Em 2006, Stuart Staples regressou à sua carreira a solo e lançou um segundo álbum que foi Mais ambicioso que o seu primeiro ópus, espalha aqui, com aparente facilidade a marca Tindersticks (a sua banda).
Deu a perceber que o vocalista, Stuart A. Staples, nunca havia deixado a lida musical e no seu bom estilo musical já lançou dois álbuns sozinho, sendo que o "Leaving Songs" (2006), teria tudo para poder ser considerado um digno álbum da banda... mas não o era. Este facto não impede que o álbum mereça as maiores atenções, pois é um portentoso disco, magnífico até... mas sempre me pareceu ser muito ignorado por aí.
Um outro facto é que em "Leaving Songs", os títulos que Stuart Staples deu a algumas faixas, transmitiam a ideia que a banda havia acabado, que o desentendimento conflituoso com os restantes membros não tinha solução de recuperar e que restava só ele. Um claro desânimo para fãs... mas como tudo isto dá muitas voltas, a banda foi reerguida por ele e alguns membros e mais discos lançaram entretanto.
Este é um álbum indie verdadeiramente magestoso e de puro deleite sonoro. Destaco temas como "Goodbye to Old Friends", "The Path", "This Road is Long" (dueto com Maria McNee), "That Leaving Feeling" (dueto com Lhasa de Sela - rever aqui sobre esta falecida artista) ou a "Already Gone".
Recomendo vivamente!!!
Deixo-vos duas faixas deste álbum, para descobrirem já a seguir:
Ao chegarem ao terceiro álbum, os Tindersticks apresentariam o seu mais bem polido registo que alguma vez haviam feito...
No primeiro disco espalharam as pistas e diversas direcções por onde esta banda indie poderia seguir para o seu futuro. Ao segundo registo, escolheram focar-se só nalgumas dessas direcções e fizeram um disco maravilhoso, com nervo, daqueles que ficam tatuados.
Ao terceiro, bem... depuraram ainda mais o som único que detinham. Sublimaram tudo o que bem sabiam fazer de maneira quase épica. Não se resignaram em meramente o fazer, eles apresentaram num nível elevadissimo, até mesmo para eles.
Na altura, em 1997, as mais importantes publicações dedicadas à critica músical não se evitaram de enaltecer efusivamente esta nova obra da banda. Algumas disseram assim:
"Q" (Absolutely tremendous.);
"Uncut" (The greatest record on earth. Their music lifts up my soul.);
"New Musical Express" (Tindersticks have never been better.)...
Digo igualmente que sim, pois "Curtains" afigurou-se um álbum verdadeiramente marcante, mégalómano, pomposo, orquestrado, sedutor, viciante... mas também exibe intenção, quando nos anteriores registos havia espontaneidade. De certa forma, para fazerem um grandioso disco, elaborado e tão pensado assim, todo o processo igualmente criou um enorme problema para a saúde da banda. Problemas esses que se deram ao longo do desenvolvimento e depois de sair para o mercado. Internamente, a banda sentiu-se obrigada a ter de dar uma boa resposta ao enorme sucesso que certos temas do segundo álbum obtiveram (do calibre de "Tiny Tears", por ex) e que eram recebidos em apoteose nos concertos. A banda superou a dura tarefa com um disco superlativo... mas isso criou estragos internos, que viriam a conduzir a desistências e desentendimentos entre os membros. Depois de "Curtains" os Tindersticks nunca mais foram os mesmos e nunca mais repetiram a eximia fórmula exibida em 1997. Valeu-nos, aos fãs, a grande capacidade de reinvenção que a banda sempre desfilou e também ao grande Stuart Staples ao leme...
O homónimo longa-duração de estreia dos Tindersticks, foi um marco no rock indie...
Gosto muito deste álbum (mas sou suspeito, como podem já ter percebido...)
É um disco: cru quando quer, é delicado quando precisa, é deslumbrante quando querem seduzir, é profundo quando quer deixar marcas... e instala em quem o souber apreciar a vontade de se encontrar com este som de novo.
Os Tindersticks antes da estreia do primeiro álbum, já haviam lançado singles, tendo sido o da "Kathleen" (a primeira canção deles) que despertou os mais atentos.
Antes de terem este nome também se chamaram os Asphalt Ribbons (fraco realmente!).
Distinguiam-se por uma sonoridade rock marcadamente indie, melancólica, cantada ao mais puro estilo crooner, mantendo as influências do rock de recorte mais clássico.
