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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cinedupla: Speak (2004) + Adventureland (2009) - a jovem actriz Kristen Stewart

Há uns tempos atrás, a propósito de mais uma das minhas criticas (pseudo)cinéfilas, escrevi o seguinte na introdução :

"O tema da juventude é sempre uma boa fonte para se criarem filmes com historias em redor do tema. Há montes deles e continuará sempre a haver milhentos mais. Contudo, aqueles que mais aprecio são os que ainda conseguem manter uma base de realidade."
E continuava expondo melhor as minhas razões (ver mais clicando aqui) mas não é esse o objectivo do artigo.
Desta vez surge a oportunidade de voltar ao mesmo e assim dedicar desta vez a rúbrica "Cinedupla", onde o maior ponto em comum é novamente a adolescência e o turbilhão de acontecimentos incontroláveis que acarreta. E é um cinedupla porque também há um outro ponto em comum que é a jovem e muito promissora actriz Kristen Stewart, pois se encontra em ambas as sugestões.



É muito conhecida pela saga "Twilight", onde vive um triângulo amoroso entre um vampior e um lobisomem. Contudo, não são esses os seus melhores filmes, apesar da enorme fama. Já esteve junto da grande actriz Jodie Foster (que perceberão, ver entre ambas algumas semelhanças de inicio de carreira) no filme de David Fincher "Panic Room" e desde então que não tem parado de fazer coisas interessantes e sabe arriscar. Fazer "Twilight" foi uma necessidade de projecção à escala mundial mas temo que a saga vampírica de tão fraquinha e por vezes patética, lhe coloque o estigma da eterna "Bella" indecisa, num papel onde esta menina (de grande potencial talento em evolução como actriz) nunca sobressai em momento algum, atingido mesmo o rdidiculo.
Do lado dela há algo que lhe fica a favor, pois ela não se pode fazer valer de atributos de formosura fisica, pois nisso não os tem (coitadinha neste departamento), excepto alguma beleza discreta e muito comum para se destacar. Tal como Jodie Foster se demarcou, esperemos que o faça sempre como actriz de performances cada vez melhores...


Cinedupla: Speak + Adventureland

O que acho de cada um destes dois filmes:

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cinedupla: Niagara (1953) + Kiss Me (2004 -PT)

Sem inspiração para fazer um mero post de jeito aqui neste pasquim perdido na blogoesfera, acabei de a encontrar pelo excepcional blogger Francisco Rocha, do My One Thousand Movies.

Vejam só que deu-me até uma razão para recuperar a minha antiga rúbrica das "sessões" duplas, as criticas aos pares. Sim, se uma minha critica já é por si longa, quando o artigo é composto por duas... é mesmo massivo e expansivo!  (But... who cares here?)


E o que pode haver de mais inspirador do que a musa das musas, a deusa-mor das deusas cinéfilas... que a eterna sex-bomb Marilyn Monroe?


Nenhuma!
(ora bem... quer-se dizer...)


Avancemos então para as criticas a: Niagara (1953) + Kiss Me (2004 -PT)





quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Cinedupla: Ice Castles + The Cutting Edge: Fire and Ice (tele-filmes)

Dois telefilmes dedicados à patinagem artística...

Nada de mais por aqui sendo apenas duas propostas de cariz muito honesto e sem altas pretensões. No fundo, o que mais aprecio de ambos é a história (que por pouco uma mesma sinopse daria para os dois...) e alguns valores de vida que ambos deixam (mesmo sendo os clichés do costume).
No fundo, ambos lidam com sonhos por alcançar, segundas chances na vida e ainda em fundo um crescente romance entre o par patinador.
E é claro... nestas produções, os actores e actrizes são escolhidos a "preceito" (as patinadoras parecem mesmo escolhidas a dedo).




Ice Castles (2010 - Canadá)
Castelos de Gelo
Realizador: Donald Wrye
Com: Taylor Firth, Rob Mayes, Eve Crawford, Henry Czerny...



Uma jovem que desponta no mundo da patinagem-artística por ter grande amor à modalidade e que se torna alvo de todas as atenções ao entrar em competição a sério. O mais interessante é que a tragédia se abate da jovem, fazendo-a perder a quase totalidade da visão, no entanto, não deixa de continuar a competição, ocultando o facto na prova final e conseguindo arrebatar a audiência... sem ver nada e apenas com a noção da pista.
No meio de tantos clichés, o twist final é ainda assim muito interessante.





The Cutting Edge: Fire and Ice (2010 - ABC Family)
Realizador: Stephen Herek
Com: Francia Raisa, Brendan Fehr, Russell Yuen...



Dois jovens amargurados por estarem arredados da competição no gelo, são inesperadamente desafiados por um famoso treinador, constituindo-se assim numa oportunidade de redenção das carreiras… ou algo assim, com todos os clichés do género.
Fraco e demasiado televisivo mas até que entretem...

Os ridiculos impedimentos não permitem sequer a visualização do trailer no nosso país. Portanto, é ver no YouTube... e ironicamente, na integra até!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cinedupla: The Time Traveler's Wife + The Box (parte 2)

Parte 2 de "The Time Traveler's Wife" (+ The Box - na parte 1):

Os filmes podem por momentos nos fazer vaguear por situações fantásticas. O destaque desta vez recai sobre dois filmes que nos levam a acompanhar duas historias anormais e não lineares no argumento. Um lida com situações bizarras e o outro lida com viagens no tempo.

Curiosamente ambos demoram a chegar às salas de Portugal.
Uma outra verdade acerca desta dupla de filmes escolhida é também a de ambos terem recolhido varias reviews/criticas de pendor negativo.
Estaremos portanto na presença de maus filmes?

Talvez sim e talvez não. Depende da capacidade de aceitação de cada um...
Bem, dentro do que é a minha tolerância, de maus não têm nada, precisamente porque há por aqui mais ideias de cinema e situações intrigantes do que se esperaria. Digamos que são dois contos fantásticos em forma de filmes...



The Time Traveler's Wife
A Mulher do Viajante do Tempo
[2009]

Realização: Robert Schwentke
Com: Rachel McAdams, Eric Bana, Ron Livingston, Brooklynn Proulx, Arliss Howard, Stephen Tobolowsky...


Este filme arranca com uma sequência dum automóvel em andamento. Cena nocturna, com mãe e filho a presenciarem algo inexplicável a passar-se com o menino durante um acidente. Ela morre mas o menino havia se tornado intangível e surge no mesmo local com uma diferença: viajou no tempo. Voltamos a vê-lo, momentos depois mas já duas semanas antes do acidente, em casa onde ele se vê com os pais. É visitado por um adulto a surgir nas mesmas condições. Este diz-lhe que ele vai ficar bem. Contudo, esse adulto é na verdade ele mesmo, Henry (Eric Bana), só que uma sua versão mais velha, que surge para o tranquilizar. Isto acontece nos anos 70... e ficamos assim a saber que Henry sofre duma rara disfunção genética que o faz viajar no tempo, sem que ele tenha qualquer controle para onde, quando e a que tempo irá parar.
Anos 90... Henry numa das suas paragens temporais depara-se com a jovem Clare (Rachel McAdams). É a primeira vez que Henry a vê no entanto não parece ser um desconhecido para ela, que parece bem mais entusiasmada por o rever...




Estamos perante um filme que lida com os paradoxos temporais e das viagens no tempo, aqui servido como uma história romântica repleta de situações anormais devido à não linearidade das linhas de tempo diferentes do casal.
O filme segundo se sabe enfrentou varias difículdades para ser concretizado, facto que lhe impôs uma longa gestação e grande atraso na estreia do filme nos EUA (levou anos a estrear e acabou por ser em 2009). Em Portugal foi somente esta semana em 2010... que é quase um ano depois.

