É com imensa satisfação que dou esta noticia: a banda de Bristol, os Portishead, está de regresso às edições discográficas e aos concertos!
11 anos depois do segundo álbum de originais e 10 anos depois da edição do álbum ao vivo, regressam finalmente com o seu terceiro álbum, de nome "Third". É em 14 de Abril que chegará às lojas o tão esperado regresso aos discos. "Third", tal como os dois primeiros registos de originais, será composto por 11 canções e terá a duração de 49 minutos e 13 segundos (semelhante aos anteriores).
Com "Third" regressam ainda aos concertos e arrancam logo, segurem-se, por Portugal!
Áhh pois é!!!
Cerca de 10 anos depois da única actuação da banda em Portugal, no Festival do Sudoeste em 1998, cá os teremos. Segundo informa o Blitz, "as actuações estão marcadas para os Coliseus de Porto e Lisboa e realizam-se, respectivamente, nos dias 26 e 27 de Março. Os bilhetes já estão à venda e os preços são os seguintes: Porto - €26 (galeria/geral), €30 (plateia em pé) e €35 (tribuna); Lisboa - €33 (plateia em pé), entre €32 e €35 (camarotes)". Depois de Portugal partem para outros países como a Itália, Alemanha, Dinamarca, França, Reuno Unido, etc...
Os Portishead, a par com os Massive Attack e Tricky, representaram o expoente máximo no género musical denominado por trip-hop. Os Portishead têm um som único, inspirado nas sonoras memórias vintage e recontextualizadas num ambiente de cadência lenta. Foram desde sempre a inspiração principal de todos os que criavam som trip-hop e alimentou a alma criativa de artistas desde o sueco Jay-Jay Johanson até a bandas como a portuguesa The Gift.
A terceira edição de um registo de originais já era esperado com desespero dos fãs à imensos anos e durante imenso tempo prometido pela banda. E a espera está prestes a terminar...
Consultem o site da banda para mais informações. Entretanto deixo-vos aqui com o tema "Over" interpretado ao vivo em solo americano e revivam esta actuação da banda.
Gritem bem alto: Portishead! Portishead! Portishead!!!
Actualização de 1 de Fevereiro:
Conforme informa a Blitz, os bilhetes já se encontram esgotados para Lisboa e Porto.
A newsletter dos Portishead anda a espalhar a informação que Geoff Barrow, fundador e membro dos Portishead, tem um novo projecto (ou banda). Chamam-se Beak, formaram-se em Janeiro de 2009 e acabam de lançar o seu homónimo 1º álbum.
Beak "Beak" (2009)
Do que já escutei não me parece nada má e a opção por uma sonoridade muito alternativa e experimental, com contornos psicadélicos, confere-lhe a distinção necessária para se demarcarem das demais que estão sempre a surgir. E para Barrow é um óptimo escape daquilo que faz nos Portishead que é muito diferente.
É ainda muito curioso ver que logo ao primeiro registo editam-no logo em versão especial e limitada.
Como percebem inglês, esta é a info original...
"BEAK> were formed in January 2009 by three Bristol musicians, Billy Fuller, Matt Williams and Geoff Barrow.
The band have very strict guidelines governing the recording and writing process of their work. The music was recorded live in one room with no overdubs or repair, only using edits to create arrangements. All tracks were written over a twelve-day session in SOA Studios, Bristol. The album is to be released on the 19th of october 2009 on Invada Records Europe and ipecac in North America.
A limited edition box set version of the album will be available from September direct from the Invada website. Inside a specially designed black Beak> box will be a CD version of the album, a limited edition CD EP, 12" vinyl with 2 bonus tracks and a T Shirt.
to hear and see beak you can follow these links below
O álbum nada mais tem de diferente para lá das 11 canções já conhecidas e que já andavam a circular. Obviamente que o som está bem melhor no CD e foi convenientemente importado para o meu iTunes em AAC (192).
Nas fotos podemos ver o Third, junto da restante "família" editada pela banda. Em cima, respectivamente, "Dummy" (1994-estúdio), "Portishead" (1997-estúdio), o ao vivo "PNYC" (CD 1998-ed. especial em box) e as edições de video VHS e DVD.
Curioso é também constatar a mudança dos tons negros para o azul-verde do "Third". Todas as anteriores edições os próprios discos eram id~enticos estéticamente e tinham em comum o facto da cor preta por toda a "rodela". O Third também mostrou aí frescura. Acho muito interessante esta cor usada pois é um tom de cor que proporciona um ar de requinte e luxo.
Os que gostam de Apple há algum bom tempo, vão concerteza se lembrar desta cor que era denominda de bondi blue e era usada no iMac original e no PowerMac G3.
Por falar em Apple... Os novos tempos fazem pensar um pouco, pois dão-nos mais opções (legais) de ter um mesmo álbum musical.
- A edição física em CD (que tem um caixa de plástico igual às que se usavam nos SuperCD Audio e que agora chamam de algo como super box -abre pressionando a lateral) custou algo como €17.
- A edição digital via iTunes, custa €9,99. Dá-nos mais uma faixa extra ao vivo (We Carry On), sendo todas em AAC 128 e ainda um PDF com a edição digital do livreto do CD.
