domingo, 4 de julho de 2010

Musica da Semana: Mind Da Gap "A Essência"... hip-hop revitalizado!

Esteve previsto para 2009 mas acabou por só nos chegar em final de Abril de 2010, o novo álbum deste trio portuense: Mind Da Gap. É um álbum que surge 15 anos depois do trio portuense ter lançado o seu registo de estreia, na altura um memorável EP homónimo e a partir dele desbravaram uma carreira exemplar no hip-hop em português.
Salvo erro, não foram os primeiros da cena (já cá andavam com maquetes por altura do surgimento deste estilo por cá mas outros registaram material antes, recordemos Black Company, Boss AC, Da Weasel e entre muitos outros, principalmente o rei inaugurador General D) eles mas foram dos poucos que assumiram uma ligação ao old-school mais pura e não contaminada neste estilo e faziam-no em português com mestria linguistica e fonética.

Passados 15 anos em cena e de já terem provado de forma ininterrupta com consistentes álbuns, em minha opinião com duas autênticas obras-primas incontornáveis a nível nacional (os "Mestres sem cerimónias" e "Suspeitos do costume"), manterem a cena em alta é uma tarefa só possível para os melhores. Os Mind Da Gap são realmente os melhores mas isso não significa que tenham momentos mais questionáveis.
Na minha apreciação esse momento aconteceu no álbum de 2006 "Edição ilimitada", que apesar de representar uma excelente depuração das capacidades do colectivo, onde chegam a arriscar abordagens invulgares e inventivas, registo esse que tem uma das suas melhores canções de sempre ("Não stresses"), a verdade é que deixava o sentimento da inflexão pelos caminhos mais pop e não o de seguir o rumo do costume. Parecia que a essência do estilo MDG tinha sido abafado e é precisamente neste ponto que o grupo nortenho decidiu melhorar com o novo registo, intitulado precisamente "A Essência".

"A Essência"
(2010)

E conseguiram plenamente pois "A Essência" é um disco mesmo muito bom e de novo na trilha que tão bem caracterizava este trio, o hip-hop old-school.
Assinala um regresso de força pujante, muito mais relevante, repleto de grandes momentos saborosos, onde a base instrumental de Serial conhece uma simbiose perfeita com as vozes de Ace e Presto, de novo acutilantes e contundentes nas mensagens.
Á primeira vez que escutei o CD (adquirido mal saiu no fim de Abril), a sensação que deixava é que continuava a mesma rotina do tal álbum anterior mas onde a base instrumental surgia com novas abordagens de repescagens da soul de outros tempos. Com mais escutas o verdadeiro potencial foi-se revelando e a sua verdadeira essência floresceu. De facto, este novo álbum faz a ponte com o longa duração de estreia, e ao mesmo tempo pisca o olho a tudo o que fizeram até este 5º álbum.

Logo ao arranque, os primeiros sons e vozes que se escutam são uma passagem 1º álbum (proféticos até e por isso justificados ao nos lembrarem que resistiram e chegaram ao 5º álbum) em "Só Pra Ti" que evolui com uma maravilhosa base sonora.
Segue-se "Não pára", o single que tem rodado por aí com força, que é um autêntico manifesto da perseverança dos MDG que nesta faixa surgem ainda com o brilho do rapper Valete (que deixa uma bela síntese do que realmente interessa neste movimento, proferir "o resto é resto" impressionou-me).


Ao avançarem com um hino como "Não pára" à segunda faixa, deixando o nível altíssimo logo aos primeiros minutos do disco, o material que se seguiria teria de ser de peso e criarem novos momentos altos de interesse. E os momentos altos do álbum são desta vez bastantes e seguidos, o que é impressionante. Serial fez um rigoroso exercício sonoro que funciona quer como cola de uma faixa para a outra, ou a criar focos de surpresa deslumbrantes durante as faixas ou pela imponência das suas batidas que combatem com luminosos arranjos funk. Depois Ace e Presto honram todos este processo com desenvoltura no flow, contundentes ou macios nas doses certas quando os momentos e histórias que contam assim exigem.

Faixas como "Carpe Diem", "O Eremita", "Sintonia", "Votados Ao Esquecimento", "A Essência" (com Maze - ver post dedicado), são valiosas e de fazer inveja à "concorrência". Mas é nas inabaláveis "Não Pára", "Como Conseguem?", "Guerreiros", "Marcas" e na faixa escondida "Abre os Olhos" (ver artigo dedicado), que eles erguem as bandeiras deste grande álbum.


Em suma, é um disco onde o colectivo ambicionou dar todo o seu melhor e comprovarem que ainda são a referência nacional.
A questão é: Fizeram-no com distinção? Safaram-se?
Foda-se que é um grande sim... e de que maneira espectacular o fizeram!
Ò tempo que não escutava, com semelhante deleite, um álbum de música portuguesa tão cativante, sem parar e inteiro.
É caso para dizer: O resto... é resto mesmo!

Não Pares (com a participação de Valete)


Foto do trio retirada do Facebook dos MDG

3 comentários:

Bruno Duarte disse...

Já gostei muito de Mind da Gap (nos tempos do "Todos Gordos"), ultimamente não tenho ligado muito a hip-hop, mas são sempre uma banda a ter em conta.


Abraço.
http://vidadosmeusfilmes.blogspot.com/

ArmPauloFerreira disse...

Essa é do "A Verdade", um belíssimo álbum com algumas das minhas mais preferidas canções.
A nivel nacional, os Mind Da Gap são os melhores!

Anónimo disse...

Minda da Gap son la Bomba!!!