Porém o resultado final é para mim bastante satisafatorio sendo mesmo o melhor do filme, todas as questões intrigantes que nele despoletam. A abordagem, tal como o título reflete é nos orientada para a linha temporal dela, que vê o seu amado ao longo de toda a relação em estados diferentes ao longo da sua vida. Conhece-o na infância num estado de homem quarentão, depois jovem e com a evolução do seu crescimento vai conhecendo-o em diversos estados de idade alternados.

E dito isto, apesar de o filme não colocar a questão não deixou de me intrigar o facto de parecer que ela aceitou facilmente viver naquelas condições incertas, uma relação onde o seu parceiro é "variável" pois tanto pode ter 20 anos como 40 ou 30 etc... Se bem que a determinada altura esta componente lhe deu imenso jeito para ela "trair" o marido de forma invulgar.
O filme conserva ainda uma outra parte da história que o conduz para um novo estagio de complexidade envolvendo o desejo de ter um filho e de onde surge uma pertinente conversa médico cientifica. E sim... têm uma filha com muito custo. No geral, as situações foram bem colocadas e das mais curiosas é o dia do casamento, onde várias versões dele salvam o dia.


Henry: I never wanted to have anything in my life that I couldn't stand losing. But it's too late for that. It's not because you're beautiful and smart. I don't feel alone anymore. Will you marry me?
Clare: No. I didn't mean that. I just wanted to try it, to say it, to assert my own sense of free will, but my free will wants you.
Henry: So it's a yes?
Clare: Yes, of course.


Este filme lida com muitos dos paradoxos ligados ao tema e de certeza agradará bastante a todos os que apreciam a temática das viagens no tempo (e aos "Losties" poderá também agradar). Depois de visto o filme, permite-nos juntar todas as peças tais como o porquê de ele querer ver o diário dela, as roupas no bosque, etc, pois torna-se como uma engrenagem que é sempre inteligente ao agruparamos os avanços e recuos da narrativa.
Poderia ser ainda melhor... mas tal como o é, agradou-me por conseguir ser bastante interessante e invulgar.
A ver!

Classificação:
Bom
7,5/10

Cinedupla: The Box + The Time Traveler's Wife (parte 1)

Parte 1 de "The Box" (+ "The Time Traveler's Wife"  - na parte 2):

Os filmes podem por momentos nos fazer vaguear por situações fantásticas. O destaque desta vez recai sobre dois filmes que nos levam a acompanhar duas historias anormais e não lineares no argumento. Um lida com situações bizarras e o outro lida com viagens no tempo.

Curiosamente ambos demoram a chegar às salas de Portugal.
Uma outra verdade acerca desta dupla de filmes escolhida é também a de ambos terem recolhido varias reviews/criticas de pendor negativo.
Estaremos portanto na presença de maus filmes?

Talvez sim e talvez não. Depende da capacidade de aceitação de cada um...
Bem, dentro do que é a minha tolerância, de maus não têm nada, precisamente porque há por aqui mais ideias de cinema e situações intrigantes do que se esperaria. Digamos que são dois contos fantásticos em forma de filmes...


The Box

Realização: Richard Kelly
Com: Cameron Diaz, James Marsden, Frank Langella...


O regresso de Richard Kelly aos filmes e a narrativas invulgares!
Este realizador-autor é somente o criador de "Donnie Darko" (rever o artigo da apreciação deste filme), simplesmente um dos maiores filmes de culto da década passada.

A verdade é que Kelly depois da sua genial estreia em 2001 com o seu "Donnie Darko" não voltou mais a conseguir erguer um novo colosso como tanto se desejava e esperava dele. "The Box" é assim o filme que assinala o regresso deste autor, naquele que é como o próprio afirma como sendo o seu projecto mais pessoal e de novo ambientado numa ideia complexa.

"I have an offer to make. If you push the button, two things will happen.
First, someone, somewhere in the world, whom you don't know, will die.
Second, you will receive a payment of one million dollars.
You have 24 hours."

A premissa do filme remete imediatamente para algo anormal. Um dia um casal vê-se perante um dilema colocado sob a forma de uma caixa que uma misteriosa pessoa lhes deixou à porta de casa com um bilhete que regressará. A caixa tem apenas um enorme botão, que se for premido até ao regresso de quem a entregou, a vida financeira do casal melhorará com uma avultada quantia em dinheiro: 1 milhão de dolares!
A única condição desta proposta é que ao premirem o botão alguém que desconhecem morrerá.



Este não é um filme normal no sentido de contar esta história elíptica. É o dilema da decisão que este filme nos entrega e depois de decidido e premido nada mais pode ser evitado.
Logo ao inicio somos presenteados com uma cena de introdução ao filme que nos parecerá desconexa, pois toda ela é estranha e intrigante mas que mais tarde terá a sua justificação. Depois suspense que se vive perante a caixa e o premir do botão é um dos pontos chave do inicio.

O casal decide-se a premir o botão à ultima da hora. O mutilado dono da caixa regressa, entrega a mala com o dinheiro e lhes comunica que desconhece para quem irá a caixa a seguir, deixando implícito que da decisão do próximo "cliente", a pessoa que morrerá será um deles, incluindo o filho... Não há lugar para arrependimentos ou inversão do processo. E estranhos acontecimentos vão surgindo a este casal, como se a vida começasse a andar para trás...

Estas são linhas gerais de "The Box" cuja história é baseada num pequeno conto muito antigo e que Richard Kelly o tomou como base para fazer algo mais do que realmente aparenta.

No fundo, "The Box" ambienta-se também como uma obra de ficção cientifica com contornos de terror fantástico, só que Kelly optou por tornar tudo isto ainda mais estranho e intrigante, chegando o filme a atingir momentos bizarros completamente e até com um desenrolar aleatório.

É como se Richard Kelly pretendesse a espaços usar o estilo de David Lynch. Até o consegue mais ou menos só que caiu no pecado de querer alcançar uma grandiosidade e níveis de complexidade (à lá Donnie Darko) que não ligaram totalmente bem e se revelam excessivos. É como se dentro do filme, entre a resolução desta interessante premissa ele se decidisse a contar outro filme condicionado para o resolver em função da "outra" história que começou. Terminado o filme fará com que se pergunte sobre o que é que realmente se passa em "The Box".

Este é um filme que não grangeou simpatias da critica e na bilheteira. Não é descabido pois o filme tem a sua cota parte de pretensioso e de criar complexidades desnecessárias.

Contudo, eu gostei muito de todo o filme e até de Cameron Diaz que, apesar de não ser uma grande actriz, desta vez conseguiu-me transpor os dilemas interiores da personagem. É talvez mesmo a sua prestação mais interessante que já vi (em "Vanilla Sky" também esteve bem) e ela consegue marcar o tom certo ao filme que carrega.

Num certo ponto se tira uma conclusão de que Richard Kelly gosta de nos colocar a fazer conjecturas e também de usar a água quer seja como um recurso estilístico-visual... quer sendo um facto de importância até. Sim... é que água em bloco e suspensa no ar é mesmo impressionante e invulgar.


Martin: Sir? If you don't mind my asking... why a box?
Arlington: Your home is a box. Your car is a box on wheels. You drive to work in it. You drive home in it. You sit in your home, staring into a box. It erodes your soul, while the box that is your body inevitably withers... then dies. Whereupon it is placed in the ultimate box, to slowly decompose.
Martin: It's quite depressing, if you think of it that way.
Arlington: Don't think of it that way... think of it as a temporary state of being.