Muito criativos e multi-instrumentistas, pois recorreram desde sempre aos mais variados instrumentos, desde os xilofones, pianos, violinos, incluindo pequenas orquestras com cordas e sopros, sempre em sintonia com os instrumentos convencionais de uma banda rock.
Eram estas as coordenadas que a banda apontava, apesar de se perceber que exploravam sem saber na realidade que rumo avançar. Tantas eram as possibilidades que apresentavam, que rapidamente se tornaram num grande sucesso underground.
"Tindersticks (1)", é daqueles discos que requer a dedicação de quem o ouve para ele se abrir verdadeiramente. Tanto abordam o rock ao estilo velvetiano com voz à Lou Reed, como sugerem saber fazer uma boa torch song ou mais ainda uma incursão mariachi e algumas experiências sonoras interessantes.
Por vezes, quando se está a observar capas de discos ou capas de filmes, salta-me à ideia que já vi isto nalgum lado.
Um caso muito interessante são as capas das duas colectâneas da banda Tindersticks, cuja estética adoptada remete para o filme de 1959, "Anatomy Of a Murder"...
Um grande tributo ao design de Saul Bass, que foi o criativo responsável pela arte do poster do filme e da banda-sonora de Duke Ellington. Ora vamos lá ver as semelhanças:
Tindersticks, colectânea de sucessos e raridades:
"Working For The Man: The Island Years 1992-1999" (2004);
...claramente influenciado pelo poster de "Anatomy Of A Murder".
A mesma arte de Saul Bass, na banda-sonora de Duke Ellington para o mesmo filme:
E já antes da edição de 2004, já os Tindersticks haviam lançado a colectânea de lados B, raridades e inéditos:
"Donkeys 92-97"... e a influência foi a mesma e até mesmo mais especifico apesar das mudança das cores.
Este ano vamos ter grande festival em Gaia!
A organização esmera-se cada vez mais e nota-se que de ano para ano têm tornado o Marés Vivas num evento à escala nacional. Cada ano que passa o alinhamento de cada dia é de grande interesse e todos os anos há sempre um dos artistas que até me fazem brilhar os olhos...
O MV TMN Festival Marés Vivas '11 realiza-se nos dias 14, 15 e 16 de Julho de 2011 em Vila Nova de Gaia.
O cartaz completo é o seguinte:
Dia 14 de Julho:
Manu Chao, Xutos e Pontapés, Natiruts;
+ Anaquim, Pitt Broken, João Dinis e Nuno Carneiro;
Dia 15 de Julho:
Moby, Skunk Anansie, Expensive Soul
+ Classificados, Mendes e João Só, Kicko, Let There Be Rock e Gonçalo Mendonça;
Dia 16 de Julho:
Mika, The Cranberries, Tindersticks, Aurea
+ Os Azeitonas, Mia Rose e Baile Tranquilo: Marcelinho da Lua convida Fernanda Porto.
Reparei que só de artigos dedicados aos Tindersticks aqui no blogue já se contam por vários publicados, contudo nunca me dediquei a fazer uma espécie de top das mais apreciadas, a nivel pessoal, desta magnifica banda.
Toca a arregaçar as mangas!
O mais dificil acabou por ser criar uma playlist reduzida com um minimo de 20 faixas, pois a minha playlist de favoritas no iTunes contava com umas 40 canções...
Avanço com as apuradas faixas candidatas à playlist final:
Until The Morning Comes
Can We Start Again?
The Flicker Of A Little Girl
City Sickness
What Is a Man (single)
Black Smoke
Marbles
Shadow
Yesterday Tomorrows
Kathleen
Let's Pretend
I´ve Been Loving You Too Long
Peanuts (Feat. Mary Margaret O’Hara)
*This Road Is Long (feat. Maria McKee) [de Staples a solo]
If She's Torn
Sometimes It Hurts (Feat. Lhasa de Sela)
A Marriage Made in Heaven
Mother Dear
Tiny Tears
Trying To Find A Home
Raindrops
My Oblivion
Mistakes
Chilitetime
*The Light Holds So Many Colours [de Rodrigo Leão com Stuart A. Staples]
*People Fall Down [de Staples a solo]
Can We Start Again?
Humm... retirar faixas...adicionava eram umas poucas mais...
Já agora que faixas removiam para fazer apenas 20?