Um outro facto de alegria para aqueles que fizeram pré-encomenda pelo iTunes durante o mês passado é que ainda têm direito a uma 2ª faixa extra ao vivo (Threads), que parece que agora já não se encontra disponível pois era promocional apenas. Lucky bastards!!!
Ou seja, a edição digital é mais barata que a física mas tem protecções DRM. Não tem mal nenhum mas depende do caso de cada um. Se a ideia é ter no imediato para por no iPod, é uma boa opção. Se é para por a tocar noutros dispositivos não-Apple, tipo telemóveis e outros leitores digitais, já não tocam estas faixas.
Já a fisica, é só colocar no computador e ripar para a nossa discoteca digital, da forma que nos dá mais jeito e depois passar para um dispositivo e ouvir.
Mesmo mais cara, gosto mais da edição clássica (física). Neste caso sou mesmo old-school...
Várias vezes por aqui foram apresentados artistas da cena trip-hop. Desta vez uma incursão pelo excelente trabalho do sueco Jay-Jay Johanson.
Continuo a defender a opinião que o trip-hop foi das melhores "invenções" do ramo da electrónica. Dos muitos estilos que os vários projectos foram surgindo em torno deste género musical, todos contribuiram com a sua personalidade e conceitos. Normalmente é na tríade Massive Attack + Tricky + Portishead que praticamente tudo se baseou. Afinal, só estes 3 (principalmente os Massive Attack) expandiram e experimentaram todas as vias para a fórmula do trip-hop. Mais projetos o fizeram mas não foram consistentes o suficiente para perdurarem.
O Jay-Jay Johanson quando apareceu em 1996 com o seu 1º álbum, adicionou uma nova componente que não havia ainda sido claramente explorada: o crooner de recorte clássico em base sonora trip-hop.
Jay-Jay, usava as bases sonoras muito à Portishead (a sua principal influência) e à Massive Attack (os daquela altura, quando ainda transpiravam soul e jazz), só que "vocalizava" as canções à crooner dos tempos antigos, tais como Frank Sinatra, Engelbert Humperdinck, Dean Martin, etc.
O efeito provocado pela forma como coloca a voz, entoava certa palavras e pontua as suas deixas, conferiram-lhe um lugar (quase) único no género. Ao mesmo tempo, reforçava a importância do trip-hop como um dos poucos géneros musicais capaz de resgatar para a actualidade, em modo contemporâneo, aspectos do clássico "formato-canção" que pareciam já provocar a vergonha na indústria musical.
Bastou este sueco aplicar o seu vozeirão naquelas bases sonoras, para que todo o mundo quisesse saber quem ele era. O chamariz e eterno mega-hit deste sueco foi, obviamente, a canção:
"So Tell The Girls That I Am Back In Town" (1996)
Apesar de ter saltado para o estrelato com esse magnifico tema, a sua carreira havia começada um pouco antes e ainda enquanto estudante de arte. Um dos seus trabalhos "escolares" foi todo o processo de criação musical. As canções, a encenação, o video e o recuperar arte antiga em confronto com a modernidade e as novas estéticas. Isso resultou naquele que será ainda a sua mais magnifica canção:
"It Hurts Me So" (1996)
"It Hurts Me So" é toda ela arty, com o video e canção feita com esse fim artístico, que explorava um certo conceito jazzy de gentleman com dor de corno. Dramatismo lirico, potenciado por uma rica sonoridade pontuada por um ambiente obscuro e depressivo. Não só é o seu melhor tema como também um dos mais perfeitos exemplares de todo o género trip-hop. Tudo está lá presente: os samples, os scratches, o tom de spy-movies e uma imensa tristeza nas letras em recorte clássico. O tema cresceu e foi tão popular no seu circuito artístico, que ele decidiu-se por avançar com um EP. Ora esse EP, seria depois ampliado (apesar de mesmo assim curto) e tornado depois naquele que é o seu primeiro álbum, o "Whiskey" (1996).
"Whiskey", além das duas canções já referidas, continha ainda mais algumas preciosas canções, tais como as impressionantes "The Girl I Love Is Gone", "I'm Older Now" ou "I Fantasize Of You", que se remetia todo ele à geração crooner de outros tempos.
"Tattoo" (1998)
Ao segundo registo, Jay-Jay Johanson quis provar que era mais que uma experiência artística e o seu registo musical de longa duração comprovou-o. Desta vez a base sonora, não se remetia unicamente ao trip-hop mas com derivativos deste génro polvilhado comoutros tais como leve drum'n'bass, a bossa nova, blues, breakbeats, etc. É o seu álbum mais equilibrado de todos e provou ser um claro salto na carreira e marcou a cena musical. Contém maravilhosas canções como "Even In The Darkest Hour", "Quel Dommage", "Milan. Madrid. Chicago. Paris", "Lychee" ou "A Letter To Lulu-Mae", entre outras muito boas.