Eu percebi o filme e até acho que o "The Box" é intrincado demais para algo que... depois se percebe ser nada de mais afinal! É obvio que se este filme parte de uma história simples e Kelly a ampliou... que muita coisa teria de ser adicionada ao filme. "The Box" procura durante todo o tempo ser mind-blowing e Lynchiano, amarrando-me do principio ao fim, surpreendendo com muitas das ideias visuais e conceitos escondidos nesta história tais como as abduções, teletransportes, seitas e mais alguns temas/assuntos bem bizarros (um pé com menos dedos por exemplo)... tudo isto envolvido em conspirações mergulhadas em mistérios existênciais que conduzem a um fundo moralista.

Recomendado aos curiosos por histórias bizarras. Não se fica indiferente com este filme e produzirá apreço ou ódio. Eu adorei!



Classificação:
Bom
7/10



Ver mais reviews neste artigo com mais opiniões de quem apreciou e o que dizem do "The Box".
Continuar para a segunda parte deste cinedupla, clicar aqui.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Cinedupla (nostalgia): Tartarugas Ninja... o 1º filme já faz 20 anos!

Ora aí está um filme que quando era um teenager me deliciou ver no cinema (foi na velhinha sala do Cinema Sandim que o vi):
"Teenage Mutant Ninja Turtles" (1990)... em live-act!


Um póster memorável... um encanto!
Um espéctaculo divertido e em imagem real.

Go ninja, go ninja GOOO!!!!

As tartarugas ninja, só as conhecia de leve dos desenhos animados e a transposição para live-act foi muito interessante pois, para a altura, parecia muito credível (ainda não havia grande coisa de CGI). Depois havia um detalhe que me preenchia de imediato o imaginário: ninjas! É... no final da década de 80 e inicio dos 90's, as artes marciais eram a delicia e então quando metia ninjas... nem se fala. Para o tipo de filme que é este material até que neste capítulo estava bem bom.



Podemos nos dias de hoje aludir que isto é cinema xunga para os novos standards dos dias de hoje, mas como jovenzinho eu adorava... e as lutas eram convincentes... e havia sempre truques e muita pizza (até um herói tem de comer pois)!

Tal como em filmes de super-heróis, aqui somos presenteados com a origem destas criaturas falantes (e não só) com nomes do Renascentismo (Rafael, Leonardo, Michelangelo e Donatello) e os vemos a evoluir, incluindo a aprendizagem das artes marciais ninja pelo mestre Splinter, um rato com ares de Yoda.

O vilão... anda para lá esse autêntico cliché de intenções, mas que... ora bem, isto é tudo infantilizado, portanto dá para se imaginar o resto.
Ahh... e cada tartaruga ninja tinha a personalidade própria, a respectiva cor e uma especialização numa arma distinta - adagas, matracas... tudo demais e irrecusável para um "chavalo"!

Depois mais tarde surgiu a obrigatória sequela pois se o 1º filme custou pouco e rendeu imenso, teria de ter uma rapidamente. Assim lá surgiu:

"Teenage Mutant Ninja Turtles 2 - The Secret Of The Ooze"...



...que se revelou não ser tão bom mas que justificou ser visto de imediato (e no cinema). Naquela altura, marchava tudo... (até o "Street Fighter" com o Van Damme ou Robocop 2+3 e parecidos, eram vistos como fixes).

Esta sequela pelo meio até tinha um live-show com o rapper Vanilla Ice (o quanto eu gostava deste white-rapper... mais que do dançante rival MC Hammer -mas isso é outra história... tum tum tum tururunrum "Ice Ice baby").
A história desta sequela foi tão memorável que... e qual era a história? Who cares? Era mais tartarugas ninja e isso já chegava, para os padrões do adolescentezinho que ainda era.


Actualmente esta saga foi recuperada em animação CGI (o estilo 3D á laia da Pixar) em 2007 com o "TMNT"... e sinceramente perdeu muita da graça que tinha.
O ar artesanal é que dava piada á coisa...

Como o tempo passa... o 1º filme já comemora 20 anos!!! Uau!

Go ninja, go ninja GOOO!!!!

terça-feira, 23 de março de 2010

Cinedupla: Orphan + Case 39

As crianças têm sido utilizadas nos filmes na maioria das vezes para nos sensibilizarem pela ternura das suas participações. Obviamente que existirão muitos mais objectivos mas um deles muito particular é quando são elas próprias a razão do mal nos filmes de terror (ou quase).
Há imensos clássicos nesta temática, sendo que imediatamente se pensará no "Exorcista", no "The Omen", "Poltergeist", etc.
Porém, nem sempre estamos perante o terror demoniaco e as duas propostas que deixo tentam contrariar esse ponto. Se bem que um deles não o abdica...




Orphan 
(2009)
Com Vera Farmiga, Peter Sarsgaard, Isabelle Fuhrman... 


Um casal vive o trauma familiar da perda de um filho (ainda durante a gestação). Devastados, principalmente ela (Vera Farmiga), com o intuito de dar um novo alento familiar, decidem adoptar uma criança. O processo de escolha da melhor candidata surge quase automaticamente pois ficam rendidos ao encanto de uma certa menina do orfanato, a Esther que é extremamente bem educada, asseada, culta e pela qual nutrem uma empatia enorme (especialmente ele, que vê nela a criança ideal).
Contudo, à medida que vão vivendo com esta menina nem tudo parece tão normal assim, sendo que a nova mãe-adoptiva, sente que algo de mais estranho acompanha esta criança, que manifesta exigências e hábitos pouco convencionais. Ao o contrário do marido, que a desacredita continuamente, fazendo-a atingir o ponto de loucura e instabilidade. Até que, as provas da investigação da esposa sobre o passado desta criança revela uma outra realidade e... já é tarde de mais, para evitar a instalação do mal no seio desta família.


Ora bem... "Orphan", dito assim faz crer que estaremos na presença de mais um evil-movie mas na verdade não é isso que se passa. É um filme bastante mais interessante do que isso e prova que por vezes as surpresas podem ser maiores do que esperamos. Além da prestação excelente dos actores que interpretam este casal, o que realmente sobressai depois de visto todo o filme é a assombrosa performance da menina actriz Isabelle Fuhrman, que nos convence literalmente durante os vários estágios da sua personagem.
Um magnifico filme, surpreende até ao fim, que não se esquece facilmente (o twist final é muito bom) e altamente recomendado. Adorei!!!

Classificação:
7/10
Bom




Case 39
(2009)
Com: Renée Zellweger, Jodelle Ferland, Ian McShane, Bradley Cooper...


Para juntar a esta sessão dupla, um outro caso, desta vez curiosamente numa situação oposta.
A personagem de Renée Zellweger (que carrega todo o filme aos ombros), Emily, é uma experiente assitente social que não vira costas às situações que possam vir a tornar-se de perigo para crianças em situações de maus tratos. É precisamente devido a este sua maneira que uma dos muitos casos que tem em mãos, lhe aterra na secretária. O caso 39 denuncia uma indefesa criança perante pais que a tratam mal e inclusive até a tentam matar, facto que só impedido pela persistência da assistente social.
A perturbada criança, a Lilith, agora com os pais presos, é então encaminhada para os serviços sociais para o abrigo de uma nova familia... que ela rejeita por sentir solidão e com todo o seu encanto consegue convencer a ficar com a assistente social que a salvou.
Contudo, aquilo que era uma boa acção de Emily para o bem estar de Lilith... transforma-se num autêntico infernal pesadelo (literalmente).


