sábado, 26 de fevereiro de 2011

Cine-critica: After.Life (2010)

After.Life (2010)
DEPOIS DA VIDA
de Agnieszka Wojtowicz-Vosloo
com Christina Ricci, Liam Neeson

Sinopse: Depois de sofrer um terrível acidente de carro, Anna Taylor (Christina Ricci) "desperta" na morgue onde decorrem os preparativos para o seu funeral. Sem verdadeiramente compreender o que se passa, a única pessoa com quem consegue comunicar é Eliot Deacon (Liam Neeson), o dono da funerária, que a convence que está apenas num estádio transitório, entre a vida e a morte. Aterrorizada com o que lhe está a acontecer, ela vai sentir momentos de puro horror, tentado provar que, afinal, continua consciente...



Ora bem...

É indefinido como filme. Nem se assume ser serial-killer e nem de soft-terror. É muito intrigante pela morbidez de se conviver com gente morta (ou não?), num estado de aparentemente terem vida. Tudo isto num ambiente de funerária, onde o agente funerário convive com os seus mortos, os prepara para o enterro, deixa-os circular pela casa, conversam. Incrivelmente intrigante por o filmes se desenrolar sem nos dar pistas do que realmente se passa (para tal poder estar a acontecer com este mortos).
Apesar de o último terço chegar a descambar por não se decidir que intenções dar ao filme, as duas partes inicias são de luxo mesmo, onde o elenco está todo muito bem. A Christina Ricci está em grande a fazer este papel (é enorme a sua contenção... e os olhares de morta são incisivos). O Liam Neeson tem uma actuação impressionante (a sua serenidade acentua ainda mais o tom do mistério). O melhor deste filme é toda a sua atmosfera de suspense, que está magnificamente bem recriada. Brilhante mesmo. Tudo bem encenado, sempre misterioso todo o tempo... gostei!

Apesar de o final não resolver nada do "caso e direcção" do filme... eu adorei-o imenso.
Só recomendado a todos aqueles que têm a capacidade de tolerar filmes assim.
Ainda hoje não sei claramente dizer o que se passou nesta história, aberta a muitas interpretações.
Adorei-o por precisamente me deixar à toa sobre o que pensar acerca deste bizarro filme.
Uma coisa é certa, ninguém sabe o que acontece depois de se morrer...
Surpreendeu-me.

Classificação:
6/10
Interessante

11 comentários:

Bruno Cunha disse...

Nunca vi. O elenco é razoavelmente bom mas nunca me despertou a atenção.

Abraço
Frank and Hall's Stuff

Nuno Pereira disse...

Não conhecia este....

Têm o Liam Neeson, estão certamente que vou acabar por ver este filme.

Nuno Pereira disse...

Esqueci-me de subscrever o artigo.

Tens que colocar a subscrição dos artigos independentemente de fazermos ou não os comentários.

ArmPauloFer disse...

@ Bruno: É um filme bastante razoável apesar de se banalizar no final.

@ Nuno: Eu penso que irás apreciar este filme. E depois tem a Ricci em variante full naked...
Aqui no blog tenho isso da subscrição dos artigos ou comentários, está logo a seguir ao "som em destaque"... esteve sempre aí.

Sarah disse...

Gostei bastante da tua análise. É claro que divergimos na opinião final, pois decerto que não o adorei, mas concordo quando dizes que é um filme aberto a muitas interpretações. E como defendo que a capacidade de gostar de um filme depende sempre também das circunstâncias em que se vê o mesmo, talvez fosse um dia em que não tivesse muito dada a filmes que puxassem mais pela cabeça! Mesmo assim não me imagino a gostar muitooo deste filme. Não deixa de ser aceitável, pois acho que parte de uma premissa bastante interessante.

Sarah
http://depoisdocinema.blogspot.com

ArmPauloFer disse...

Concordo, Sarah, há dias que podem condicionar a apreciação. O After.Life é um filme que se fica nas meias-tintas sem responde e ainda consegue inventar perto do fim... mas gostei do filme e pelo claro (ou talvez não) intuito de perturbar a capacidade de compreensão do que se passou (ainda hoje não sei).

Nuno Pereira disse...

Vi-o há dois dias... epá muito mediano. Esta actriz sempre a achei demasiado "mórbida" e neste filme assenta que nem uma luva :)

Já o Neeson, estranhei muito o facto da sua personagem não ter qualquer ajudante, ele fazia tudo (só faltou vê-lo a abrir a cova).. Pormenores que num filme destes saltam à vista :)

ArmPauloFer disse...

@ Nuno: Boa observação pois também achei estranho a funerária ser apenas só ele sozinho a fazer tudo, incluindo nos funerais... e realmente até a cova deve de as fazer.
É assim não é nenhuma obra-prima nem procura ser. Gostei da forma como se consegue manter indefinido e durante tanto tempo. Sim ela só com a presença já consegue fazer o papel... já agora que versão viste? Foi a não censurada certo? É que nessa a Ricci tem "total" encanto...

Nuno Pereira disse...

É, ele arranja os mortos, veste-os, trata das flores, atende os telefonemas, e o contabilista... é um faz tudo, e o "embuste" do filme que matou a Ricci.

Ele nunca falou com os mortos...

E sim vi a Ricci encantada duas ou três vezes :)

ArmPauloFer disse...

Ehehehh! (também repeti essas partes boas...)

Ora bem, falando claramente e sendo então também spoiler, estás a aludir para algo que coincide com a minha teoria. Já no meu texto referia o termo serial killer porque é isso que ele é.
Afinal, ele escolhe a dedo as vitimas, provoca a suposta morte, oferece os seus supostos serviços funerários e depois tem a vitima só para ele... e aquela parede tinha fotografias de tantas vitimas!
O namorado da personagem da Ricci foi a seguinte e por necessidade, pois quase desvenda a arte macabra do agente funerário. E o tipo ainda deixa um legado: o puto a aprendiz dele...
A realizadora deste filme passou o tempo a criar, e agora sim, o grande embuste para despistar de serial killer a soft terror, e acho que o fez bem porque deixa todos que assistem sem saber o que espremer do filme, a tal indefinição foi de propósito. E por isso gostei, e deste-me vontade de o rever até...

Cleber Almeida disse...

Um filme realmente muito confuso, num certo momento acreditei que o roteiro estava exagerado, embolado, sem rumo. Porém, depois de pensar muito no roteiro e na proposta dele, um pequeno fato clareou toda a dúvida. quando o garoto enterra o pintinho vivo é a deixa de que Eliot Deacon sem dúvidas nenhuma é um psicopata obcecado pela valorização da vida em vida (Algo do tipo "Jogos Mortais"), e por isso faz as pessoas entenderem como é a morte e sofrerem as consequências dela quando são enterradas vivas. Realmente muitas margens para discussão, existem outros pontos no filme que identificam este meu argumento de que Eliot é um psicopata, como a parte em que Anna está finalmente preparada para que velem o seu corpo, Eliot, pergunta-lhe se ela deseja sair para a vida ou continuar lá, basta ver o filme e identificá-los. Mas acredito que esse seja o caminho para entendermos a complexidade de um bom roteiro, ou será que o que nos convêm é sempre garantir o final premeditado.