"Poison" (2000)
Contudo, ao 3º álbum o estado de graça parecia estar a desvanecer, pois criativamente a sonoridade que apresentou era desta vez influyenciada por bandas-sonoras de outros tempos. Filmes clássicos hitchcockianos tal como se percebia claramente na capa do álbum. A sua veia crooner mantinha-se mas desta vez já não entoava em registo vocal grave tendo optado em momentos por cantar quase angelicalmente. Em minha opinião, Jay-Jay acusou igualmente nesta fase o facto de o género trip-hop encontrar-se moribundo, com os nomes mais sonantes do género a distanciarem-se ou a mudarem de estilo. A falta de novo material dos Portishead também pesou e este via-se unicamente a emular os meandros obscuros que os Portishead haviam apresentado no segundo álbum. Mesmo assim, "Poison" contém alguns bons temas dignos de interesse como: "Believe In Us", "Colder (I Want You No More)", "Anywhere Anytime", "Whispering Words" e princiapalmente a faixa-título "Poison" (que contém o ritmo roubado á "Seven Months" do 2º álbum dos Portishead)
"Antenna" (2002) e "Rush" (2005)
Com uma estética gasta, Jay-Jay Johanson reinventou-se e passou a criar canções pop, mais dançáveis e ambientadas no electro. Ambos os álbuns continuaram a ter um ou outro apontamento ambientado no trip-hop, só que a esta altura já nada mais era o mesmo. "On The radio" foi um enorme sucesso pop, onde este exibia a sua nova aparência esquelética e quase andrógina.
"On The radio"
"Rush" seguiu as mesmas coordenadas do anterior mas com pouco brilho e algo indistinto na sua discografia. O mais interessante destaque é a própria faixa que dá título ao álbum...
"The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known" (2006)
Em 2006, Jay-jay virava novamente as agulhas para o seu estilo original e em grande parte semelhante a "Whiskey". Cria um excelente álbum e o regresso ao trip-hop. O álbum é esplêndido e contém alguns dos seus melhores temas de sempre. Se se fizesse um top 3 dos álbuns dele este mereceria um lugar.
"She Doesn't Live Here Anymore" é magnifica com todo o seu dramatismo obscuro e faz recordar a "It Hurts Me So" de há 10 anos antes. Há ainda algumas excursões pelo jazz e muito som cinemático. A verificar faixas como "Coffin", "As Good As It Gets" ou "Breaking Glass" que são impressionantes.
"Self-portrait" (2008)
O seu mais recente registo, do ano passado, continua a sua cruzada pelos ambientes denotado no registo de 2006, só que com uma temática mais triste e fatalista, devido ao falecimento da sua mãe.
Tem alguns bons momentos como "Lightning Strikes", "Autumn Winter Springs" ou "Medicine" mas o todo não brilha muito.
Cliquem já neste video para que o ambiente deste artigo se instale e comece esta "emissão".
Os Portishead anunciaram que têm novos videos á disposição, no site oficial e no MySpace.
Um deles é aquele que aparece encima onde eles mostram o seu logo de regresso. Depois disponibilizaram também um novo video ao vivo bastante "sui generis" de Machine Gun e finalmente material novo de verdade com o video de The Rip.
The Rip
...e também esta nova versão ao vivo (para eles mesmo só) em Berlin, da já muito bem conhecida faixa Machine Gun.
Dá para perceber o uso dos ecos pelos corredores e a reverberação produzida. Demais!!!
Saiba mais sobre os Portishead neste blogue clicando aqui.
Uma nova critica a Portishead "Third"
Entretanto no site dedicado ao mundo da música, o BodySpace, R. B. Santos publicou a sua apreciação ao novo "Third" e acreditem que gostei da forma como analiza o recente álbum. Faz uma abordagem que abrange os campos das emoções. Boa critica!
E já agora recomendo uma visita ao artigo deles clicando aqui. No mesmo artigo poderão ainda encontrar uma crítica mais antigo que fizeram ao primeiro álbum da banda, o "Dummy".
É já próxima Quarta e Quinta, dias 26 e 27 de março, que a digressão europeia dos regressados Portishead inicia, respectivamente na cidade do Porto e depois em Lisboa.
Os Portishead apareceram em 1994 com "Dummy" aquele que é para muitos o álbum que melhor define o trip-hop.
Juntamente com as primeiras obras dos Massive Attack (na verdade com o Blue Lines fundaram em 1991 o trip-hop) e ainda de Tricky (com a sua obra-prima Maxinquaye de 1995), completaram os 3 vértices de uma triângulo sonora para um género fervilhante de ideias para o formato canção. Muitos consideraram uma resposta europeia ao R'n'B americano da época mas eu entendo que o trip-hop foi o único género até hoje que soube lidar de forma contemporânea com a história da música e articular esse legado num contexto moderno ao mesmo tempo que devolve a canção de novo ao ouvinte polvilhado por todos os géneros musicais em regime lento (downtempo).
Regressar a "Dummy" é voltar no tempo. O tempo em que acreditei que a música tinha encontrado finalmente um rumo. "Dummy" é um álbum cheio de estilo, magnífico, magestoso, psicótico, melancólico, retro-moderno, irreverente, completo, uma viagem pela mente... um sonho concretizado em som!
Ainda hoje é actual... mas na época influenciou o mundo musical de tal forma que ainda hoje se notam vestigios da sua marca. No nosso panorama nacional o exemplo mais perfeito desta situação serão bandas como os "The Gift" (até chegaram a assumir a influência) ou Coldfinger por exemplo.