Este é um filme com pretensões de ser algo melhor mas que resultou apenas mediano (apesar de ter um inicio que gostei muito), onde a minha maior curiosidade era ver o desempenho de Renée Zellweger num papel invulgar (que se safa bem da tarefa) nos ambientes de terror. Porque na verdade é isso mesmo que este filme é, o género terror. Contudo e anormalmente, este filme conduz a sua boa categoria do inicio para um final algo desanimador por lhe faltar a ousadia que o filme parecia nos querer conduzir.
Foi pena pois tinham aqui bom material para explorar, com uma situação pertinente nos dias de hoje (os maus tratos infantis) abordando a psique de uma franja dos serviços sociais. Até porque esta assistente social também vive os seus traumas...

Se o dividisse em 3 partes, na minha apreciação seria algo assim:
1ª parte Excelente  +  2ª parte OK  +  3ª parte Fraquita.

Eu gostava que tivessem colocado esta ordem ao contrário...
Não por o filme estar mal feito (que não o achei mau), pois o inicio é de um mistério entusiasmante mas precisamente pela forma como termina, com um certo tom de cliché deste género... deixando uma sensação de desilusão por não surpreender na sua resolução. A ver por curiosidade...

Classificação:
5,5/10
Decente

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cinedupla: Eden Lake + The Strangers

A sessão dupla desta vez recai sobre ser atacado por estranhos. Tema que daria para eleger montes de filmes mas é somente um pretexto para deixar umas linhas a dois filmes que me impressionaram favoravelmente.


Eden Lake


Um casal planeia um final de semana numa pequena localidade sossegada junto a um lago, como uma forma de escape ao ritmo das suas vidas agitadas. Ela, que profissionalmente lida com a educação de crianças, não imagina que a ocasião foi escolhida de propósito por ele para a propor em casamento.
Nunca imaginariam era que naquele cenário de sonho, onde acamparam junto ao lago, seriam importunados por um grupo misto de crianças e adolescentes.
De simples embirranço com eles, dá-se um infeliz incidente e o casal vê-se subitamente atacado de forma implacável pelo pequeno grupo de tão jovens adolescentes. A partir daqui entram numa espiral de luta pela sobrevivência...



"Eden Lake" aborda o ponto a que a violência extrema dos adolescentes em grupo pode chegar, que com a sua impensável selvajaria vão se virar terrivelmente contra o "indefeso" casal, que tudo fazem para se livrar de semelhante violência. Contudo, a ironia maior revela-se quando a "indefesa" mulher perante tão brutais acontecimentos se decide a ripostar... ela que dedica a vida a tão bem tratar e educar as crianças, cede à natureza primitiva da condição humana. Faz também uma subtil reflexão sobre o papel da sociedade e a educação familiar.
Um filme magistral e impressionante. Passa actualmente nos canais TVCine...



The Strangers


Segundo a informação inicial do filme, trata-se de uma adaptação de uma história baseada em factos reais, onde se tenta nos dar a entender o que sucedeu com um casal, como qualquer outro, que foi brutalmente massacrado, sem se saber o porquê e por quem.

"The Strangers" passa do drama a uma leve toada de filme de terror soft e psicológico. Instala desde o inicio uma tensão, primeiro entre o casal, devido ao facto de ela ter recusado o pedido de casamento dele, e consequentemente depois pela presença enigmática de estranhos no exterior da casa... que se anunciam batendo na porta... instalando o receio e a perturbação.
Não há aqui qualquer tipo de efeitos extra para lá do uso do som e de uma filmagem simples mas muito realística. Tudo se desenrola sem sabermos porque tudo isto está a acontecer e quem são.
Impressiona.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Cinedupla: Moon + Avatar

Os filme de ficção cientifica têm sido férteis em nos mostrar possíveis futuros. O artigo de hoje tem em comum o facto de no futuro, uma das fontes de energia para o nosso planeta passar por ser a extracção de minérios de outros planetas... neste caso mais especificamente em luas.
Na realidade, esse é um mero ponto de condução de duas obras sci-fi que na verdade revelam bem mais do que isso.




Moon - O Outro lado da Lua


Estamos perante um filme de estilo sci-fi à moda antiga, digamos quase um herdeiro fiel da obra-prima de Stanley Kubrik, o "2001 - Odisseia no Espaço". "Moon" tenta nos mostrar uma abordagem muito realística e possível do futuro e da exploração espacial, que aqui mais parece estar a lidar com tecnologia idêntica à que actualmente quase temos.

Uma base lunar, na Lua do planeta Terra, onde o equipamento tecnológico se auto conduz na tarefa base de extracção de minérios da Lua, que representa cerca de 70% da energia do nosso planeta. Tudo é automatizado e conduzido pelo super-computador GERTY, um automatismo com inteligência artificial e que fala (voz de Kevin Spacey). Mesmo assim a presença humana é necessária para assegurar e verificar que esta missão corre como esperado, inclusive monitorizar problemas com as máquinas. É neste cenário que encontramos a única pessoa da base Lunar, um homem que tem um contracto de 3 anos para lá permanecer e que findo esse tempo se encontrará livre para regressar á sua familia, que apenas mantém contacto por video-conferência. Contudo, o cenário com que "aterramos" em Moon além de tudo isso mostra-nos não só isto mas também a presença de alguns problemas que começam a afectar a tranquilidade deste solitário humano (Sam Rockwell). O satélite que faz as ligações á Terra, há algum tempo que não obtém a ligação, facto que o atormenta por se ver sem qualquer contacto do exterior e nada mais saber, visto o seu tempo estar prestes a terminar. Ao mesmo tempo, começa também a sofrer alguns problemas de saúde... e no seu desespero e curiosidade. Toma algumas acções que lhe irão revelar muito mais do que imaginaria.



Ora bem, este é um filme que tem um enorme twist final. Quer se dizer, a meio do filme surge uma inconsistência que nos faz suspeitar que há algo mais nesta história. O twist revela-se com contornos trágicos, sendo inclusive parte de um plano maquinal bem mais horrível para a condição humana e levanta questões sobre o verdadeiro avanço da ciência e tecnologia.
É apartir deste ponto em que notamos o enorme papel que o sistema de inteligência artificial desenvolve para poder adequadamente servir este solitário homem. E nesse ponto torna-se tocante ver que de toda a Humanidade apenas uma máquina sentiu compaixão por ele e pelo nefasto plano onde se encontra inserido. Restou a GERTY um acto de humanidade.

Um belo filmaço, simples e maravilhoso.
Recomendo!




Avatar

O filme sensação do momento, a bater recordes nos cinemas de todo o mundo. James Cameron está a deslumbrar o mundo com a sua mais recente criação. E que criação!
Para já neste momento é já o filme que mais receitas fez nas salas de cinema e curiosamente o segundo na lista (o Titanic) é igualmente deste realizador. É obra!

Vou saltar o resumo do filme (ver mais aqui) e opinar sobre o que absorvi deste filme na versão 3D.
A história pode ser vista como simples (o filme que mais vezes me recorda este filme é até a animação "Battle for Terra", na sua essência até quase igual) mas o tom de épico e da descoberta deste novo mundo, uma hiper-realidade impressionante, até dá a vontade de lá estar fisicamente.

O primeiro ponto importante é realmente o nível incrível do avanço visual do filme, que com Avatar fica confirmada a indistinção do que é imagem real e do que é gerado digitalmente. A simbiose alcança aqui níveis tais de perfeição que já não se pode ignorar que tipo de papel reserva o futuro dos actores no mundo da representação. Poderemos estar a ver já aqui uma via que contarão os actores no futuro: apenas representar (os gestos, movimentos, expressões, a voz, etc) sem com isso terem de serem vistos realmente por nós ( talvez ganhe como ponto positivo o facto de deixarem de ser vistos pela sua beleza -e formas- e mais pelo que dão aos filmes).

