sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cine-critica: The Last Temptation Of Christ (1988)

Uma vez que estamos em dias de Páscoa, nada como a fazer coincidir com filmes alusivos... algo que aqui nem é novidade sequer (rever os anos anteriores clicando aqui ou aqui) e portanto deixo a seguinte sugestão.


The Last Temptation Of Christ
A Última Tentação de Cristo
[1988]



Realização: Martin Scorcese
Com: Willem Dafoe, Harvey Keitel, Barbara Hershey...


Scorcese com este filme pretendeu criar uma fase variante que Jesus nunca viveu, expondo as motivações que o conduzem para isso e conduzindo-nos mesmo assim para o fundamental do desígnio e missão de Cristo.

No fundo, tornou-se célebre também porque a determinada altura o filme apresenta a técnica narrativa de "e se", sendo precisamente neste caso o explorar da situação de "e se Jesus Cristo tivesse cedido às tentações do Diabo, decidisse renunciar à cruz no momento do grande sacrificio e assim obter uma vida normal, como qualquer humano". Ter então uma vida comum, onde tivesse um lar, esposa (Maria Madalena) e filhos. No fundo a vida normal de um bom homem.


Contudo, Scorcese ao apresentar-nos esta realidade alternativa, acaba por explorar ainda mais o sentido existencial do filho de Deus, prestando ainda mais valor à missão de Cristo quando percebemos que essa suposta vida nao conseguiria completar Jesus, sendo apenas um adiar do inevitável. Como se o seu sacrifício pela humanidade fosse um desígnio mais profundo e puro que o atormentaria na alma pelo sentimento de culpa eterna da renunciação. Culpa essa também potenciada por ser um carpinteiro que faz as cruzes para os romanos.

Ao mesmo tempo, subtilmente, Scorcese cria também uma ponte com outros factos não defendidos pela Igreja (que se irritou e principalmente os fieis), de que Jesus foi um homem comum, que teve mulher, filhos e demais família (incluindo irmãos, como se sugere em "The Last Tomb Of Jesus" - clicar aqui para ver artigo sobre este documentário). Duplamente interessante esta obra e que nos dias de hoje ainda mantém vigor.

A realização de Scorcese é espantosa, que juntamente com um argumento arrojado e corajoso (para a altura), uma produção muito realistica da época, e um bom elenco (Willem Dafoe é magistral como Jesus Cristo), fazem desta magnifica obra um importante registo sobre o sentido e importância de Jesus Cristo na Terra.
Uma obra que recomendo.


Classificação:
8/10

Uma feliz Páscoa para todos.

3 comentários:

Nuno Pereira disse...

Lembro-em de ser "puto" e ver este filme em exibição nos cinemas... em exibição porque realmente nunca o vi até hoje.

Boa Páscoa!

Loot disse...

Demasiado branco e loiro para ser Jesus, Dafoe mas claro que na representação domina :)

Saliento a belíssima banda sonora do grande Peter Gabriel que é magistral.

Abraçoe boa páscoa

ArmPauloFer disse...

Obrigado a ambos pelos comentários e desde já uma feliz Páscoa.

Gerou na altura muita polémica por apresentar uma realidade fictícia mas hoje, perante novas descobertas e interpretações de factos históricos (como o documentário "The Lost Tomb" evidencia - ver num dos links ao inicio do artigo-, parece-me que a obra que Scorcese adaptou, a dualidade do filme é mais realística do que se imagina na minha maneira de a entender).
Ao longo da vida fui por por varias vezes assistindo a este filme marcante.
Pode-se apontar, hoje, a caracterização deste Cristo como algo mais loiro do que deveria, mas o Dafoe recria um Cristo em conflito consigo mesmo, vulnerável e até mesmo menos santo do que habitualmente se via. Contudo, confere-lhe uma grandiosidade que parte do humanismo que também era.
É um filme diferente e que recomendo, a quem ainda nao o descobriu, pois é um dos mais importantes sobre Jesus Cristo.