Vamos recordar dois temas do álbum de estreia, o "Dummy" (1994) desta mitica banda de trip-hop.
"Depois de terem elogiado publicamente o novo álbum dos Portishead, os Radiohead decidiram fazer uma versão do novo single da banda de Bristol e disponibilizar o vídeo online. «The Rip» é interpretado por Thom Yorke e Jonny Greenwood, sentados num sofá e empunhando duas guitarras acústicas." Excerto do Blitz.
Esta cover, da excelente "The Rip", está muito interessante e nota-se que é cantada e tocada de forma cerebral tal como é o original dos Portishead. Só podia ser uma grande banda como os Radiohead a fazer uma cover assim.
Pode comparar com o video original dos Portishead clicando aqui.
1999 - a sublime "Motherless Child" de Tom Jones (apenas a vocalização e todo o resto dos Portishead)
Foi neste tema que entendi em 99 que algo estava a ser diferente e mais orgânico no sentido de serem uma banda de instrumentos). Esta faixa maravilhosa é a única razão que me fez comprar a caca do "Reload" de Tom Jones...
2002 - O álbum "Out of Season", aqui representado pelo excelente "Mysteries" de Beth Gibbons & Rustin' Man. Sim, existem momentos bucólicos e cheios de blues como existem neste álbum mas subvertidos à marca P.
De notar com este exemplo, a influência de canções e bandas de tempos que não voltam mais.
"Candy Says" dos Velvet Underground, interpretada pela Beth Gibbons nalguns dos concertos do álbum a solo. Pergunto-vos: Alguma vez este tema soou tão verdadeiro? Soberba adaptação e interpretação.
2006 - A participação dos Portishead com a tremenda "Anna" da compilação de homenagem a "Monsieur Gainsbourg Revisited"
Este é o tema que melhor me preparou para o "Third"...
Com todos estes artigos... "exorcizei um pouco a alma" da minha relação com Portishead.
Ontem, iniciei a jornada de apresentar os Portishead. Iniciei por videos de "Dummy" (1994) e desta vez regresso, obviamente, com dois videos do álbum seguinte de 1997, intitulado simplesmente de "Portishead".
Este segundo álbum foi para a banda na altura um "parto" difícil, devido ao universo sonoro do género já totalmente recriado no disco original (parece até um catálogo de exemplos), considerado um dos mais importantes e marcantes do som da década de 90. A conjuntura também os havia empurrado ao limite pois, imensas bandas aventuravam-se com a suas próprias ideias na interpretação dos mundos trip-hop e eles terem sentido que deveriam fazer mais ainda e ir mais longe.
O disco resultou menos influente que o de 1994 mas não menos fascinante pois alargava ainda mais os universos sonoros da banda num cocktail de melancolia psicadélica em estilo vintage. É um álbum que se parece movimentar num espaço tridimensional (batidas a ecoar e vários sons subgraves posicionais) que apela muito aos sentidos pois entranha-se na nossa mente como uma instalação psico-sonora servindo-se de sons recorrentes duma vaga memória do cinema/tv via dos géneros sci-fi/spy, levando-os a uma nova depuração de sons que os identificamos como antigos sendo eles criados totalmente novos. Foi bastante marcante para mim ver provada a aplicação do scratching como um instrumento e não como um efeito engraçado. Aliás, neste álbum por vezes Geoff Barrow recorre ao scratching como se fosse um solo de guitarra potenciando muito mais a subversão das regras. No hip-hop o scratching tornou-se um elemento "parolo" mas com os Portishead foi elevado a arte ao serviço da canção (consultem com mais atenção temas como Cowboys, Over, Only You ou Elysium).
Diz na Blitz que "os Portishead prometem lançar um novo disco em breve.
Em entrevista ao Guardian, Geoff Barrow revelou que pretende escrever canções "durante Julho e Agosto" e, depois, lançá-las em disco.
Contrariamente ao que chegou a ser especulado, o álbum vai sair por uma grande editora, e não por uma etiqueta independente ou em edição de autor.
"Vamos [trabalhar] com pessoas em quem confiamos muito, a maior companhia discográfica do mundo. Disseram-nos que podíamos fazer o que quiséssemos. Vendemos discos suficientes para eles ficarem contentes", afiança Geoff Barrow.
O Guardian sugere que o disco vá sair pela Universal, com quem os Portishead têm vindo a trabalhar."
Mais avançado encontra-se já Tricky, que vem á Casa da Música este mês, pois já tem o álbum resolvido, como adianta a Blitz:
"Tricky já está a preparar a edição de um novo álbum de originais: Mixed Race, sucessor de Knowle West Boy (de 2008), sai para as lojas a 27 de Setembro e conta com colaborações de Bobby Gillespie, dos Primal Scream, e da cantora Franky Riley.
Recorde-se que o músico de Bristol, considerado um dos pais do trip-hop, tem concerto marcado para este mês no Porto: atua na Praça da Casa da Música no dia 27.
Segundo declarações citadas pelo Gigwise, o cantor explicou o título do novo álbum da seguinte forma: "Passei a minha vida entre culturas. Mixed Race fala acerca disso e de uma forma muito direta". Veja abaixo o alinhamento do álbum.