O outro ponto, o mais importante de todos, é a tridimensionalidade que Cameron deu ao filme.
Na verdade, Cameron não pretendeu fazer o mesmo que se faz quando se usa o 3D, que é na realidade fazer chegar a imagem da tela para se aproximar para junto do espectador. Aqui o seu principal objectivo foi afastar ainda mais aos elementos visuais de maneira a criar um novo efeito, que é ver para lá da tela. Não foi bem apenas dar profundidade á imagem... é mais que isso. Esta foi a primeira vez que a tela do cinema se comportou mais como uma janela ou até melhor... como um simples vidro por onde estamos a espreitar.
E o que está do lado de lá? Um mundo totalmente novo e nunca visto.

É quase como se fossemos convidados a assistir como autênticos voyeristas, facto do qual Cameron esteve sempre consciente disso e não se escusou de realizar inúmeras cenas cujo ponto de vista é exactamente o nosso. As cenas do momento em que Jake toma posse do seu avatar e corre no exterior, as cenas do militar mauzão a explicar aos militares os objectivos da missão logo ao inicio com a câmera a navegar ao nível das cabeças, o efeito montanha russa visual quando Jake voa no seu animal e mergulha pelo precipicio, etc. No fundo o 3D aqui serve para dar a sensação de que existe infinito para lá da tela e o truque é sempre bem conseguido. Depois há ainda os efeitos para o lado de cá da tela, que provocam uma nova sensação de proximidade e de espaço ainda maior. Cameron não exagera muito neste efeito mais externo do 3D mas quando o usa surpreende.

Um ponto curioso é ver que Avatar reúne uns poucos elementos de obras anteriores de Cameron. Ver a actriz Sigourney Weaver e as máquinas de guerra tipo exo-esqueletos como se viu em "Aliens" é o facto que mais saltará à memória.
Ao nível das interpretações a personagem que mais apreciei e mais vezes me parece ecoar das suas falas é o "Colonel Miles Quaritch", interpretado pelo actor Stephen Lang. A sua pronúncia e entoação são marcantes ("Real legs...")

Avatar é um grande filme, de história simples é certo mas igualmente adequada ao exercício visual que era pretendido realizar. Como agora se sabe que vai haver mais duas sequelas, ainda haverá oportunidade para o que se conta ser mais rico ainda ao nível do argumento.

Avatar, é um dos melhores e mais importantes filmes de 2009!
E quem o confirma também são os elevados números da bilheteira.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cinedupla: Unborn + Paranormal Activity

Desta vez dois filmes muito opostos em execução mas que têm em comum o facto de terem um enorme mistério paranormal (a possessão) a alimentar tudo o que passa diante dos nossos olhos. Contudo, um continua o estilo gore de sempre para provocar visualmente e o outro recupera o soft-terror de insinuação (o que até é bom este regresso á simplicidade).


Unborn - O Espirito do Mal
Mais algumas fotos promocionais, podem rever aqui.


Realização: David S. Goyer
Intérpretes: Odette Yustman, Gary Oldman, Meagan Good, Carla Gugino, etc.

Sinopse
“The Unborn” conta a história de Casey Bell (Odette Yustman), uma rapariga que em toda a sua vida nutriu um ódio pela mãe, por esta a ter abandonado quando era criança. Mas quando começam a suceder diversos eventos inexplicáveis, Casey começa a entender as razões pela qual a mãe fugiu. Atormentada por pesadelos terríveis, ela decide recorrer a um conselheiro espiritual (Gary Oldman), o único que a pode ajudar a descobrir uma maldição familiar que remonta à Segunda Guerra Mundial.

Trailer:


Tinha uma expectativa maior sobre este filme mas depois de visto como tudo se conduziu para um clímax fraquito, embora não desapontando totalmente, a sensação que deixa é que se desperdiçou algo que poderia ter sido bem melhor. Aqui conta-se a história de uma entidade maléfica (ainda criança) que pretende regressar ao mundo dos vivos.

Entretém enquanto dura mas devido aos nomes envolvidos (o realizador/argumentista e um ou outro actor) e filme não se mostrou à altura. Faz recordar em certos momentos filmes como o "Ju-on" e "O exorcista" com uma ou outra variante mas nada demais. Dá para ver e não desgostei mas poderia ter sido melhor...
Vai dar este mês nos canais TVCine.

Classificação:
5/10



Paranormal Activity

Sinopse e trailer para rever aqui.
Se há uma conclusão a tirar é a de que o filme de terror sai mais beneficiado quando se sugere mais do que se vê. Aqui não há monstros, sangue a rodos, efeitos visuais de outro mundo e outros tantos artifícios normalmente utilizados para assustar. O que há é o temor de algo que não se vê o quê mas realmente anda por lá. Este também não é um filme com a grandiosidade de "cinema" pois na verdade é mais como um home-movie, um autentico filme caseiro muito engenhoso.

Um casal decide passar a filmar constantemente o seu cotidiano em casa no intuito de apanhar o mistério que os incomoda. E sim, o mistério é sobrenatural e será fatal para ambos, pois na verdade o espectador acaba por ser mais um "voyeur" destas fitas que sobraram para contar esta história.

Este filme mais do que a sua narrativa (inexistente) incute a vontade de o seguir pela curiosidade da situação. No fundo passamos também a esperar que algo suceda e se manifeste. E é quando as manifestações inexplicáveis acontecem mesmo que se dá o clique e passamos a querer que mais estranhezas se revelem na esperança de sabermos o que é.
O que ressalvo é que com tão pouco ou quase nada se coloca quem o assiste num estado de suspensão e suspense tal que o mais pequeno barulho ou evidencia em imagem, tornam-se terríficos. Não dá para nos borrarmos de medo mas vai marcando impressão o desconforto de tudo o que sugere, que perdura depois de visto o filme. O final, ou melhor um dos dois finais, sendo o alternativo (aquele onde participa a policia) a resultar bem melhor que o theatrical ending (aquele mais gore onde a entidade ataca a câmera).

Há imensos filmes como este que falsamente nos tentam induzir que tudo isto é realidade. Rec, Cloverfield e tantos outros por aí, contudo este tem como maior semelhante o "Blair Witch Project" pois partilha dos mesmos artifícios e material identico. Contudo, este até mostra bem mais e a situação é realmente pior que a sugerida no "Blair Witch". Não me parece ser um filme que resista a mais que a 1ª visualização pelo que todo o impacto resultará dessa unica vez. Até porque não tem assim muito para a sobrar para ver...
É uma experiencia interessante e que realmente sai ampliada com gente ao lado (e se forem impressionaveis ainda melhor).
É pena um filme tão simples e barato como este não ter sido feito em Portugal. É que teríamos meios para fazer um filme assim... Repare-se no quanto já rendeu.
Apesar de tudo o que dizem por aí... gostei imenso de ver!

Classificação:
7/10

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Cinedupla: Dogville + Dancer In The Dark (Lars Von Trier)

Desta vez, o cinedupla é dedicado ao realizador Lars Von Trier, recuperando dois filmes marcantes. Este artigo tem influência no ciclo dedicado a este realizador que um grupo de blogs realizou em Outubro'09.

Escusado será dizer nas criticas de cada filme que são altamente recomendados.
Isso é óbvio.

Contudo, são filmes muito duros, radicalmente alternativos e fortemente emocionais. Não são para todos os públicos, estão longe da fácil assimilação e pedem entrega de quem os assiste.

Mesmo assim... aí vai.



