domingo, 21 de março de 2010

Computador sem internet nos dias de hoje?


Quando adquiri o meu Mac (pessoal), estive mais de um ano sem net em casa e tenho também de admitir que fazia muito mais com ele do que actualmente. A net também distrai...

Fiz vários home-movies com authoring dos DVDs (menus, capítulos, etc), tinha as fotos organizadas (e até me punha a recuperar fotos antigas), tinha a "discoteca" no iTunes super organizada, tinha a agenda de contactos telefónicos organizada, comprava mais CDs, via muito mais TV e alugava muitos filmes, lia mais (até os manuais do produtos e do software), não tinha blog, não perdia tempo a mandar funny mails, etc...
E o Mac parecia estar sempre a voar em tudo o que fazia.

Depois... a net chegou!

Com ela imensos updates, novas versões do software sempre a actualizar, muita navegação, muita leitura de páginas e o Mac passou a ser menos produtivo em coisas reais.
Mas se a net ocupa, a verdade é que o momento actual tornou imprescindível a net, de tal forma que já se pode a encarar como algo tão importante como ter electricidade ou outro bem.

Computador sem internet nos dias de hoje?
É um cenário quase impossível de compreender...

9 comentários:

Tiago Ramos disse...

Tens toda a razão. Já ninguém consegue viver sem internet, eu inclusive. Mas sinto que me condiciona bastante. Já quase não leio (nem livros, nem revistas), TV nem pensar e mesmo quando vejo filmes e se o faço no computador, o que acontece é se estou sozinho dou por mim a fazer uma pausa para ver o que se passa online. E mesmo a nível pessoal acaba por condicionar bastante no relacionamento mesmo com a nossa cara-metade. Daí tentar evitar abusar... :P

ArmPauloFerreira disse...

Exactamente. Obrigado pela partilha de opinião (e o apoio).
As possibilidades da net fazem-nos evoluir para uma vida Informatica (não me refiro a vida virtual). O que noto é que a net parece que nos traz "obrigações" e nos coloca em estado de enorme ocupação, quando antes vivíamos igualmente mas com hábitos mais diversificados. E sim, tal como bem apontou, afecta relacionamentos... rouba muito do tempo de um casal, se não se tiver cuidados com isso (e já nem entro pelas questões e dissabores das redes sociais).

Este artigo começou por ser pensado pelo facto de cada vez mais ver o uso pessoal dado ao computador com menor aproveitamento. E o alvo vejo-o pela ligacao ao mundo pela internet. Todos nos usávamos o computador antes da internet e acho que produzíamos com mais proveito...

Tiago Ramos disse...

Sim, é verdade. Também eu tinha as pastas todas ordenadas (músicas e fotos), escrevia muito mais e usava outros recursos do computador que agora não.

A questão dos dissabores das redes sociais como factor desfragmentador de uma relação é bem delicada. Por outro lado, conheci a minha actual companheira quase há 3 anos através da internet... se bem que já tive esses tais dissabores que falas na minha relação, à conta do uso excessivo da internet...

ArmPauloFerreira disse...

Também o mesmo já se passou comigo devido a usar em demasia o computador (e a parte "social" também já afectou aqui as coisas). Mas também há esse outro lado, neste caso do que permite a net... também promove relacionamentos. Tenho um casal conhecido nessas condições... muito Hi5... de longe... e... hoje são casados.
Mas não vamos entrar pelo lado "social" e a afectação nos relacionamentos, porque esse será um tema super delicado e que não pretendo entrar.
Obrigado, Tiago, pela inesperada abertura pessoal.

Nasp disse...

Bom texto, este também é um assunto que pode facilmente ser estendido....

A Internet são os computadores hoje em dia... e por isso estamos presentemente a mudar novamente agora para as aplicações Web-Based.

As proximas gerações de pessoas já não conhecerão os computadores como nós um dia os conhecemos.


A nivél pessoal, eu nunca tive essa experiencia de um computador sem Internet. O que garantidamente surpreende algumas das pessoas que me conhecem, a verdade é que tive o meu primeiro computador pessoal em 2001.

ArmPauloFerreira disse...

Já uso diariamente (profissionalmente) se não me engano desde 1994 e na altura isso de internet nem dava para imaginar... o potencial.

É dai, desses tempos que chega esta minha divagação...

Nasp disse...

Sim, perfeitamente compreensivél, eu em 2001 só não tinha Internet quando se acabava o saldo da ligação contratada de 56K ...lol

Mas num futuro já muito proximo, as coisas voltam a ser diferentes e se tu te lembras de usares um PC sem Internet, eu lembro-me de usar um PC com Internet e onde eu instalava os meus programas...

já às proximas gerações só se vão lembrar dos PCs com Internet onde tudo já esta instalado.

João Sousa disse...

Isto podia dar pano para mangas. O impacto da Internet no modo de vida actual é temática que não se esgota num texto ou comentário. Para ser abordado com consistência, é assunto para um blogue dedicado - e com textos diários.

Mas há várias razões para essa tua impressão, que imagino ser partilhada por uma larga faixa de profissionais utilizadores de computador.

Começa por a Internet não ser um meio de comunicação que tenha imediatamente substituído um anterior. Exceptuemos talvez os jornais, que se têm vindo a transferir para ela como forma de difusão. Ora sendo um meio que se veio acrescer aos já estabelecidos, significa que passamos a dedicar-lhe tempo que tínhamos disponível ou dispersamos aquele que já tínhamos ocupado.