"Every Day" "Kingston Logic" "Early Bird" "Ghetto Stars" "Hakim" "Come To Me" "Murder Weapon" "Time To Dance" "Really Real" "Bristol To London" "
Isto é muito interessante pois o outro vértice destes reis do trip-hop, os Massive Attack, já lançaram este ano o seu mais recente trabalho. É jeitoso o "Heligoland" (clicar para rever a critica) mas já se viu deles bem melhor.
Esperemos que Tricky e Portishead regressem á altura do estatuto que têm.
Vamos ver no que dá...
Depois de ter abordado os dois álbuns de estúdio "Dummy" e "Portishead", respectivamente de 1994 e 1997, vamos passar para aquele que é o terceiro álbum da banda Portishead, "Third", que quebra o jejum das edições de originais em 11 anos.
Já ouvi bastas vezes o "Third" e é um álbum totalmente diferente dos anteriores mas ao mesmo tempo percebe-se claramente que são na mesma os Portishead. Esta banda tem muita personalidade na sua abordagem única à música e essa é a sua grande marca inconfundível e que lhes confere o reconhecimento de estarmos na presença de algo deles.
O que posso adiantar sobre "Third" é que instala uma nova direcção, talvez óbvia a quem seguiu atentamente as pequenas "farpas" que a banda foi lançando nestes últimos 10 anos, mas que poderá surtir um efeito de total estranheza a quem se deliciou com o periodo 94 a 98.
Meus amigos: preparem-se muito que o som agora não é o mesmo!!!
É muito menos trip-hop ou electrónico e muito mais um som que poderemos identificar pelos periodos do rock psicadélico e experimental (influências mais uma vez dos Pink Floyd de "Ummagumma" 1969), dos primórdios da música electrónica baseada nas repetições de sons maquinais e dos sintetizadores. É mais rock que nunca mas um rock que a determinada altura me fez voltar a sentir as sensações das primeiras obras dos Sonic Youth, dos The Can (eram maravilhosas as longas faixas destes tipos), Spacemen 3 (meu Deus, já não há nada disto hoje) e a atitude sm medos á lá Velvet Underground.
Na verdade o que se passa em "Third" poderemos identificar no caso dos Radiohead quando lançaram "Kid A" após a obra-prima do rock dos anos 90 "OK Computer" (obviamente dos Radiohead, claro). Todos os fãs estranharam mas mais tarde reconheceram o mérito do "Kid A".
"Third" é um disco estranho que requer muitas audições inteiras para ser compreendido. Foi isso mesmo que fui sentindo após a primeira audição: "Mas que merda vem a ser esta?! Mas deixa lá ouvir isto de novo..."
Ahh pois é! Este disco por vezes parece descambar para o que sempre fizeram como logo de seguida tudo é subvertido de forma quase caótica e deslocada do nosso tempo.
"Third" vive no difícil fio-da-navalha da obra que nos desnorteia sem sabermos dizer de imediato se é bom ou mau. É estranho, como dizia, mas que com as audições seguintes se vai entranhando no nosso consciente como um assalto mental.
É uma som único no panorama musical dos nossos dias e original na sua intemporalidade. "Third" continua a trilhar os mesmo caminhos melancólicos mas desta vez de uma forma tanto feroz e contundente como suave e terno. O scratch desapareceu, o som fritado do vinyl também e percebe-se que as faixas não estão tão polidas como antigamente assumindo-se muito agrestes e rudes no primeiro impacto.
Em tempos (há mais de 10 anos) li-a nas descrições cinéfilas do Sr. Jorge Mourinha (ainda no ex-jornal Blitz - hoje no jornal Público), a noção de que normalmente estamos na presença de uma obra-prima quando saímos á "toa" da sala de cinema, totalmente siderados pelo filme num estado de transe em que nem sequer sabemos o que dizer do que vimos e logo depois de alguns tempos o filme dominar o nosso pensamento. Não pensarmos noutra coisa senão nele, não conseguirmos exprimir o estado com que nos elevou a película a um novo nível.
Depois de ouvir várias vezes o "Third" fiquei nessa situação. Recordou-me a estranheza genial do Tricky da era Polygram. Fez-me regressar os sentimentos de quando estava apaixonado pelo música que descobria (o inverso do enjôo que actualmente quase toda a música nova me produz). Lembrou-me que afinal a música poderá ainda não ter chegado ao tal beco sem saída. Mostrou-me que ainda existem bandas que nos regeneram.
E concluí que: "Third" é uma obra musical que deve ser tomada como um todo e quando isso acontece sentimos que estamos na presença de um álbum...GENIAL!
Fica aqui o video de "Machine Gun"
O concerto de hoje no Porto e amanhã em Lisboa, será povoado de certeza pelas sonoridades que aqui descrevi. Não irei por impossibilidade, mas será um concerto marcante para quem o for assistir e mais importante ainda se estiver em sintonia com as sensações aqui descritas. Para esses será o concerto da sua vida, como foi o único que deram no Festival do Sudoeste em 1998. Inesquecíveis!!!