Dancer In The Dark (2000)


"É uma inteligente e profunda observação ao plano psicológico e humano, que nos faz engolir em seco muitas vezes, com um nó na garganta que não se desfaz nunca. E é precisamente a figura de Björk que despoleta essa sensação no espectador. É uma entrega incrível àquele que se tornou o papel da sua vida (...)
O olhar frio e calculista é soberbo, manipulando o espectador de início ao fim, torturando-o, fazendo-o sofrer, para no fim sentir a força de todo o argumento." In SplitScreen, escrito por Tiago Ramos

"Dancer In The Dark" é para mim um dos melhores filmes musicais de sempre. Onde as canções fluem perfeitamente na sua condição de alienação da realidade dura da personagem Bjork. E depois no final temos a derradeira canção dela, já em plena realidade do filme e não a da alienação... numa cena toda ela poderosíssima e duramente comovente.

O filme é tão duro que há alturas em que devido á cegueira crescente da personagem a trabalhar nas pesadas máquinas... parece que a qualquer momento vai ainda sofrer um acidente laboral e ficar amputada das mãos. Parece que até nos deixa em estado de alerta por ela... como se a pudéssemos ajudar também.

Bjork conseguiu, e duma só vez, conciliar a sua música com a arte da representação. Saiu-se muito bem na prova, sendo até nomeada para os Oscars pela parte musical. O disco que deste filme resultou é magnifico.
A Madonna ainda hoje se deve roer toda de tamanha inveja... afinal a rainha da pop tanto tentou e nunca vingou na 7ª arte e nem deixou nada assim plenamente marcante e de alto reconhecimento.
Bjork só foi actriz com este filme... e marcou definitivamente.

A verdade é que Bjork, não se encheu de vedetismos e deixou-se subjugar ás intenções de Lars Von Trier, que conseguiu obter assim o melhor dela. Bjork foi ainda quem criou as canções que passam no filme e essa foi a razão de Von Trier a convidar para as interpretar no filme pois não imaginava mais ninguém a dar vida às musicas como ela. O resultado foi uma grande simbiose artística entre ambos.

E na sua componente de filme musical, consegue o difícil equilíbrio:
É um magnifico filme? SIM!
É um magnifico musical? SIM!



Dogville (2003)



In SplitScreen (escrito por Tiago Ramos):
"Muitas das filosofias de vida intemporais admitem que para atingir o estágio final de auto-realização é necessário um total sentido de despojamento. Lars von Trier tenta fazer o mesmo com Dogville: uma obra despojada de quaisquer artifícios que, ao abdicar dos cenários e adereços, privilegia o interior de cada uma das personagens, distinguindo o essencial do supérfluo.
(...)
Dogville é uma visão pessimista do Mundo e da Humanidade mas é, ao mesmo tempo, o Cinema mais genuíno, mais cru e real que poderíamos já ter visto. Lars von Trier confirma a sua originalidade, a sua visão, o seu ponto de vista dogmático e de certa forma simplista, mas que não deixa de ter a sua razão. A maldade é aqui retratada como a única certeza do mundo."


Adorei-o no cinema quando saiu.
"Dogville" é um dos mais originais filmes e daqueles que sabe cruzar, com mestria, cinema e teatro, sob uma história que parece estar a ser contada de um livro (e aí o cruzamento também da literatura).
Já a sequela "Manderlay" fui assistindo pelo TVCine e não conseguiu me pegar tanto. Talvez estivesse num momento menos predisposto... e em casa os níveis de concentração para uma experiência destas são bem diferentes.

A maior ironia deste filme quando o vi no cinema foi que a certa altura parece que estamos numa sala de teatro: há enquadramentos que pareciam ser filmados da cadeira onde estava. Deu-me o efeito de estar a ver um palco de teatro através da tela de cinema. E depois o tipo de iluminação escura do filme ajuda imenso nas sensações que produz a quem vê.

Von Trier conseguiu ainda contrariar o vedetismo e maneirismos de Kidman e fazer com que ela, deixasse de ser até irritante e cabotina, para talvez mesmo ter feito a sua melhor actuação e performance enquanto actriz de sempre. E que grande actriz foi nesse filme!
mas não foi só ela... o restante elenco é também de eleição e muito dedicados a esta invulgar experiência.

Dogville é um filme demasiado alternativo e desafiante para quem não tem capacidade de aceitar um criação artística tão radical... e tão marcante!
Felizes dos que superam isso e o percebem, pois são esses quem são os retribuídos por Von Trier.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Cinedupla: District 9 + Battle for Terra

Desta vez a ficção cientifica em 2009 deu-nos duas propostas (entre muitas) que focam a condição da sobrevivência das espécies.

As duas propostas que aqui apresento colocam o tema em ambos os lados da situação. Se um dia o mundo onde habitamos deixasse de ter condições para o Homem viver, este teria de se lançar ao espaço em busca de um outro planeta habitável. Agora se pensarmos bem no assunto a mesma situação poderia perfeitamente acontecer a outras civilizações extraterrestres, caso realmente existam. É sobre ambas as situações que este artigo cinéfilo (amador) se dedica...


Battle for Terra (2009)
Em Defesa da Terra




Um dia, num futuro distante, o nosso planeta deixou de ter condições para existir a vida nele tal qual a conhecemos. Nessa altura a humanidade já tem tecnologia para se poder aventurar no espaço e navega pelo universo para encontrar um outro planeta semelhante ao nosso para se poder fixar e continuar a sua existência. É a partir desta premissa que este filme de animação, "Battle for Terra" nos lança numa aventura bem maior e melhor do que a sua condição de "filme de animação" esconde.
Curiosamente, este filme até subverte as regras habituais e coloca-nos no papel de vilões sem escrúpulos perante uma civilização pacifica no seu próprio planeta. Somos nós, os humanos quem invadimos e cometemos os mais diversos crimes perante os seres (inteligentes) do descoberto planeta Terra (é esse o nome em inglês - sendo o nosso Earth - não confundir com o nome português).

Como refri, este filme é bem melhor do que aparenta mas nota-se nele um certo auto-impedimento em seguir a via mais negra inerente ao desenvolvimento da história. Percebe-se bem isso pois a determinado momento começa desenvolver uma historia mais simples e até com uma resolução que acabará por ser óbvia. A razão entende-se por estarmos perante um filme de animação, gênero que normalmente vê-se obrigado a ter uma clara componente infantil (e daí comercial), facto que impede esta aventura de atingir a excelência que denotava. Mesmo assim consegue não deixar alheados os dois públicos alvos (crianças e adultos) e constituir-se como uma agradável surpresa pois contém uma excelente premissa que raramente se encontra em filmes sci-fi para os adultos e em imagem real. Aqui existem ideias de cinema e não as banalidades infantis.
Recomendo. Mesmo muito!



District 9 (2009)



Realização: Neill Blomkamp
Com: William Allen Young, Robert Hobbs, Jason Cope

Se no filme anterior, eram os humanos que chegavam a outro planeta, neste "District 9" são os extraterrestres quem chegam ao nosso planeta. Até aqui sugere uma premissa muito comum, porém o filme consegue ser bem mais interessante do que é habitual pois os "aliens" que cá chegam não se apresentam como ameaça. Até bem pelo contrário. Eles são o que resta duma povoação em declínio e precisam de ajuda. A nave não se encontra funcional e não tendo mais para onde ir, estacionam nos céus de África do Sul. Por lá ficam sem dar sinais, ficando simplesmente a gigante nave espacial a pairar nos céus.
uma situação intrigante e que até chega a colocar a população do país em clima de incerteza. Até que as forças armadas enviam uma equipa aérea para entrar na nave... e se depara com seres debilitados e a carecerem urgentemente de ajuda.