De novo com o mais recente álbum da banda indie Tindersticks, o "Falling Down A Mountain" (2010), desta vez já finalmente eleito a Música da Semana (o requisito é ter um video e como felizmente já o há...).
Consultar a 1ª parte deste artigo, clicando aqui, que servia para o apresentar apenas.
"Falling Down A Mountain" (2010)
Segue os caminhos abertos com o registo anterior, o "The Hungry Saw" conseguindo evidenciar uma nova e refrescante liberdade de opções e sem receios de arriscar outras soluções.
Curiosamente, deixa também um certo travo do primeiro álbum da banda, pela maior carga rock (as guitarras e teclas estão muito mais presentes). Facto que já se pressentia no video de apresentação, que era uma espécie de cartão de visita desta revigorada banda (que tem novos elementos, com destaque para o guitarrista David Kitt).
É um álbum mesmo muito bom e viciante, criado com enorme um sentido intemporal.
Qualquer um distraido poderia afirmar que este é um álbum com anos ou décadas.
A destacar faixas como "Falling Down a Mountain" (belíssima longa faixa semi-instrumental), "Keep You Beautiful", "Harmony Around My Table", "Peanuts" (um dueto viciante e pessoalmente a melhor faixa do disco), "Factory Girls" ou o magnifico instrumental "Piano Music". Deixo para o fim o destaque para uma das melhores faixas a "Black Smoke", que representa muito bem o novo estado da banda.
De tão bom que é, chega mesmo a parecer um álbum muito curto (± 45 min) ... e que deveria ter ainda mais algumas faixas (tem 10), pois sabe mesmo a pouco...
Black Smoke
Termino com um video dos fãs, onde junta relacionou a canção "Peanuts" com a antiga série de animação com o mesmo nome.
Mais uma edição da revista Blitz, desta feita a destinada a Março, que continua o seu nível habitual de tentar agradar a várias gerações, nomeadamente os mais novos públicos e sempre sem esquecer aqueles que cresceram no tempo em que isto chegou a ser um jornal semanal (ricos tempos pois era um dos assíduos).
Esta edição está cheia de boas razões para a ter á mão este mês: Mão Morta, Vampire Weekend, Tindersticks, as novidades em disco para 2010, um CD da malta Enchufada, muitas reviews a discos novos (dos Gorilazz, The Knife, etc)
Mas o que sucedeu é que a determinado momento a leitura do conteúdo desta Blitz (ver mais no site) passou a modo da publicidade da Whiskas:
...bla bla bla... bla bla bla... bla bla bla... bla bla bla ...Pink Floyd... bla bla bla... bla bla bla... Roger Waters... bla bla bla... bla bla bla... bla bla bla... os 30 anos do "The Wall"... bla bla bla... já perceberam!
Já agora, podem também rever um artigo que dediquei sobre a comemoração das 3 décadas do álbum "The Wall" dos Pink Floyd, clicar aqui.
O alinhamento do álbum, que sai a 25 de Janeiro é o seguinte:
Falling Down a Mountain
Keep You Beautiful
Harmony Around My Table
Peanuts (Feat. Mary Margaret O’Hara)
She Rode Me Down
Hubbard Hills
Black Smoke
No Place So Alone
Factory Girls
Piano Music
Já se pressente neste video, uma espécie de cartão de visita que a banda (que tem novos elementos), onde se pode já escutar os momentos iniciais da faixa semi-intrumental de introdução do álbum, que até mais parece uma jam session (e para introdução tem uns bons 6 minutos e tal)
"A cantora americano-mexicana Lhasa de Sela morreu na noite do primeiro dia de 2010, depois de 21 meses a lutar contra um cancro da mama, conforme comunicado publicado este domingo à noite na página da Internet da artista.
A cantora nasceu a 27 de Setembro de 1972, em Big Indian, Nova Iorque, Estados Unidos. De ascendência mexicana e norte-americana, Lhasa absorveu várias culturas, fruto do espírito nómada com que vivia. Viajou durante vários anos com a família pelos Estados Unidos e México.
Lhasa de Sela, a cantora nómada morreu, na sua casa em Montreal pouco depois da meia-noite. Tinha 37 anos, deixou 3 álbuns editados e mais de um milhão de cópias vendidas em todo o mundo."
Desconhecia a obra dela em nome próprio (lançou 3 discos) mas foi pelos Tindersticks que me ficou eternamente conhecida.