É mesmo e está no MySpace o pedido, que podem ver já de seguida:
"the future.......
so then
we spent the day discussing the future of the P as we are free...
well free of a deal and free of comitment... for now!
with the world being the way it is there are lots of options open......but if you lot have any bright ideas of how we should sell our music in the future lets us know , why not!
i dont think that were into giving out music away for free to be honest...it fukin takes ages to write and we have to heat our swimming pools.....!!!
anyways thats it for now
also
our friends crippled black phoenix are coming to the states for the first time , if you get the chance to see them.... do!!!
check out the track "sharks and storms" its fuking heavy.
Admira-me eles não saberem o que fazer ainda... sem contrato estão livres para tudo.
Isso inclui decidir qual o melhor forma de fazer chegar o seu produto: música.
Eu penso que os Portishead não têm que dar a música que fazem e devem manter o conceito de vender. Só assim existe justiça.
Eles têm de perceber que nesta nova época o mais importante é dar concertos. Muitos e muitos concertos para poderem ganhar dinheiro com a música.
Podem sim oferecer um rebuçado: oferecer um tema gratuitamente (como imensos artistas fazem desde Coldplay a Bruce Springsteen ou Klepht). Essa faixa teria a missão de chegar a vastas audiências e por arrasto fazer descobrir o resto do álbum, comprando-o obviamente.
Originava buzz e mantinha o hype acerca de um novo registo.
Não sou apologista de disponibilizar faixas editáveis no GarageBand como fez o Trent Reznor várias vezes. Mas se a banda quer se rodear de fãs, e de escutar a versão dos fãs perante o seu som, também poderiam usar esta forma mais complexa de dar música.
Também não sou a favor de fazerem como os Radiohead, ao disponibilizarem um novo registo sob a batuta de o "cliente" pagar o que entender. Acho que esse principio não faz muito sentido mas é uma ideia.
Contudo como fã de longa data dos Portishead, mal eles lancem um novo registo irei logo a correr comprar (seja, CD ou DVD)... lá irá aqui o je!
Já por aqui havia demonstrado a minha a admiração pela canção "Hunter" dos Portishead, mas hoje serei ainda mais específico.
Não há video da banda para esta música mas isso não impediu a comunidade do YouTube de aparecer com vários.
Um dos que mais me suscita admiração é este que podem ver de seguida, devidamente á particularidade de unirem o som e coincidirem muitas das letras de "Hunter" com imagens de um dos mais famosos filmes de Hitchcok, a obra-prima das obras-primas deste realizador (e mestre único) e (a par do "Citizen Kane" -1941- de Orson Welles) o filme que mais venero.
O que mais me admirou neste video foi a forma hábil com que lidaram com o "sumo" da história do filme para coincidir com a canção, conseguindo assegurar em tão poucos minutos a obsessão do detective em fazer de uma outra mulher, aquela que tragicamente perdeu em resultado da sua fobia pelas alturas... mas que a vê renascer diante dos seus olhos com a transformação que subtilmente lhe foi impondo.
Essa revelação sucede num quarto de hotel perante um magestoso efeito néon que vem do exterior, que confere à mulher uma aura fantasmagórica no preciso momento em que renasce aos olhos do detective... aqui um simples truque revelador do génio de Hitchcock.
Está tudo habilmente manipulado neste saboroso video. Se calhar a banda não faria melhor... O que acham de ambos os elementos?
Os Portishead juntaram forças com a Amnistia Internacional e têm disponível uma nova faixa para comemorar o aniversário do Dia Internacional dos Direitos Humanos.
A faixa está disponível para venda no 7Digital, local onde se pode até apreciar o video da performance ao vivo desta nova canção exclusiva, a "Chase the tear".
Um dos pais do trip-hop, juntamente com Portishead e Massive Attack, está de volta!
Tricky regressou!
Tricky marcou o panorama musical com albuns indescritívies como o foram no seu auge criativo desde o seu debut a solo numa fabulosa cadência: Maxinquaye / Pre-Millenium Tension / Angels with dirty faces
Nada mais seria o mesmo depois de Maxinquaye e a indústria da música teve de se reinventar, pois juntamente com "Dummy" dos Portishead e o "Blue Lines" dos Massive Attack, um género sonoro ergueu-se e tomou de assalto a música, que o copiou e extrapolou até á exaustão. Ainda nos dias de hoje se percebem os efeitos que este trio provocou na música. Bom mas isso é história do trip-hop, um género já defunto...
Tricky ainda existe em 2008...
5 anos depois do assim-assim "Vulnerable" e 10 anos depois do último bom disco lançado por Tricky, "Angels with dirty faces" (depois deste foi tudo muito fraquinho apesar de ainda haver uma pequena chama de Tricky kid a espaços numa ou noutra faixa) eis que um novo álbum do "traquina" aparece.
É claro que num fã, como eu, a esperança de vir a ouvir dele algo de relevo já tinha desaparecido há algum tempo apesar de comparecermos com devoção. Ele nestes anos todos nem nas remisturas que fez se safava ("Verve Remixed" ou "Monsieur Gainsbourg Revisited" são exemplos do quão fraco ele andava). Mesmo assim não lhe deixei de dar a hipótese de salvação.