"District 9" não segue a narrativa convencional de um filme, apresentando-se como um autêntico documentário televisivo. É dessa forma que começa, com reportagens televisivas e imensas imagens de arquivo de algo que sucedeu... afinal, não estamos a seguir uma narrativa em tempo real mas sim o que se sabe dos eventos que sucederam a estes aliens.
Assistimos à ajuda humana, que lhe conferem um local para habitarem entre nós, o chamado Distrito 9, que é mantido sob vigilância constante pelas forças armadas. Em redor do Distrito 9 (uma autêntica favela imunda, floresce uma espécie de mercado negro pois descobriu-se que a alimentação possível para "eles" é a comida enlatada de gato (que trocam por equipamento extraterrestre). Ao longo do documentário acompanhamos um representante de um destacamento das nações unidas em pleno território do isolamento. Vamos igualmente percebendo que os humanos, escondem nessa aparente hospitalidade, outros interesses: obter a tecnologia extraterrestre e descobrir como conseguir activar as armas deles (que só funcionam ao toque do ADN deles). Até que um dia algo corre mal...

De documentário passa a filme de acção de ficção-científica com desenvolvimentos bastante interessantes. E alguns twists muito bons.
Há algumas observações a fazer deste filme, que foi realizado com um baixo orçamento mas que não o aparenta. Os efeitos especiais e as "criaturas" estão muito bem desenvolvidas e são muito credíveis (movimentos, detalhes, etc). Um deles é ver a deslocalização dos acontecimentos: aqui não se está em território americano mas em África do Sul, o que de certa forma acaba por essa decisão se reflectir nesse próprio povo. Depois a exposição da ganância (escondida) das supostas organizações de beneficência mundial, perante uma civilização avançada mas realmente necessitada.
Toda a parte do culminar dos acontecimentos são um must maravilhoso de assistir. "District 9" é um filme muito original, invulgar e com uma forte mensagem critica à sociedade. É um dos maiores filme-surpresa dos muitos que já vi neste ano de 2009.


Adenda: Normalmente nos filmes (e séries TV) que envolvem extraterrestres nunca se colocam a abordar questões acerca da atmosfera ou se respiram oxigénio. Afinal, seres a virem de outras galáxias poderiam perfeitamente não se adaptarem ás mesmas condições daqui. Por acaso achei muito interessante, ver que de alguma forma parte destas questões são introduzidas e bem... mas num filme de animação (neste "Battle for Terra").
Porque é que os filmes sérios não abraçam estas questões e um de animação consegue?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cinedupla: Star Trek + Terminator Salvation

Novamente um cinedupla com ficção-ciêntífica... mas desta vez a braços com dilemas maiores: paradoxos temporais!
É mesmo... poder-se viajar no tempo ou viver o presente em função de um futuro já conhecido pode criar situações de autênticos dilemas a vários níveis, desde os existenciais, dimensionais, o livre arbítrio, etc.

Afinal, o futuro estará mesmo escrito? O destino é mesmo esse futuro?
O futuro pode ser modificado? Existirá a possibilidade de o fazer?
As escolhas e opções do presente que efeitos terá no futuro já conhecido?
E outras questões assim do género...

Puxa, assim de repente esta até parece uma introdução para falar de séries como a recente FlashForward ou de Lost e Fringe... mas não é!

O artigo duplo desta vez é dedicado a dois filmes que lidam com estas situações, de maneiras diferente nestes dois casos mas que a sua trama se vê constantemente a lidar com estes temas. Eles são "Terminator Salvation" e o "Star Trek" (2009).


A saga Terminator...


A saga Terminator, começou por ser um filme que bem se poderia classificar de filme classe B.
"The Terminator" (1984) saiu-se como um filme de acção para o típico filme de músculo pois Arnold Schwarzenegger era a figura central, que apesar de vilão, lá fazia o seu papel de brutamontes musculado tão em voga na década de 80.
No entanto, este era também um filme com uma muito imaginativa história: um andróide que vem do futuro para matar Sarah Connor para assim impedir a existência daquele que é no futuro o líder da Resistência contra as máquinas e a Skynet. John Connor, o líder no futuro, para proteger a sua ainda jovem mãe, envia um soldado, Kyle Reese, uma espécie de seu braço-direito da Resistência e este lá é bem sucedido na sua tarefa com a sua própria vida. Mas o facto mais interessante é que torna-se ele o pai do seu próprio amigo. O filme tornou-se um dos maiores de culto da década e uma sequela seguir-se ia anos mais tarde.

"Terminator 2: Judgment Day" (1991) chegaria e nada mais seria o mesmo.
Veio servido do que de melhor se podia fazer em matérias de efeitos especiais. Contudo, os mesmos efeitos especiais apresentaram-se supreendentemente ao serviço de conseguir contar a história que surgia desta vez ainda mais magnifica.
James Cameron foi o realizador por trás dos dois filmes e com toda a sua mestria deu-nos um dos mais memoráveis filmes de acção e ficção-científica de todos os tempos. Ao segundo filme aquilo que parecia um óptima ideia é transformado para algo ainda mais magnifico com algumas variantes que o alimentaram ainda mais. Desta vez o objectivo é matar o próprio John Connor ainda adolescente e quem surge para o proteger é igualmente uma outra máquina. O que no 1º filme era um vilão é agora um salvador, uma máquina a ajudar a Humanidade, mas a ameaça que defronta é uma outra máquina ainda mais sofisticada vinda do futuro: um imparável e destruidor T300 feito de metal-liquido metamorfo. Tivemos grande, grande, grande filme!
Os problemas apartir deste T2 foi em fazer novas sequelas á altura do material tão inteligentemente estabelecido. James Cameron não quis fazer mais nenhum filme seguinte e o que veio a seguir não se encontrou á altura dos dois iniciais.

"Terminator Salvation" ( 2009)

"Terminator Salvation" de 2009, é assim a quarta incursão por este imaginário e chegou com imensas ambições, depois de um T3 que pouco deu de valor para a saga, além de várias sequências de acção interessantes.

Todos os filmes da saga tiveram sempre uma premissa base muito simples para evitar o futuro que aí vinha: "salvar Sarah Connor" no T1, "salvar sarah Connor e o jovem John Connor" no T2, "salvar do dia do julgamento final John Connor e aquela que será a sua mulher" no T3. De todas as vezes alguém foi enviado para o passado para assegurar o cumprimentos das missões.

Chegamos ao T4, e por já estarmos nesse futuro que não se conseguiu evitar, a premissa perdeu-se. Salvar quem desta vez? Improvisa-se... mas o mais visado desta vez é assegurar que Kyle Reese, ainda adolescente, sobreviva para que John Connor possa um dia nascer... e voltar a salvar a sua existência.

Ao quarto filme, realizado por McG, a acção já não decorre no nosso tempo para esta ser mudada para o futuro, onde encontramos um John Connor já adulto em plena guerra com as máquinas e a desenvolver a Resistência, dando esperança á Humanidade num mundo em pleno caos e já dominado pelas máquinas da Skynet. Depois há um John Connor, interpretado por Christian Bale, a remar contra o estado das coisas...
Afinal, o futuro que a sua jovem mãe veio a saber vir a acontecer não pôde ser mudado e o dia do Julgamento Final aconteceu mesmo. O mundo passou a ser comandado por máquinas que exterminam os humanos.