Lhasa de Sela participa (canta) em "Sometimes It Hurts" (Waiting For The Moon -2003) e também no álbum a solo do vocalista da mesma banda, o Stuart Staples em "That Leaving Feeling" (Leaving Songs -2006). Mais sobre Tindersticks, aqui. Foram duas as canções onde cantou magnificamente e que agora deixa um verdadeiro "leaving feeling".
Tindersticks "Sometimes It Hurts" Featuring Lhasa de Sela (Waiting For The Moon -2003) Este video (que é uma curta-metragem da banda) ouve-se a voz de Lhasa neste impressionante dueto com Staples...
Stuart A. Staples "That Leaving Feeling" Featuring Lhasa de Sela (Leaving Songs -2006) Durante este video do álbum a solo de Staples, onde além da voz, dá para ver o rosto de Lhasa...
Actualização: Anda muito engano por aí a cerca da idade dela... o Blitz até nem refere a idade (?)... eu tinha lido na net pelo no Jornal Digital a data de 1973 (já a corrigi)... no Bitaites li que tinha nascido em 1972... que confusão em torno da data de nascimento dela.
Como habitualmente publico aqui no meu espaço artigos sobre o mundo da música e sobre a música propriamente (discos, videos, etc), passo a fazer os meus destaques musicais.
1- Álbuns de 2008 que mais apreciei e respectivas faixas mais ouvidas...
Considero que a década de 90 foi importante para a música em duas áreas:
a música com guitarras "pesadas" e a electrónica (excluo a pop porque essa será sempre reflexo do sociedade e as modas do momento).
Como é sabido os anos 90 ofereceram-nos géneros que apareceram com muita força e depois se evaporaram. Talvez porque da mesma forma que todo o mundo os adorou, logo depois se passou a renegar esses géneros... e alguns até foram géneros bem interessantes e estimulantes.
Estou a referir-me no campo das guitarras eléctricas:
- ao grunge (Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden) e o pós-grunge (Bush, Silverchair, Foo-Fighters, etc);
- o rock neo-psicadélico (Radiohead, Spiritualized, The Verve, etc);
- o rock indie renovado (dEUS, The Flaming Lips, Tindersticks, etc);
- o próprio metal explodiu em imensos sub-géneros como o trash, death, etc (Marilyn Manson);
- o nu-Metal, que mais tarde presta um novo fôlego ao metal ao juntar hip-hop (Limp Bizkit, Korn, Linkin Park, etc);
...para além de outros mais.
Nirvana, Marilyn Manson e Limp Bizkit
E no campo da música electrónica...
...surgiram correntes musicais tão inovadoras como refrescantes e que marcariam em definitivo o som da música. Primeiro porque renovou os processo de obter novas bases de som para o hip-hop e para o R'n'B e depois porque deu novas respostas de som como:
- o trip-hop, o big-beat, o jungle, o drum'n'bass,
- tecno, house, dub, gregorian-house, etc, etc;
... e outras evoluções (muitas delas encalhariam no caldeirão do chill-out).
A verdade é que o periodo entre 91-99 foi mesmo estimulante e desse tempo emergiram imensas bandas e artistas de culto nos dias de hoje, como Massive Attack, Portishead, Tricky, Prodigy, Chemical Brothers, Goldie, Sneaker Pimps, DJ Spooky, Carl Cox, etc, etc... (esta pequeníssima amostra dá para ter uma ideia do muito que surgiu nos 90s).
Massive Attack, Portishead e The Chemical Brothers
A electrónica também despontou o gosto dos artistas e bandas de outros géneros. Principalmente pelas remixes electrónicas, pois era importante terem um dos seus hits assinados pelos grandes da electrónica.
Gente como os The Rolling Stones, Madonna, Radiohead, etc, disputaram os melhores remisturadores para fazerem versões para pistas de dança (activas ou de chill-out) e até os melhores produtores desse estilo.
Até as bandas sonoras foram influenciadas...
O metal e a electrónica, juntos ou em separado, tiveram também enorme influência na música para filmes.
Se nos dias de hoje já não tenho dúvida que o salvamento da música clássica foi o cinema (é nas bandas-sonoras para filmes que o género clássico se renova e é até escutado por mais públicos que de outra forma fugiriam a sete-pés), a verdade é que até as bandas sonoras passaram a ser polvilhadas de sons electrónicas e a contar também com guitarras bem pesadas.
Repesquei as bandas-sonoras por que na década de 90, certos filmes ganhavam edições em CD das respectivas BSO's que eram autênticas pérolas:
Pois... a evolução do ouvido público tem resolvido.