"Knowle West Boy" é o novo álbum (2008) e tudo levava a crer que seria mais da mesma mediania. Desenganai-vos pois é que acontece que não... o maldito cavernoso regressa com um álbum a puxar por toda a truculência fervilhante dos seus primeiros tempos. Este novo álbum é potente, interessante, atrevido, imaginativo, tudo em doses q.b..
Finalmente Tricky volta a desfazer músicas, arranjando-as com notas nas alturas erradas, desconstruindo a noção de melodia, a sobrepor a sua voz ás vozes femininas (contraponto de uma voz tão grave e arrastada).
"Knowle West Boy", cujo título remete para o seu tempo de criança e o bairro/gueto Knowle West onde vivia. É dessa matéria inspiradora que este novo disco surge. Arranca logo em tom desalinhado e jazzístico com "Puppy Toy" que a inicio parece algo estranha mas que é daquelas faixas que se entranham e facilmente se reconhece depois. É imediatamente seguida por algumas faixas que alinham pelo estilo dos discos dele desta década mas muito mais apetecíveis de ouvir.
Até que nos deparamos com a frenética "Council Estate" (que no inicio tem um sample discreto de "Roads" dos Portishead como som de fundo). Esta faixa tem um refrão à Tricky bastante irónico onde ele profere as frases como: "Can't break who you mean or who you are / remember boy you're a superstar" e vai seguindo com mais impropérios a ele mesmo num ritmo funky bem acelerado sujado de breakbeats poderosos contornados por riffs de guitarra electrica. Um assombro de canção!
A faixa seguinte é um impressionante regresso ao trip-hop com "Past Mistake", que nos remete imediatamente para o seu primeiro álbum, "Maxinquaye" (1995) com a eternamente magestosa "Pumpkin" com a A. Goldfrapp. "Past Mistake" é fabulosa na ambiência que sugere, no tom duplo das vozes opostas e com uma batida ecoante polvilhada de uma melodia glacial onde a espaços Tricky faz valer-se dos pergaminhos e solta linhas vocais pertence aos deuses (com em Nearly God -1996). Grande momento do disco, que é seguidamente servido com outro momento à altura com "Coalition", onde o seu estilo cavernoso e obscuro arranca em surdina sons de um violino e de um baixo tímido bem ao jeito do seu tempo em "Angels with dirty faces" (1998) com beeps tensos ao estilo de "Pre-Millenium tension" (1996). Curiosamente este ambiente tenso, onde parece algo se estar a passar, tinha sido sugerido no inicio do disco com "Bacative" e "Joseph" e os arranjos com harpas. "Cross to Bear" faz-nos recordar as canções com Martina Topley Bird.
Temos ainda direito a uma surpresa: uma versão de "Slow" de Kylie Minogue ao estilo Tricky. Se em "Vulnerable" (2003) Tricky mostrava como se fazia uma versão de uma música ("Lovecats" dos The Cure), desta vez o resultado não sai assim tão surpreendente mas que consegue agarrar por ser uma escolha enigmática mas que a partir do momento que a ouvimos nos faz dar a entender que a música já lhe pertencia -isso é ter aquela pontinha de génio que só alguns têm.
O álbum fecha com "School gates", que aparece depois de alguns momentos menores denunciados em demasia pelo ragga que já provinha em exagero no "Blowback" (2001), mas que é salvo por este tema que é uma muito interessante fusão de sons numa evocação de blues inesperada com guitar slide e tudo.
Tricky és grande e és o maior! Faz mais como este...
Tricky regressou!
É esta a noticia dos últimos tempos e regressou em força, musicalmente falando.
Como habitualmente publico aqui no meu espaço artigos sobre o mundo da música e sobre a música propriamente (discos, videos, etc), passo a fazer os meus destaques musicais.
1- Álbuns de 2008 que mais apreciei e respectivas faixas mais ouvidas...
1998: Tricky & PJ Harvey ao vivo no programa televisivo Jools Holland.
Recordo de ver este programa da BBC, o "Later with Jools Holland" nas noites da RTP2. Era (e é ainda) um grande programa de TV dedicado a mini-concertos ao vivo para TV. O apresentador, também músico (toca piano), apresentava todas as semanas as bandas que andavam em tournée. O estúdio era composto por vários palcos em forma circular. Cada banda convidada tinha o seu mini-palco e tocava um tema para de seguida se passar a outra banda/artista a solo. Normalmente cada um tinha "espaço" para tocar 2 ou 3 temas nessa noite.
O apresentador passeava-se pelo estudio circular e nas suas costas podíamos ver os artistas em cada palco a aguardar o seu momento. O Jools Holland fazia ainda mini-entrevistas e por ele sabíamos imensas novidades, tudo sempre em tom intimista. Por vezes o Jools ainda se dava ao luxo de tocar com as bandas um ou outro tema. Outras vezes era ele o pianista de alguns artistas a solo. E não excluía os mais diversos estilos musicais
Por lá passou (e passa ainda) toda a "nata" musical: Radiohead, Morrissey, PJ Harvey, The Verve, Morcheeba, Portishead, Massive Attack, Bjork e tantos outros que a gora a minha memória já não recorda...
...e actualmente passaram por lá os The White Stripe, Amy Winehouse, KT Tunstall, Franz Ferdinand e muitos outros novos nomes, incluindo a nossa Sara Tavares.
