sábado, 21 de maio de 2011

Cine-critica: (500) Days of Summer (2009)

(500) Days of Summer
2009

Realizador: Marc Webb
Com: Joseph Gordon-Levitt, Zoey Deschanel, Chloe Moretz, Clark Gregg...


Sinopse (à minha maneira):
Tom não tem sorte no amor e sua a última namorada foi uma verdadeira "bitch"! Por influência da música e dos filmes, cresceu a acreditar que nunca iria encontar a "tal" mas... um dia descobre-a e apaixona-se perdidamente.
A rapariga não.



Aparentemente, bem que se poderia considerar esta obra no género de mais uma comédia-romântica entre muitas... mas não o é.
Nem sequer é na verdade uma história de amor. Afigura-se mais como uma história sobre o amor. Como tudo pode começar e acabar. O poder da ilusão quando no estado de enamoramento. O desgosto consequente de quando não se é correspondido da mesma forma com que se ama. Pior ainda quando um ama e o outro... não.
Em "(500) Days Of Summer", desfila um drama de cariz romântico obviamente, que oscila entre os estados de espirito de Tom à medida que conta o que sucedeu do que correu mal... no seu grande amor.

Não é um filme linear narrativamente pois a historia deste jovem é nos servida por constantes avanços e recuos, para nos arrebatar de forma invulgar com este caso amoroso sobre a rapariga que lhe fez bater intensamente o coração.
Exibe verdadeiramente uma maneira pouco convencional de contar uma grande história de amor que desde logo ao inicio ficamos a saber que não vai durar. E é aqui que a subversão engenhosa ao género começa porque na verdade ultrapassa a convenção da normal história de amor para avançar para a recordação revoltada ou ternurenta do que daí sobrou para lembrança.


(500) Days of Summer exibe um espantoso esquema narrativo, que tornou-o mais interessante do que me pareceria ser nos primeiros minutos (que admito ter soltado alguns "foda-se" várias vezes desde o arranque, porque a fragmentação decorre a um ritmo alucinante e aleatório), ainda para mais quando logo ao inicio é nos imediatamente revelado o desfecho da relação com esta também uma boa "cabra"!

A desilusão de Tom torna-se maior quando ele já se encontrava no ponto de desânimo na sua vida afectiva que ia já equacionando o seu estado existencial. É no momento de querer recomeçar uma vida nova profissional (trocando a arquitectura por um mero escritor de dedicatórias para postais, onde conhece a encantadora e entusiasmante rapariga. De repente, ele acredita ter encontrado a sua alma gémea. Alguém que partilha dos mesmos prazeres e interesses. Incluindo conhecer e gostar das músicas que ele ouve. Quem é que não ficaria agradado também? Ela escuta o som a sair dos auscultadores do Tom e diz-lhe que também gosta muito do Smiths, chegando ela mesmo a cantarolar a canção dos Smiths, para espanto de Tom.


 - Eu também gosto muito dos Smiths!
- Como?
- O que estás a ouvir...

Wow! Holy shit!

É isto que a personagem de Joseph Gordon-Levitt nos oferece. É a sua história dos cerca de 500 dias com a Summer (Zoey Deschanel), a tal rapariga a quem ele depositou todo o seu coração e esperança. Um amor esplendoroso, que para ele seria o "tal", o "para sempre", quando ela sempre foi sincera em não se querer comprometer sériamente. Quando ela apenas queria algo mais colorido mas nada mais que isso. É todo um turbilhão de fragmentos ao longo do tempo, que se sucedem do dia 488, para o dia ±200, para o dia 1, saltando para o dia, 50 e assim sucessivamente. Uma relação desproporcionada entre ambos, até ao dia em que ela desiste e abandona-o. Tom fica destroçado e revoltado e é mais ou menos neste estado que o conhecemos...

Reflectindo bem, a entrega estilhaçada desta história de pura desilusão faz pleno sentido, sendo muito original e engenhosa, pois o arrebatamento dá-se quando o digerimos depois de totalmente visto. A história é não linear porque segue a mesma estrutura com que se recorda uma relação que deixou marcas, por se acreditar ser aquela a "tal" para a eternidade mas que se vê caída no desencanto e frustração, por um dos lados desistir, não partilhando a mesma vontade de querer que dure para sempre.


Num verdadeiro estado de graça puro ao longo deste filme em toada indie, é toda esta situação muito delicada de contar que nos brinda "(500) Days of Summer" e que cada um que tenha vivido tão marcante experiência reconhecerá imenso crédito neste filme singular. Não difere em nada de como cada um começaria a contar semelhante caso. Acho que qualquer um começaria por imediatamente proferir alguns palavrões nada abonatórios sobre a pessoa em causa, depois avançará por recuperar imediatamente os momentos da desgraça e dor provocada para confirmar que o insucesso, até que com o tempo se aprofundará mais e se terá condições de ir revelando já os outros momentos diversos, passando igualmente pelos bons, os maus, os tristes, os alegres, até ao ponto de viragem... o ponto do reconhecimento da situação sem retorno.

Se narrativamente o filme é engenhoso mais importante é o uso da banda-sonora ao longo do filme. As canções e apontamentos sonoros, existem aqui para acentuar os diversos estados da narrativa. Não só o consegue na perfeição (em moldes e estilos musicais que muito aprecio), como ainda permite reter a essência do filme apenas escutando o álbum de canções que resultou deste filme. É uma álbum soundtrack altamente recomendada.

Uma certeza porém, retemos acerca deste filme. Também nos entrega a esperança, pois a vida tem de continuar.
E bem sabemos que depois do Verão chega sempre o Outono...


Classificação:
Muito Bom
8/10

Recomendo ainda a descoberta do álbum da banda-sonora, que tem uma boa selecção de canções. Clicar aqui.

5 comentários:

Bruno Cunha disse...

Grande filme, adoro.


Abraço
Frank and Hall's Stuff

Ricardo Vieira disse...

Um filme maravilhoso, sem dúvida alguma. Altamente recomendado.

ArmPauloFer disse...

Muito obrigado a ambos, caros colegas cinéfilos. É um filme que me impressionou bastante e daqueles que não se esquece com facilidade.
Escrevi a review conforme senti o filme e até apreciaria imenso saber o que acharam do artigo propriamente.

Os Filmes de Frederico Daniel disse...

Gostei da análise e tenho a dizer que este filme é excelente, é um dos melhores que já vi na vida. Tenho de o rever, é 5* e tenho pena de não o encontrar em DVD. :/

Os Filmes de Frederico Daniel disse...

Gostei da crítica e adoro o filme, um dos melhores que já vi na vida pois é 5*...