Mais tarde, já nesta década de 2000, acabaríamos todos por perceber que o contacto com a electrónica com a pop, o hip-hop, o rock, o metal, o jazz ou a dança, etc provocou "estragos" na forma como ajudou a misturar os géneros todos (hoje em dia é dificl já de catalogar os estilos de música - tudo é um caldeirão) e entre muitas outras razões notou-se que foi também pela electrónica o surgimento de novas técnicas possíveis de recriar sons... e sonoridades.
Este ano de 2008 tem sido um ano de regressos de algumas bandas/artistas ás edições discográficas.
Já tivemos este ano novos trabalhos dos Portishead, Tricky, Spiritualized, The Verve, best of's dos Radiohead, dos The Cardigans, etc... e também novo registo dos Tindersticks, uma das muitas bandas de culto máximo dos anos 90 (desde essa altura -1994- muito amada pelo povo português).
Os Tindersticks, são uma banda rock alternativa que surgiram às edições discográficas em 1994, com um álbum homónimo (célebre capa com a pintura de uma bailarina) e praticavam uma sonoridade rock marcadamente indie melancólica mas cantadas ao mais puro estilo crooner, com influências no rock de recorte mais clássico.
Multi-instrumentistas, posi recorreram desde sempre aos mais variados instrumentos, desde os xilofones, pianos, violinos, incluindo pequenas orquestras com cordas e sopros, sempre em sintonia com os instrumentos convencionais de uma banda rock.
Foram evoluindo ao longo da sua carreira e tornaram-se cada vez mais melâncólico, cantando a dor-de-côrno em modo hiper-romântica muitas vezes polvilhada com orquestrações luxuosas.
Fizeram ao longo dos seus discos vários duetos com artistas femininas, sendo o mais célebre o protagonizado com a actriz Isabella Rosselini na fabulosa canção "A Marriage Made In Heaven".
A determinada altura apresentaram-se até com ares soul à antiga ("Simple Pleasures" 1999 e "Can Our Love" 2001).
Escutem agora alguns exemplos do legado criativo dos Tindersticks:
"Marbles" ("Tindersticks 1", 1994), ao mais puro estilo Velvet Underground...
"A Marriage Made in Heaven" ("Donkeys 92-97", 1997), dueto magnífico...
"Can we start again" (Simple Pleasures, 1999), um título irónico q.b. ...
video "Sometimes it hurts" Featuring Lhasa de Sela (Waiting for the Moon, 2003)
Os Tindersticks, editaram em finais de Abril deste ano, aquele que é o seu sétimo álbum de originais, o "The Hungry Saw". Para este álbum surgir, a banda teve de passar por alguns anos de introspecção e saber se valia a pena os membros que a compõem lançar um novo trabalho, pois as coisas andavam conturbadas entre os membros e desde o anterior lançamento, o excelente "Waiting For The Moon" de 2003, que haviam parado de se entenderem e alguns lançaram até os seus próprios projectos.
Estranhamente nos discos de 2001 e 2003, respectivamente no "Can Our Love" e no já referido "Waiting For The Moon" já se pressentia algo de errado pois fomos sendo presenteamos com dois vocalistas: o habitual Stuart Ashton Staples e mais estranho ainda o violinista da banda Dickon James Hinchliffe aventurou-se a cantar alguns temas (e que valentes faixas ele concretizou, posso já lembrar...)
O projecto a solo de Stuart Staples
Na verdade dá para perceber que o vocalista, Stuart A. Staples, nunca havia deixado a lida musical e ao bom estilo musical dos Tindersticks lançou dois álbuns, sendo que o último, o "Leaving Songs" de 2006, teria tudo para poder ser considerado um álbum da banda... mas não o era.
Na verdade, Staples lançou a solo um portentoso disco, magnífico até... mas muito ignorado por aí.
Em "Leaving Songs", os títulos que Stuart Staples deu a algumas faixas, pareciam transmitir a ideia que a banda havia acabado. Temas como "Goodbye to Old Friends", "The Path", "This Road is Long" (dueto com Maria McNee), "That Leaving Feeling" (dueto com Lhasa de Sela) ou "Already Gone", pareciam querer dizer aos fãs que a banda já havia acabado e que o entendimento com os restantes membros não tinha solução e que restava só ele. Um claro desânimo para fãs...