1997 - Radiohead "No Surprises"
1998 - Portishead "Over"
Como estamos nos dias de hoje?
Por cá chegou-se a ter um programa nas noites de Quinta-feira, apresentado pelo Miguel Ângelo dos Delfins. Era muito interessante também mas por cá não temas assim tantas bandas de qualidade e em quantidade para assegurar imensas emissões. Durou pouco tempo e não deixou marcas. Ao contrário de cá... o programa de Jools Holland continua a marcar gente.
Como se pode promover concertos por cá se, quem nunca vai aos concertos também não tem noção de ver essas bandas com um acesso facil como nos oferecia este programa?
Tinha ainda o condão de nos dar a conhecer nomes que desconhecíamos mas que depois de os ver actuar nos fazia apaixonar por novas músicas. Hoje em dia sinto imensa falta disso. A rádio não ajuda, o jornal Blitz já acabou há muito (foi substituido por uma revista que apesar de continuar a falar de música já nã tem a mesma alma do ex-jornal de referência) e a nossa TV é uma lástima total.
Para que queremos tops? Para gostarmos todos dos mesmos 20+? Enfim, uma vergonha!
É uma pena que, nos dias de hoje tenhamos tantos canais por cabo e em sinal aberto e nem sequer este "simples programa" passe nas nossas televisões (já não tenho a certeza mas acho que não passa mesmo). É uma pena lamentável para a saúde da música, dos nossos olhos e ouvidos!
Considero que a década de 90 foi importante para a música em duas áreas:
a música com guitarras "pesadas" e a electrónica (excluo a pop porque essa será sempre reflexo do sociedade e as modas do momento).
Como é sabido os anos 90 ofereceram-nos géneros que apareceram com muita força e depois se evaporaram. Talvez porque da mesma forma que todo o mundo os adorou, logo depois se passou a renegar esses géneros... e alguns até foram géneros bem interessantes e estimulantes.
Estou a referir-me no campo das guitarras eléctricas:
- ao grunge (Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden) e o pós-grunge (Bush, Silverchair, Foo-Fighters, etc);
- o rock neo-psicadélico (Radiohead, Spiritualized, The Verve, etc);
- o rock indie renovado (dEUS, The Flaming Lips, Tindersticks, etc);
- o próprio metal explodiu em imensos sub-géneros como o trash, death, etc (Marilyn Manson);
- o nu-Metal, que mais tarde presta um novo fôlego ao metal ao juntar hip-hop (Limp Bizkit, Korn, Linkin Park, etc);
...para além de outros mais.
Nirvana, Marilyn Manson e Limp Bizkit
E no campo da música electrónica...
...surgiram correntes musicais tão inovadoras como refrescantes e que marcariam em definitivo o som da música. Primeiro porque renovou os processo de obter novas bases de som para o hip-hop e para o R'n'B e depois porque deu novas respostas de som como:
- o trip-hop, o big-beat, o jungle, o drum'n'bass,
- tecno, house, dub, gregorian-house, etc, etc;
... e outras evoluções (muitas delas encalhariam no caldeirão do chill-out).
A verdade é que o periodo entre 91-99 foi mesmo estimulante e desse tempo emergiram imensas bandas e artistas de culto nos dias de hoje, como Massive Attack, Portishead, Tricky, Prodigy, Chemical Brothers, Goldie, Sneaker Pimps, DJ Spooky, Carl Cox, etc, etc... (esta pequeníssima amostra dá para ter uma ideia do muito que surgiu nos 90s).
Massive Attack, Portishead e The Chemical Brothers
A electrónica também despontou o gosto dos artistas e bandas de outros géneros. Principalmente pelas remixes electrónicas, pois era importante terem um dos seus hits assinados pelos grandes da electrónica.
Gente como os The Rolling Stones, Madonna, Radiohead, etc, disputaram os melhores remisturadores para fazerem versões para pistas de dança (activas ou de chill-out) e até os melhores produtores desse estilo.
Até as bandas sonoras foram influenciadas...
O metal e a electrónica, juntos ou em separado, tiveram também enorme influência na música para filmes.
Se nos dias de hoje já não tenho dúvida que o salvamento da música clássica foi o cinema (é nas bandas-sonoras para filmes que o género clássico se renova e é até escutado por mais públicos que de outra forma fugiriam a sete-pés), a verdade é que até as bandas sonoras passaram a ser polvilhadas de sons electrónicas e a contar também com guitarras bem pesadas.
Repesquei as bandas-sonoras por que na década de 90, certos filmes ganhavam edições em CD das respectivas BSO's que eram autênticas pérolas:
Pois... a evolução do ouvido público tem resolvido.
Mais tarde, já nesta década de 2000, acabaríamos todos por perceber que o contacto com a electrónica com a pop, o hip-hop, o rock, o metal, o jazz ou a dança, etc provocou "estragos" na forma como ajudou a misturar os géneros todos (hoje em dia é dificl já de catalogar os estilos de música - tudo é um caldeirão) e entre muitas outras razões notou-se que foi também pela electrónica o surgimento de novas técnicas possíveis de recriar sons... e sonoridades.