A Internet também não é um meio que favoreça a profundidade nos temas. Um cronista da Wired escreveu que a Internet não beneficia o "encerrar" de um texto, antes seguimos links para diversos outros. Significado: mais tempo que se gasta, com frequência recolhendo informação redundante (que se auto-referencia) e fragmentada (porque pouco aprofundada). Espalhamo-nos na horizontal em vez de aprofundarmos na vertical. Começa-se por um blogue, dele saltamos para outros dois que foram referidos num texto ou comentário, de cada um deles saltamos para outros e, quando damos por isso, já se passou meia-hora e adicionámos dez novos bookmarks.

Toda esta informação disponível gera outras situações perversas: se lemos muito na internet sobre livros, deixamos de ter tempo para ler livros; se ouvimos muitos podcasts sobre cinema, deixamos de ter tempo para ver filmes.

Para muita gente, ainda é a manutenção do(s) seu(s) blogue(s), fotolog(s), twitters, facebook. Ter uma janela de Messenger aberta. Em suma, mais fragmentação do nosso tempo.

Esta fragmentação de tempo vai, segundo alguns estudos que têm sido feitos, prejudicar a capacidade de concentração para a análise de problemas e/ou execução de tarefas. Todos estes focos de atenção tendem a criar-nos a necessidade de multitarefa. Tenho a certeza de que a maioria de nós, visitantes do "Ecos", costuma ter quatro programas sempre abertos no computador - software de música, correio electrónico, browser e o software com que trabalhamos -, dividindo a nossa atenção por eles. Ora acontece que todos os estudos parecem indicar um facto: o nosso cérebro não se dá bem com a multitarefa. Ainda há pouco tempo, um investigador da Microsoft estudou o comportamento de funcionários que executavam tarefas "concentradas": programar e produzir documentação. Em ambos os casos, concluiu que os trabalhadores demoravam entre 10 e 15 minutos a recuperar o nível de aproveitamento na sua tarefa depois de a interromperem para responder a um email ou ao Messenger. Algo tão simples como isto pode explicar essa tua impressão de "menor produtividade".

Eu devo dizer que tenho vindo a fazer alterações no meu modus operandi. Evito ter o Messenger aberto senão quando estou mesmo disponível para falar com alguém. Abro o programa de correio electrónico de hora a hora para ver se chegou alguma coisa e fecho-o de seguida (o command-Q é meu amigo). Mas, mais importante, depois das oito da noite ponho o mac a dormir e desligo o router. A noite está reservada para o slow-reading e slow-listening. Nada de ler em ecrãs. Leio um livro, ou uma revista, ou textos da internet que imprimi em papel. Pode parecer que faço menos coisas - e faço-o em diversidade -, mas sinto que as faço melhor. Além disso, ter este tempo afastado do computador e da internet permite ao meu cérebro reestruturar-se, retomar o seu ciclo natural - algo que considero importante para mim, profissional de informática há tanto tempo.

ArmPauloFerreira disse...

Nem quis ir tão longe no aprofundar do assunto. Apenas abordá-lo... mas com um comentário tão profundo e excelente como este ninguém ficará indiferente.

Concordo plenamente com a descrição que faz a toda a situação. Contudo, eu encaro o uso informático na minha situação de duas maneiras: a pessoal e a profissional.
Numa das situações, a profissional, a pessoal mantém-se presente na mesma, mesmo que a queira reduzida (o exemplo é este exacto momento em que lhe respondo). Na pessoal, o plano profissional esbate-se quase plenamente... embora por vezes ande a investigar ou ensair truques, aprofundar conhecimentos sobre assuntos (no late-night). Não é work mas sim relacionado com...

também já vivi dessa forma assim há uns anos... imprimia a leitura (reviews a filmes, criticas de álbuns, assuntos mac, etc). Primeiro porque em casa não tinha computador, mais tarde porque não tinha nele internet... e fui mantendo isso.

Por outro lado ajudava a industria a esvaziar-me os bolsos (comprava revistas importadas -Mac/cinema- lia imensas revistas de vários géneros, jornais, muita TV (sabia até quando dava o que iria ver), além do TVcine ainda alugava muitos filmes na Blockbuster (para sentir o 5.1 a bumbar) e isso tudo antes de deitar... ou lá em casa... nos deitarmos hum hum...

Não ter vida social online sobrava para termos mais vida social no mundo real. Hoje parece se ter invertido (de uma forma global até).

A evolução, conduz-nos ao on-line, quer queiramos quer não. Até os mais idosos gostam de se lá meterem também.
portanto, tudo o que fizermos para o evitar é positivo mas não sairá com sucesso.
É que dei por mim a perceber que não resulta de todo... e acabamos por necessitar deste estado das coisas.
Actualmente este estado das coisas poderá ser interpretado de outras formas mais soltas, se o uso do terminal também evoluir connosco.
Por exemplo, a net implica um dispositivo. Se for um computador fixo vai nos arrastar para longa permanência num local. Se for portátil já ajuda a menorizar esta dificuldade. Mas para mim o mais interessante são os dispositivos móveis como os smart-phones os que mais brilham para as situações rápidas (não é á toa o sucesso dos twitter)... mas penso que a fusão mais acertada será quando dermos por nós com um tablet na mão... no sofá, na esplanada, na casa de banho... a fazer o mesmo que fazíamos antes mas digital.

Bom... tenho de ficar por aqui.Mas este é realmente um assunto muito complexo e que pode até conduzir a conversa muitas saídas. Já me estava afastar também...