sem visão, desrespeito total pela BD e pelos fãs, etc...

O "Batman Begins"... instaurou uma abordagem séria e realística, onde por acaso a personagem até é um super-herói mas que poderia ser uma comum personagem qualquer num mundo de crime.
Já repararm que neste filme não há figuras CGI e loucuras com efeitos especiais? É que aqui tudo é servido em bom estilo clássico de filmar.

Genial e revitalizou Batman para a sociedade... e agora com a sequela "The Dark Knight", uma personagem DC Comic estabelece um novo patamar no género. E consegue ainda retirar os recordes de bilheteira à Marvel e unir toda a crítica em elogios ao filme.

É a Marvel quem sai derrotada desta vez... e um só filme o conseguiu!
A DC Comics deve estar a sorrir imparávelmente, como o Joker, sobre o Stan Lee da Marvel.


Os mais influentes filmes do género

Eu costumo achar que nos filmes baseados super-heróis BD têm dois momentos de grande elevação:

1º- "Superman - the movie" (1978), datado mas continua um dos melhores filmes de sempre no género. Aquele que nos fez acreditar que um homem poderia voar. Este filme é o "avô" dos bons filmes baseados em BD pois deu uma abordagem séria e com ideias de cinema. Um clássico absoluto!

2º- "Batman" (1989) de Tim Burton, que no seu espirito fervilhante e criativo, este realizador de estilo e visão únicas, ergueu um ambiente gótico, soturno e cláustrofóbico, aliado a um novo estilo de "vestir", em que a pele ou cabedal é o material escolhido mas não obvio para este tipo de personagens (é mais resistente que os colants mas na prática limitaria os movimentos) mas que cinematográficamente ficou como "o standard".
Este considero-o já como o "pai" dos filmes com super-heróis. nada mais foi o mesmo depois dele...


Basta ver tudo o que saiu depois de 1989:
Blade, Spawn, X-Men,etc...
...incluindo até o Matrix (que é o tal filme mais bem feito de sempre com o universo de super-heróis BD mas sem ter origem na BD mas que era para ser uma BD -confuso? não!) 
...e muitos mais filmes de acção.

Depois destes dois só nasceram "filhinhos"...