Deixo-vos uma faixa para ouvir deste álbum, o magnifico dueto com Maria McNee, em "This Road Is Long", uma faixa quase pastoral, bucólica e interpretada muito intimamente por ambos como se encarnassem a situação romântica da canção.
Actualmente a banda reagrupou-se mas já não tem os mesmos membros da composição inicial. Três membros já a abandonaram, sendo que um dos mais influentes era o próprio Dickon Hinchliffe, que era quem dava um toque especial ao som da banda com os seus arranjos ao violino e pelas suas grandes elaborações orquestrais com o seu cunho muito próprio. Assim, desta vez da banda original restam apenas 3 membros, Stuart A. Staples na voz, Neil Timothy Fraser nas guitarras e David Leonard Boulter no baixo.
Contudo e apesar de tanta conturbação, nas 12 faixas do "The Hungry Saw", fazem discorrer com muita saúde ainda todo o seu estilo melancólico único do passado. As substituções de novos membros e os arranjos sendo agora assegurados por um membro feminino, a banda renasce e faz um dos seus melhores álbuns desde há muitos anos. Este é um álbum que mostra que souberam recuperar a alma da banda dos tempos iniciais e comprovando com um disco que é adorável de ouvir no seu todo e de seguida, com as faixas a carregar a predisposição e ambiente para ouvir a canção seguinte. Notável!
Stuart desfila todo o seu lado crooner e hiper-romãntico que sempre se lhe notou, com todos os seus trejeitos vocais para fazer das palavras mais do que elas parecem ser.
The Hungry Saw é um álbum muito bom e dele destaco faixas como: "Yesterday Tomorrows", "The Flicker Of A Little Girl", "The Other Side Of The World" e por fim as maiores que a vida "Mother Dear", "Boobar" e a magistral "The Turns We Took ". A faixa "Mother Dear" tem a característica muito curiosa de atravessar 3 estados de espírito... para receber a redenção na seguinte "Boobar", do típico romance falhado.
Deixo-vos com uma actuação dos Tindersticks ao vivo num programa de TV, onde apresentaram o tema "The Flicker Of A Little Girl".
Tindersticks no Festival de Sudoeste no passado dia 8 de Agosto.
Eu vi o concerto deles pela SIC Radical e adorei-o.
A ideia de ter Tindersticks em plenos concertos de Verão vai um pouco contra a concepção destes festivais. O facto estranho destes concertos de Verão é que também pegam em bandas que funcionam muito melhor no intimismo das salas menores e os lançam para audiências gigantes ao ar livre, que estão lá principalmente para verem as outras bandas que são cabeça de cartaz desse dia. esses factores funcionaram contra a banda que mesmo assim deu um concerto bom e ao seu nível.
Achei o concerto mágico, concentrado totalmente no excelente recente álbum "The Hungry Saw", onde no alinhamento juntaram ainda algumas faixas de álbuns anteriores (as excepções e o relembrar do legado da banda).
Em termos de comunicação com o público, Staples continua o mesmo de sempre mas ainda mais apático. No entanto ofereceu uma actuação rigorosa e uma banda muito bem composta. Devemos pensar que esta banda Tndersticks está a renascer com novos elementos e percebeu-se bem na forma como dão os concertos. A saída de muitos dos antigos elementos originais não fez estragos na sonoridade e onde se ressalva uma maior aproximação das guitarras (acústicas e eléctricas) e do piano.
Alinhamento no SW: Intro (Hungry Saw) Yesterday Tomorrows (Hungry Saw) The Flicker Of A Little Girl (Hungry Saw) The Other Side Of The World (Hungry Saw) E-Type (Hungry Saw) If You're Looking for a Way Out (Simple Pleasures) Say Goodbye To The City (Waiting For The Moon) Travelling Light (Tindersticks 2) Her (Tindersticks 1) Mother Bear (Hungry Saw) Boobar (Hungry Saw) The Turns We Took (Hungry Saw)
Vou abrir uma nova secção aqui no meu espaço onde me dedicarei a apresentar um video musical...
A estrear começo pelo disco que não me sai da cabeça há alguns meses:
Tindersticks - The Hungry Saw (2008)
O video desta estreia é uma versão acústica do tema-título "The Hungry Saw", tocada e cantada apenas e só pelo vocalista da banda, o Stuart A. Staples.
A minha review sobre o fabuloso "The Hungry Saw", o recente álbum dos Tindersticks, pode ser apreciada aqui.