Ou seja, John Connor tem de salvar a todo o custo aquele que virá a ser o seu pai. E o paradoxo-mor é ver ambos juntos, o filho um adulto maduro e o futuro pai ainda um adolescente muito verde. John Connor sabe que ele será (é) o seu pai, que desconhecia, mas devido a ter uma espécie de guião de vida que a mãe lhe deixou (um diário onde ela escreveu as tais Crónicas de Sarah Connor) relaciona os factos. Por seu lado, Kyle Reese desconhece o seu futuro completamente, sendo ele também um pequeno lider da sua área de resistência, onde passa o tempo a arriscar a vida.
E se ele morrer ainda jovem? Isso iria evitar os acontecimentos vistos em T1. Não deixou de ser um ponto interessante, pertinente e paradoxal.

O filme está carregadinho de espantosas cenas de acção com muitos e bons efeitos especiais. A Skynet ainda se encontra num tempo onde não tem os humanoides exterminadores, pelo que os "agentes" da Skynet no terreno são ainda autênticas máquinas de metal. E que maquinões!!!
Pelo meio conhecemos ainda uma outra personagem, interpretado por Sam Worthington, que acaba por ser quem conduz os acontecimentos, carrega em si um grande twist e é através dele que passamos a conhecer um pouco melhor como esse futuro foi conduzido ao ponto que chegou. Pode-se dizer que esta personagem rouba totalmente o protagonismo da personagem de John Connor (e mais uma vez em toda a saga vista até aqui ele perde protagonismo para outras -é estranho sendo ele o grande e famoso líder...).

T4 não supera o T2 mas é muito melhor que o T3. Aliás, acho mesmo que este filme teria servido melhor como sendo o verdadeiro sucessor de T2, olhando à forma como inicia e como os eventos do T3 não pareceram contribuir em nada para a saga dos filmes (e a série incluída).

Consegue ainda deixar algumas referências saborosas.
- Uma é o cameo de um Exterminador em linha de produção, portanto... exactamente igual ao que vemos no T1 (sim é um Arnold Schwarzenegger e ainda bem novo -uma proeza do CGI).
- Depois as referências que remetem a conceitos explorados na série televisiva "Terminator: The Sarah Connor Chronicles" que teve na derradeira 2ªT imensos pontos relevantes que alargaram o universo da saga Terminator. Tais como a existência de uma facção das máquinas a apoiar os humanos da resistência, a ambiguidade dos sentimentos de John Connor pelas máquinas (que alguns humanoides os vê como... pessoas) e muitos outros pontos interessantes que estavam a ser explorados (incluindo a alusão a de nem sequer existir John Connor no futuro mas sim o culto de que ele existe).

É um filme à maneira mas que depois de tantas peripécias sabe a filme vazio de premissas fortes como continham os dois primeiros filmes da saga. Este é mais uma exploração da saga mas vale bem a pena ver por ter muita espectacularidade... e por ser irresistível perder o que quer que seja desta saga.



Star Trek (J. J. Abrams -2009)


Quando o filme estreou dizia assim: "Temia o pior sobre uma nova adaptação de Star Trek. Depois de ver as variantes que foram sendo feitas... nunca nada saiu melhor que a série original dos anos 60/70 ou os dois filmes que imediatamente se fizeram a seguir."(...)

A verdade é que J. J. Abrams conseguiu tornar relevante a saga Star Trek e este tipo de aventuras de ficção-ciêntifica de recorte clássico: naves espaciais, aliens, muito equipamento high-tech futuristico, etc.
Fez tudo bem feito e ao mesmo tempo conseguiu respeitar com mestria uma saga quase sagrada, reinventando-a, actualizando-a e apresentando uma linha narrativa que nem sequer renuncia o que foi feito até então.
O que ele fez é obra mesmo!

O filme afigura-se como sendo uma prequela e reboot simultâneo de tudo. Apesar de o ser na verdade, esta aventura que é assitida no filme também se pode ver como uma continuação do último filme com Spock. E aí reside um dilema com que me deparo: Este filme é então uma prequela ou uma sequela?
Digamos que é uma disfarçada sequela, que se serve das possibilidades dos paradoxos temporais para depois arrancar uma nova aventura em jeito de prequela.
Se querem uma sinopse revejam (aqui) o artigo aquando da estreia porque o enebriante do filme é mais do que essa premissa.

Somos levados ao inicio de tudo.
Assistimos á construção da mítica Enterprise e à formação da equipa que a comandará. Logo aí temos uma novidade: a nave não é comandada pela personagem James T. Kirk. E é por James T. Kirk, ainda um jovem, muito inconsequente, indisciplinado, de mau-feitio... mas corajoso e irreverente em doses massivas, que somos levados a seguir esta aventura. Esta é em parte a história dele e motivada por ele. Mas não é só sobre ele. É também os primordios do que será a sólida amizade dele com Spock. Spock esse, também jovem, de brilhante inteligência da lógica e dividido pela sua condição de humano e vulcano.
E o mesmo é aplicado aos restantes elementos que vamos conhecendo e que formará a equipa da Enterprise. Todo o lado humano, as motivações e rumos de toda esta equipa é nos colocados de uma forma bem apresentada, estruturada e que acabará por fazer pleno sentido de uma forma saborosa.

Os filmes Star Trek nunca se mostraram como filmes de grande acção. Este consegue-o sem trair nenhuma das características originais, que lá estão também. Uma das mais significativas características identificativas desta saga passa por Spock e Zachary Quinto compôs um jovem Spock mesmo emocionante.

Ainda mais emocionante é ver que o Spock verdadeiro também está presente, revelando um dos pontos paradoxais mais pertinentes. Spock-prime e Spock-alternativo na mesma narrativa? Sim, pois claro!
J. J. abrams jogou no filme com as suas grandes cartadas de génio que já nos habituou em séries como Lost, Fringe e Alias. Devolveu Star Trek aos grandes filmes do género, com uma nova toada de acção á laia de Star Wars.

Aliás, acredito mesmo que tudo o que foi desenvolvido (deve ter sido um brain-storming exaustivo) ao nível de argumento de ficção-cientifica foram até aproveitadas para as suas actuais séries. Não tenho dúvidas disso.
Física quântica e viagens no tempo... foram parar a Lost.
Universos paralelos originados por diferentes opções... fez nascer a série Fringe.
Só que o que nas séries se encontra separado, aqui estes conceitos são apresentados num mix, criando um cocktail impressionante e que até faz pensar profundamente.
Com isso consegue fazer as ligações ao que foi já feito anteriormente e criou novas possibilidades para assegurar possíveis novas aventuras que estas personagens viverão sem nós próprios renunciarmos às que já vimos, porque aqui vive-se outra linha temporal.

Depois funde tudo isso com situações impressionantes.
Teletransporte para uma nave a "navegar" em ultra-velocidade Warp. Nunca visto... No way!
Mundos inteiros a explodir. Amazing!
A ameaça do vilão Nero em regime transdimensional. Impossible!
Até os brilhos lens-flare (as luzes, os clarões e flashes), resultante de reflexos de luz que ofuscam a camera da filmagem, funcionam a favor do filme, criando um efeito de algo como... glossy high-tech ofuscante!

Consoante o filme avança acreditamos cada vez mais que estamos mesmo a ver as personagens que bem conhecemos há muito... muito tempo. Os novos: Spock, Kirk, Scottie, Sulu, Uhura, Bones... são mesmo eles que lá estão, quase como se espiritualmente encarnados em novos e jovens actores. Este novo James T. Kirk é fenomenal mesmo e temos um Spock emocional como nunca o vimos antes.
Tudo isto numa sensacional aventura pelo universo... novamente por descobrir!

Altamente recomendado, dedicado aos fãs e aos que nunca ligaram patavina a esta saga. Uma autêntica passagem de testemunho, com transferência de valores e tudo.
Este é um dos melhores filmes do ano. E mai' nada!!!